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Extrema pobreza
Após golpe, desigualdade bate recorde no Brasil
O programa da direita golpista está funcionando, levando milhões à miséria e aumentando a desigualdade
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Extrema pobreza
Após golpe, desigualdade bate recorde no Brasil
O programa da direita golpista está funcionando, levando milhões à miséria e aumentando a desigualdade
Favela da Rocinha. Foto: Wikimedia Commons
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Favela da Rocinha. Foto: Wikimedia Commons

O golpe provocou um aumento significativo da extrema pobreza no Brasil, antes mesmo do plano neoliberal de Bolsonaro, que vai piorar tudo ainda mais caso não seja impedido. Segundo estudo publicado pelo IBGE quinta-feira (6), entre 2014 e 2018 o número de pessoas na extrema pobreza cresceu 4,5 milhões, chegando a 13,5 milhões. Essa é a maior quantidade de pessoas na extrema pobreza desde que começou a série histórica medida pelo IBGE, em 2012. Nem mesmo estar no mercado de trabalho garante que uma pessoa não esteja na extrema pobreza, pois 1,8 milhão das pessoas nesse grupo estava no mercado de trabalho em 2018.

 

Tendência sob o golpe

Para ser considerado na extrema pobreza, de acordo com o critério do Banco Mundial, adotado no relatório do IBGE, uma pessoa tem que viver com menos de US$1,90 por dia, cerca de R$145 por mês. Em 2014, ano em que a campanha golpista começou a se intensificar, dois anos depois da série histórica começar, o número de miseráveis no Brasil atingiu seu menor patamar até hoje, ficando em 9 milhões, caindo de 10,1 milhões em 2012.

 

Desigualdade

A desigualdade também cresceu desde o começo da campanha golpista, passando pela derrubada de Dilma em 2014. Dois índices que medem a desigualdade cresceram a partir do golpe. O índice de Gini, que teve queda entre 2012 e 2015, indo de 0,54 para 0,524, passou a subir nos anos subsequentes chegando a 0,545 em 2018. Esse índice representa a desigualdade em uma escala de 0 a 1, em que 0 seria uma igualdade completa, e 1 a máxima desigualdade.

Outro índice que mede esse aspecto, o índice de Palma teve uma oscilação maior. Diferentemente do índice de Gini, que mede a concentração de renda média, o índice de Palma analisa a razão entre as rendas dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres, enfatizando mudanças nos extremos. Como o golpe deixou os ricos mais ricos, esse índice variou ainda mais. Depois de cair continuamente dos 4,1, de 2012 até chegar a 3,73 em 2015, o índice subiu para 4,25 em 2018.

 

O programa da direita

Do ponto de vista da direita golpista e do imperialismo, esses números não são um problema, mas consequência natural de seu programa político. O problema para a direita consiste em impedir a reação popular ao aumento da miséria e da desigualdade. Por isso, em toda a América Latina, a direita vem recorrendo à repressão e à violência para conter a revolta popular, como já se vê no Chile e no Equador, e como Bolsonaro já prometeu para o Brasil.

Portanto, o que está colocado é um inevitável confronto entre as massas e os governos lacaios do imperialismo em todo o continente. Às organizações dos trabalhadores cabe preparar a classe operária para esse embate, levantando palavras de ordem políticas que confrontem os regimes políticos controlados pela direita golpista. No Brasil, é hora de a esquerda levantar as reivindicações Fora Bolsonaro! e Liberdade para Lula! Essas são as alternativas à esquerda para a crise aberta pelos golpistas. E a única forma de reverter os ataques da direita as condições de vida de amplos contingentes da população, feitos em proveito dos interesses de poucos capitalistas.