A esquerda que a direita gosta
Boulos foi impulsionado por toda a imprensa tradicional, veículos da direita como O Globo, que querem que ele tome o lugar que é de Lula e do PT.
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São Paulo Sp 18 11 2020 Guilherme Boulos (PSOL) faz a primeira caminhada segundo turno no centro de São Paulo, acompanhado de Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB) Foto Filipe Araújo/ Fotos Publicas
Boulos fazendo campanha ao lado Orlando Silva e Jilmar Tatto | Foto: Filipe Araújo/Fotos Publicas

O resultado das eleições municipais de 2020 na cidade de São Paulo mostrou a reeleição do tucano Bruno Covas. Boulos teve 2.668.109 votos contra 3.169.121 votos do vencedor. O total de votos nulos e brancos e mais as abstenções somaram 3.649.457, que é mais que a votação de Covas. Apesar da derrota Boulos comemorou o resultado como se fosse uma vitória. De uma certa maneira ele está certo. Foi uma vitória de Guilherme Boulos e foi uma vitória da direita e da Frente Ampla.

No dia anterior ao pleito o jornal O Globo publicou uma matéria onde apresenta Boulos como o “novo líder da esquerda”, uma manobra que se enquadra dentro da estratégia da Frente Ampla, cujo objetivo final visa liquidar as pretensões presidenciais de Luis Inácio Lula da Silva e colocar de lado o PT, o maior partido de esquerda do país e substituí-lo pelo PSOL, um partido inofensivo formado por políticos pequeno burgueses dispostos a aceitar qualquer migalha oferecida pela burguesia para cumprir essa tarefa.

Boulos e a Frente Ampla

A política da Frente Ampla é uma estratégia usada frequentemente pela direita em momentos de crise, quando a direita precisa disfarçar seus ataques à população com uma cobertura democrática. Para conseguir este intento se utiliza de setores da esquerda, dispostos a colaborar com os partidos da direita. Estas eleições municipais foram um ensaio geral para o que realmente interessa, a eleição presidencial de 2022, onde a burguesia visa consolidar o golpe de estado, elegendo um candidato da direita de sua preferência.

Para este fim Luis Inácio Lula da Silva é um dos seus maiores entraves e a manobra da Frente Ampla visa isolar Lula e os setores mais combativos do PT. Para isso tem arrebanhado para a Frente Ampla os partidos tradicionais de direita e praticamente todos os outros partidos da esquerda, como o PCdoB, PSOL, PCB e PSTU.

Boulos se tornou uma figura chave para a Frente Ampla porque seu papel é ocupar o lugar de Lula. A eleição municipal não tinha o objetivo de elegê-lo porque o atual prefeito, Bruno Covas, é do PSDB, um partido que goza de toda a confiança da burguesia. Neste sentido a derrota de Boulos no segundo turno já era esperada e aconteceu da maneira que a burguesia previa. Mas serviu para alavancar a figura de Boulos, que terá um papel importante nos próximos dois anos.

A campanha de Boulos em São Paulo contou com a colaboração do próprio PT, que lançou um candidato extremamente fraco, Jilmar Tatto, pouco conhecido e de influência pequena, além do partido praticamente não fazer campanha por ele. Muitos petistas abandonaram a campanha de Tatto logo no início para aderirem à campanha do PSOL e de Boulos, uma atitude ridícula, de traição ao próprio partido.

Logo em seguida Boulos recebeu o apoio de todo tipo de figura da direita, de Janaína Paschoal a Ciro Gomes, Marina Silva, Felipe Netto, Luciano Huck e Datena e de órgãos da imprensa golpista como o Globo, rede Globo, Estadão, Folha de São Paulo, revista Veja, revista Isto É e muitas outras. Cantores como Caetano Veloso fizeram lives para arrecadar fundos para sua campanha. O que mostra o tamanho da manobra da Frente Ampla.

A campanha do Estadão

No último dia 22 de novembro o jornal O Estado de São Paulo, um dos mais reacionários e direitistas do país publicou um editorial onde diz:

“Guilherme Boulos, do PSOL, mostrou-se amadurecido. Deixou de lado o figurino de agitador que marcou sua carreira como líder dos sem-teto de São Paulo para agregar apoio a seu projeto político, o que foi suficiente para se viabilizar como um candidato de esquerda competitivo numa cidade que desde as eleições de 2016 repudia fortemente o PT e tudo o que o lulopetismo representa… certamente será, assim, um nome forte da esquerda em disputas futuras, despontando como líder de uma reorganização dos partidos que até há pouco orbitavam o PT e Lula da Silva”.

Neste texto fica evidente como o Estadão, porta voz da burguesia, quer mostrar à esquerda como ela deve se comportar, substituindo Lula e seu seguidores, o que eles chamam de lulopetismo, por Boulos, alguém muito mais palatável para a direita.

