País “quebrado”
Bolsonaro verbaliza o impasse do regime político, incapaz de conciliar os interesses da burguesia aos da população, sendo cobrado para ser mais monstruoso
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(Nova York - EUA, 24/09/2018) Presidente da República, Jair Bolsonaro, recebe os cumprimentos do Senhor Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump. rFoto: Alan Santos/PR
Extrema-direita entrega o jogo | Foto: Alan Santos/PR

Na última terça-feira (5), o presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro, disse ao grupo de apoiadores no Palácio da Alvorada que o “Brasil está quebrado”, razão pela qual ele não consegue “fazer nada”.

 “Chefe, o Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus potencializado pela mídia que nós temos aí, essa mídia sem caráter”.

A tal “mídia sem caráter”, os órgãos da imprensa burguesa responsáveis por colocar e manter Bolsonaro no poder, imediatamente reagiram à declaração cobrando do fascista mais empenho em atender os setores mais poderosos da burguesia, do qual são porta-vozes.

Desde o conceito de “quebrado” até a caracterização burguesa da crise brasileira, a fala de Bolsonaro serviu para reabrir a artilharia da imprensa, que usou o caso para atacar a incapacidade declarada, reforçando a cobrança pelo atendimento pleno aos interesses da burguesia.

 

Socorro dos especialistas

 “É surpreendente que o presidente da República dê uma declaração dessa porque ele tem todos os instrumentos na mão para propor os ajustes necessários para que o país não chegue nessa situação”

disse ao jornal golpista O Globo a economista Ana Carla Abrão, sócia da consultoria Oliver Wyman, colunista do Estadão e filha de um ex-governador interventor de Goiás durante a ditadura militar. A política de colocar Bolsonaro “na linha” desejada pela burguesia fica evidente na defesa dos famigerados “ajustes necessários” feita pela economista burguesa.

Outro propagandista destacado da burguesia, Maílson da Nóbrega -ex-ministro da Fazenda do governo Sarney- repercutiu a linha geral de Ana Carla Abrão. Segundo o ex-ministro de Sarney,

“Não é papel do presidente fazer uma declaração equivocada e por impulso de que o país está quebrado. O que vai pensar um investidor? O papel do presidente é liderar um conjunto de reformas em articulação com o Congresso para livrar o país desse destino de insolvência interna. E isso requer liderança”

Outro destacado cão de guarda dos interesses da burguesia também reagiu à declaração de Bolsonaro: o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM).

Segurando mais de 50 processos de impeachment contra o presidente ilegítimo -e tendo já declarado que não irá permitir nenhum sob sua presidência- Rodrigo Maia pode ser considerado o principal defensor de Jair Bolsonaro no cargo de presidente. Contudo, sua política visa, acima de tudo, a defesa dos interesses da burguesia. E nesse sentido, Maia obviamente não podia perder a oportunidade:

“É grave e desalentador porque você olha para os próximos dois anos sem entender o projeto de país que ele tem. Desde o fim de 2019 e durante a pandemia, a mensagem do presidente se pareceu mais com a do deputado que representa corporações do que com a do presidente que representa o estado”,

 Ainda no dia 5, Rodrigo Maia usou as redes sociais para novo puxão de orelhas:

“Governo transferindo responsabilidade. É prática de um governo incompetente. É sempre assim.”

 

Mais ataques

Fica evidente pelas declarações, tanto dos “especialistas” quanto do “profissional”, o senso de oportunidade da burguesia. As tais “reformas” -palavra que não passa de eufemismo para uma rapina escancarada- são uma política antiga dos grandes capitalistas.

Embora remontem ao período FHC, a propaganda intensiva sobre a necessidade de “reformas” começou a ganhar força nos últimos anos do governo Dilma, tendo crescido ainda mais com o impulso dado pelo Golpe de 16.

Desde então, os direitos trabalhistas foram praticamente extintos, junto com os direitos previdenciários, o resto do patrimônio público que sobreviveu à era FHC voltou a sofrer ameaças de privatização, quando não dilapidados por meio de manobras -com destaque para o “fatiamento” da Petrobras para privatização por fora do Congresso-. E nada disso bastou para a burguesia.

Encontrando-se há décadas em agonia terminal, a franca decadência da burguesia a torna uma classe ainda mais parasitária e dependente da pirataria contra os trabalhadores. Daí a percepção de um saco sem fundo, demandando mais e mais reformas, num processo que parece não ter fim.

 

Só a mobilização dos trabalhadores pode mudar a situação

Os ataques a Bolsonaro por sua incompetência em ser tão monstruoso quanto deseja os responsáveis pelo golpe de 2016, mostram qual o fundo político que leva à cisão no campo da direita. A exemplo de críticas feitas a Donald Trump, Bolsonaro tem o que a burguesia considera um péssimo hábito, o de abrir a boca sem a perícia de um Rodrigo Maia para tal. E ao fazê-lo, entrega o jogo.

O País está sim, quebrado. As reservas internacionais, elencadas pelos “especialistas” da burguesia como um dos fatores para comprovar que a situação não é tão ruim, não são para o governo brasileiro mas para o imperialismo. Se lembrarmos do roubo do ouro venezuelano, não precisa muita imaginação para perceber este fato um tanto óbvio.

Ao mesmo tempo, o PIB se retrai como nunca em nossa história e a proporção dívida x PIB atinge níveis estratosféricos, só vistos em países imperialistas, que por sua condição, têm capacidade de roubar nações atrasadas para compensar o alto endividamento sem produzir uma crise inflacionária. Este não é o caso do Brasil.

Sendo uma das nações roubadas, à burguesia brasileira não sobra outra alternativa mas roubar a própria população do País, o que se materializa na histeria em torno das reformas. Isto porque não é possível, na atual etapa do capitalismo, conciliar minimamente os interesses da burguesia com os do restante da população.

Com a certeza de que a burguesia não irá se deter, não importa quantas “reformas” sejam realizadas, só há uma maneira possível para evitar que esse cenário tenebroso se materialize: a mobilização dos trabalhadores.

É preciso que as vanguardas da classe trabalhadora e dos movimentos populares se organizem para lutar pelo governo dos trabalhadores, de modo a acabar com o regime de interesses dedicados a atacar a população e mudar a condução política do País para garantir, pela força, a prevalência dos interesses populares, o que neste momento, envolve a luta pelo “fora Bolsonaro” e a unidade dos trabalhadores por Lula presidente.

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