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Em setembro do ano passado, durante uma palestra promovida pelos maçons em Brasília, o general Hamilton Mourão, na época secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército, afirmou que se o Judiciário não “solucionasse” o “problema político” os militares teriam que intervir. Segundo ele, o Alto Comando avaliava que ainda não era hora de intervir, mas de agir por meio de “aproximações sucessivas”, como em uma tábua de logaritmos. O “problema” seria, segundo ele, que o Judiciário combatesse os “políticos corruptos”.

Naquele momento, sabe-se agora, os militares já planejavam com o governo golpista uma intervenção no Rio de Janeiro com o pretexto de resolver a “crise de segurança” que a Globo fabricaria durante o último carnaval. Como a “crise de segurança” no Rio, os pretextos para que o Exército continue suas “aproximações sucessivas” rumo à completa tomada do poder político podem ser inventados à vontade, com apoio da imprensa burguesa, sempre a postos para cumprir seu papel golpista a serviço do imperialismo.

A intervenção militar no Rio colocou um estado-chave do país na mão dos militares. Em São Paulo, o poder já foi loteado pela direita há muito tempo. Minas Gerais, que forma com os outros dois o conjunto de estados mais importantes do ponto de vista do poder político, ainda está nas mãos do PT. No entanto, o governo mineiro está encurralado por uma violenta campanha da direita e com o pretexto de proteger a fronteira com o Rio tropas estão mobilizadas também em Minas.

Além desses estados centrais, muitos estados importantes estão nas mãos da direita, como Rio Grande do Sul, Paraná e Distrito Federal. Enquanto em outros estados em que a situação ainda não está definida a direita também está na ofensiva, como na Bahia. Um quadro que mostra a direita avançando geograficamente em toda parte rumo ao controle do território nacional, um processo em que os militares aparecem agora mais claramente no comando da situação, a serviço do imperialismo.

Além desse avanço por todas as regiões, os militares diretamente estão ampliando seu controle sobre o poder no próprio governo federal. Nesta semana, uma série de fatos concentrou ainda mais poder nas mãos dos militares. Segunda-feira (26), pela primeira vez um militar assumiu o Ministério da Defesa, desde a criação do ministério em 1999. O cargo ficou nas mãos do general da reserva Joaquim Silva e Luna.

Não parou por aí. No mesmo dia, Raul Jungmann, que era ministro da Defesa, assumiu o novo Ministério da Segurança Pública. Jungmann assumiu o cargo na condição de um político de confiança dos militares. Em meio às denúncias de corrupção contra o golpista Michel Temer, Jungmann chegou a anunciar que deixaria o governo, mas continuou na Defesa a pedido dos generais.

Naquela altura, grande parte do aparato repressivo e de vigilância já estava sob controle direto dos militares. No dia seguinte viria mais. Terça-feira (27), o homem de Temer no comando da Polícia Federal cairia. Fernando Segovia ficou no cargo apenas três meses, e estava no cargo para blindar o governo. Em seu lugar, foi nomeado um novo diretor-geral ligado ao Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil, general Sérgio Etchegoyen. O novo homem no comando da PF é Rogério Galloro, que passou décadas de sua carreira nos EUA.

Galloro já anunciou a troca da cúpula da PF nomeada por Segovia. Também na terça-feira, o ministro do STF Luís Roberto Barroso decidiu prorrogar por 60 dias um inquérito contra o presidente golpista, e a Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, nomeada por Temer, pediu ao STF a inclusão dele em um inquérito relativo a um suposto repasse ilegal de R$ 10 milhões ao MDB. Ou seja, ao mesmo tempo em que os tentáculos dos militares se apoderam do governo e do Estado, o golpista se enfraqueceu e estará sob constante ameaça no que resta de seu mandato ilegítimo.

Como em 1964, os militares entram em março em uma posição ofensiva para tomar o poder. Em muitos sentidos a situação é mais grave. A presença dos militares no governo já é muito maior. Por outro lado, dessa vez há muito mais consciência sobre o perigo de um golpe militar entre os trabalhadores e a população em geral. Diferentemente do que aconteceu na época, quando o PCB era um grande partido, centralizado e poderoso, e usou toda sua influência para tranquilizar a todos garantindo que não havia perigo de um golpe militar. Terminaram convocando uma greve geral no dia do golpe em um chamado que não foi respondido por ninguém. Era tarde demais.

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