Lula incomoda a direita porque representa uma verdadeira liderança da esquerda, uma pessoa que surgiu no meio sindical e cujo prestígio cresceu com a luta dos operários pelos seus direitos. Lula tem uma verdadeira base de apoio na população, uma figura que conseguiu ser presidente por duas vezes e ainda elegeu sua sucessora, que venceu por mais duas vezes. Lula tem, com isso, uma verdadeira ligação com as amplas massas e isso é um fator que dificulta a manipulação da burguesia.

O PT só foi tirado do poder devido ao golpe de estado, um golpe que foi articulado e executado por uma aliança entre a burguesia brasileira e o imperialismo, especialmente dos Estados Unidos, que tinha por objetivo a destruição da concorrência de empresas brasileiras e o roubo do petróleo do pré-sal, entre outras coisas. A burguesia brasileira concluiu que não era mais possível tolerar as pequenas reformas sociais feitas pelo PT e que era hora de aplicar o mais duro remédio neoliberal na população.

Por isso a burguesia sabe que a pretensão de Lula em concorrer novamente à presidência em 2022 é um perigo para eles, mesmo com a burguesia fraudando as urnas e manipulando a imprensa. Para conter definitivamente esta ameaça somente anulando por completo a candidatura de Lula. O ex-presidente já está ameaçado de ser impedido de se candidatar com a ajuda do poder Judiciário, que pretende usar a Lei da Ficha Limpa, para condená-lo em algum dos seus inúmeros processos.

Por isso uma das lutas fundamentais que o PCO tem pregado é pela impugnação de todos os processos fraudulentos que foram criados contra o ex-presidente Lula. Processos, em sua grande maioria, criados pela operação Lava Jato, onde o juiz golpista Sérgio Moro, treinado em uma universidade americana, teve um papel preponderante.

Boulos, por outro lado, não tem nenhuma base real na população. Seu apoio se localiza apenas dentro de setores da classe média de esquerda, a pequena burguesia, mesmos setores que apoiam o seu partido, o PSOL. Boulos vem sendo alimentado pela direita há bastante tempo, basta ver que em 2016 ele foi homenageado pela Câmara dos Deputados em 2016 com a medalha do Mérito Legislativo em sessão solene no Plenário Ulysses Guimarães. A medalha foi entregue pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, famoso inimigo dos trabalhadores.

Boulos foi também impulsionado por figuras execráveis da direita da televisão como Luciano Huck e José Luiz Datena. Datena em sua entrevista aconselhou Boulos:

“Então, estrategicamente falando eu acho que o seu eleitor tem uma convicção muito grande que você é o cara. Ele não votou contra o Bolsonaro ou contra o Doria, os padrinhos políticos do Russomanno e do Bruno. Então acho que você precisa ter mais convicção da sua musculatura política, que passa a ser diferente. Se você perder a eleição de São Paulo, você passa a ser candidato à presidente da República com muito mais musculatura que você tinha na primeira eleição”.

A fala de Datena mostra a intenção expressa pelo seu canal, a Bandeirantes.

A política anti-PT do PSOL

Lembremos que o PSOL foi formado por políticos pequeno burgueses que saíram do PT por discordar da política do partido. Na verdade o que estes políticos queriam era se afastar do partido que estava sendo perseguido no escândalo conhecido como mensalão. Luciana Genro, Heloísa Helena, Babá, todos eles depois se notabilizaram pelas críticas constantes ao PT e pela defesa da Lava Jato, ou seja, uma postura pautada pelo moralismo. O PSOL chegou a comemorar o impeachment de Dilma Rousseff.

O PSOL entrou de cabeça na política da Frente Ampla, fazendo alianças nas eleições municipais com qualquer partido, fosse de direita ou esquerda, apenas visando o seu ganho eleitoral. Aceitou candidatos de perfil direitista e doações de ricos empresários, como foi o caso de Wesley Teixeira, candidato a vereador na cidade de Duque de Caxias, financiado pelo ex-presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga.

Este convívio com a direita e os setores empresariais mostra que o PSOL é a esquerda que a direita aprecia, um partido com uma cobertura de esquerda, impulsionado por pautas identitárias, mas que não hesita em fazer acordos com os setores mais reacionários da sociedade e com o grande capital.

As eleições municipais de 2020 nos mostraram a burguesia agindo através da Frente Ampla. O PT foi um dos partidos derrotados, diminuindo bastante o número de cidades que controla e reduzindo muito o número de seus parlamentares. As eleições mostraram que os grandes vencedores foram os partidos da direita como o PSDB e os seus derivados como PDT, DEM, PP, partidos que não tem nenhuma base popular e que são odiados pelo povo que sabe que eles são os responsáveis pela situação de penúria atual. A direita sabe que só conseguem ganhar eleições porque tem o controle de toda a máquina eleitoral e de toda a imprensa tradicional.

Por tudo isso a única saída para a esquerda é apostar na candidatura de Lula nas eleições de 2022 e para isso devemos defender até o fim os seus direitos políticos e seu direito de concorrer. Somente desse modo teremos uma chance de vencer o golpe de estado e a burguesia. Este é o caminho da luta que deve ser travada pela verdadeira esquerda. Como vimos, o caminho da via eleitoral não muda nada, a não ser para pior.

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