Nada de frente ampla
Para que o movimento estudantil evolua é preciso abandonar a frente ampla e as conciliações com a burguesia para colocar todos os esforços na verdadeira mobilização dos estudantes
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Votação do Fundeb no Senado | Foto: Agência Senado

Nas ultimas semanas esteve em voga na política nacional a discussão sobre o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que foi criado em 2007 de forma temporária e que após ser aprovado na Câmara no mês passado (julho); foi aprovado por unanimidade no Senado nesta terça-feira (25) e passa a ser permanente.

A princípio a aprovação do Fundeb permanente pode parecer algo positivo para a educação, mas na verdade o que se conclui desta negociata é que a educação e povo pouco tem a ganhar uma vez que a vitória principal é da direita que dentro da frente ampla tenta esconder que é inimiga dos estudantes, dos professores e dos trabalhadores.

O Fundeb propriamente não tem capacidade de melhorar as condições dos estudantes e da educação como um todo. É preciso ter bastante claro que o que determina como a educação e todo o resto das necessidades da população vão ser tratada são sobretudo os interesses da classe dominante, logo, diante de um estado burguês que inclusive está sendo comandado pelos fascistas do governo Bolsonaro, é óbvio que o tratamento dado para as reivindicações populares será o pior possível, não importa o quanto de verbas se consiga para determinado campo.

Mesmo porque a questão não passa por ter ou não verbas destinadas, o caso da saúde é demonstrativo disto, já que em tese teriam sido destinadas mais verbas para a saúde diante da pandemia, mas na prática não se vê dentro do estado burguês e direitista no qual estamos, estas verbas sendo realmente aplicadas para proteger o povo e enfrentar efetivamente a pandemia, com menos de 1/3 das verbas destinadas utilizadas, prova cabal disso é que o Brasil já passa dos 115 mil mortos por coronavírus.

Isto é fundamental para entender que a aprovação do Fundeb não representa uma vitória para os estudantes e profissionais da educação, uma vez que sob o controle da burguesia estas verbas não serão utilizadas para melhorar a educação.  Pior ainda, longe de ser uma vitória do povo, a aprovação do Fundeb tem servido de palco para a frente ampla, onde os elementos mais direitistas vêm se beneficiando pela campanha da própria esquerda em torno da aprovação do Fundeb, para se passarem por bonzinhos ou inimigos do Bolsonaro, quando na verdade defendem a mesma política do Bolsonaro e são inimigos do povo.

A campanha levantada por setores da esquerda pela aprovação do Fundeb sequer é uma campanha de cunho popular, não houve, ao contrário do que afirmam, nenhuma mobilização popular, até porque a “luta” por aprovações de leis e verbas não é uma demanda do povo que sabe que isto não muda em nada suas vidas. A esquerda mais uma vez escolheu o caminho das instituições burguesas se aliando à elementos da direita para conseguir avanços mínimos, ao invés de lançar mão de uma mobilização popular real pelas verdadeiras reivindicações dos estudantes que estão sofrendo uma série de ataques com a iminência da volta às aulas em meio à pandemia e sendo obrigados a terem aulas precárias por EAD, numa tentativa de sucatear ainda mais o ensino público.

Pela lógica da esquerda que comemora a aprovação do Fundeb mas deixa de lado a mobilização dos estudantes, o fato de o Fundeb ter sido aprovado com apenas 7 votos contra na câmara e por unanimidade do Senado, todos os que votaram a favor do fundo seriam grandes aliados dos estudantes, quando na verdade todos sabem que isto é uma falsificação, todos os direitistas e fascistas que votaram a favor do fundeb são inimigos da educação pública.

A campanha do “aprova Fundeb” vai além e confunde a população quando tenta fazer parecer que haveriam situações em que a esquerda e a direita pudessem se unir por um “bem maior”, que no caso seria pela educação e até mesmo contra o Bolsonaro, que seria contra o Fundeb. isto no entanto, é uma mentira e uma tentativa de empurrar a frente ampla goela abaixo. A esquerda que verdadeiramente defende o povo não deve se unir à direita inimiga do povo porque nem a esquerda nem a população tem nada a ganhar com isto, só a direita que usa estas situação para se passar por popular.

Assim, não existe “bem maior” que una o povo com seus inimigos, toda a aliança com a direita é prejudicial para o próprio povo, uma vez que impede que as conquistas populares, seja dos estudantes, dos trabalhadores, das mulheres, etc., sejam alcançadas por impedir a mobilização que é a unica forma de conseguir levar adiante as reivindicações populares. Para que o movimento estudantil evolua é preciso abandonar a frente ampla e as conciliações com a burguesia para colocar todos os esforços na verdadeira mobilização dos estudantes, pois assim podem garantir a defesa de seus interesses.

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