O “Nosso Figueirense” voltou
Após recisão com a Elephant, torcida convoca “retomada”
Figueirense rompe parceria com empresa, gerando grande movimentação por parte da torcida que pretende reerguer o clube, no que está sendo o momento mais difícil de sua história.
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O “Nosso Figueirense” voltou
Após recisão com a Elephant, torcida convoca “retomada”
Figueirense rompe parceria com empresa, gerando grande movimentação por parte da torcida que pretende reerguer o clube, no que está sendo o momento mais difícil de sua história.
Bandeirão no jogo contra o Paraná em 2010. Fonte: Ale Almeida Photos
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Bandeirão no jogo contra o Paraná em 2010. Fonte: Ale Almeida Photos

A trajetória do quase centenário Figueirense Futebol clube sempre foi conhecida como uma que, por mais oscilações que tenha, seguia uma trajeto ascendente no gráfico, ocupando aos poucos o cenário nacional nos principais campeonatos, firmando-se como uma das 5 principais representações da região sul.

Sua categoria de base, outrora, fora responsável por revelar grandes nomes do futebol internacional, como Roberto Firmino e Filipe Luís, consagrando-se campeã da copa são paulo de futebol júnior, em 2008. Tal fato sempre gerou grandes especulações no setor empresarial, interessado na mina de ouro existente no Centro de Treinamento do Cambirela, o primeiro CT do Brasil a ganhar o status de aprovado pela CBF devido sua organização e investimento nos jovens atletas.

No final da primeira década do século, o clube conteve em seu interior uma forte disputa interna pelo seu comando. Setores empresariais, depuseram o então presidente, Paulo Prisco Paraíso, que comandara o clube por 10 anos. Com isto, assumiria a nova gestão, que não tardou a entrar em falência financeira e perante a torcida, culminando na entrega do clube, no final de 2017, a empresa Elephant, comandada por acionistas que seriam responsáveis pela destruição total da instituição, e por sugar até não poder mais, todo o capital que girava em torno das jovens promessas do clube.

Não por coincidência, última vez que o clube ganhou notoriedade por sua categoria de base foi no ano de 2017, logo no inicio da gestão “Clube-Empresa”, onde ainda existia os recursos dos anos anteriores. Após isto, o clube entrou em uma curva direta ao abismo, não tendo mais alimentação para os jogadores antes do jogo, dividas com a lavanderia, fim do plano de saúde dos jogadores, o que proporcionou recentemente a ida do capitão do time para a fila do SUS, pelo clube não ter mais vínculo com a Unimed.

Com este festival de horrores, a torcida e os jogadores não tardaram a protestar, protagonizando uma greve histórica com repercussão internacional, gerando um forte vinculo entre os trabalhadores do clube e a torcida. Esse desenvolvimento culminou em uma grande pressão sob os ditos “notáveis”, que eram responsáveis por fiscalizar a empresa, fazendo com que por fim, durante o último jogo, fosse divulgado um documento assinado pelo conselho, anunciando o fim da parceria clube-empresa.

Primeiramente o documento foi desmentido pela empresa que geria a instituição, mas o dia se passou e foi visível a mudança até mesmo na forma com que o perfil do clube nas redes sociais interagia com os torcedores, anunciando por fim, em nota oficial no dia 20 de setembro, que finalmente o Figueirense era o “nosso Figueirense”.

A ação nas redes sociais propiciou a torcida iniciar uma grande campanha com os dizeres “RetomadaAlvinegra” e “OFigueiraÉNosso”, onde os torcedores passaram a muito festejar a saída da empresa, impulsionando assim o movimento que ficou chamado de “retomada”, com a torcida indo receber os jogadores durante a noite na chegada pós-jogo, e com uma campanha em prol da redução do preço dos ingressos, em busca de, mesmo que numa terça-feira, encher o estádio Orlando Scarpelli como forma de defesa e apoio ao clube.

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Festa da torcida em clássico contra o Avaí. 2011

A movimentação gerou frutos, e logo em seguida o clube respondeu que faria uma promoção onde, quem fosse sócio poderia comprar ingressos a 5 reais, e quem não fosse o ingresso custaria 10 reais, reduzindo e muito os abusivos preços cobrados durante o ano, que afastava a torcida dos estádios

O caso Figueirense serve de fundamental lição, tanto para sua torcida como para todas as outras, em uma demonstração clara do que acontece quando o futebol, esporte do povo pobre, é jogado na mão dos interesses escusos da burguesia, responsável por afundar um dos principais times de Santa Catarina, que agora, graças a sua torcida está sendo capaz de reerguer-se. O Figueirense, e qualquer outro clube de futebol, não pertence a um grupo de empresários sanguessugas, mas sim a sua torcida, como mostra de maneira clara a nação alvinegra.