Metalúrgicos de Caçapava
Não vai ser com ofício aos patrões, mas com a mobilização que os trabalhadores poderão impedir o desemprego em massa
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decisão de aswsembleia
Votação de assembleia em Caçapava | Foto: Reprodução

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, ligados à CSP/Conlutas, do PSTU, diante de uma situação em que a MWL, claramente quer demitir os trabalhadores sem pagar as verbas rescisórias, como solução para resolver a situação dos trabalhadores decidiu enviar uma carta à Mafersa, como alento à desocupação ocorrida em oito de outubro.

Na carta, como um grito de misericórdia e, o sindicato da Conlutas/PSTU, ao invés de impulsionar a mobilização dos trabalhadores, resolveu trocar a luta dos operários por implorar aos próprios patrões da Mafersa, que pouco se importam com a situação dos metalúrgicos.

A MWL tem uma dívida de alugueis atrasados que somam mais de R$ 11 milhões, o correspondente a mais de um ano e meio (18 meses). A MWL já entrou com pedido de recuperação judicial (modo atual de abrir falência) e desta forma, os trabalhadores estão sem salários, e correm o risco de serem, todos demitidos sem receber um único centavo de verbas rescisórias.

Apesar do sindicato

No dia oito de outubro, os trabalhadores resolveram ocupar as instalações da MWL e somente saíram da fábrica após ter ocorrido uma reunião com a direção da empresa, onde os patrões não ofereceram nada aos trabalhadores, mesmo assim, o sindicato do PSTU tomou a decisão de que os trabalhadores desocupassem a fábrica. Em todo o período que durou a reunião, os trabalhadores resistiram à pressão da polícia (órgão de repressão e de defesa dos interesses dos patrões) que queria a todo custo evacuar o prédio.

Os metalúrgicos, de forma acertada ocuparam e resistiram desde o início da manha até o início da tarde, no entanto acabaram saindo com uma mão na frente outra atrás, devido à capitulação do sindicato do PSTU.

Uma capitulação sem precedentes

Na última terça-feira (20) foi realizada uma negociação entre a direção do sindicato, a empresa e o Ministério Público do Trabalho (MPT), onde os representantes da MWL reafirmaram que não garantiriam nenhuma estabilidade aos trabalhadores, muito menos o pagamento das verbas rescisórias, caso os metalúrgicos sejam demitidos.

Segundo o comunicado em sua página na internet, o sindicato da Conlutas/PSTU, afirma que não houve acordo na audiência e que a reunião continuaria no dia seguinte, ou seja, quarta-feira (21).

Um dia antes da reunião, a direção do sindicato, que já havia jogado um balde de água fria nos trabalhadores que estavam dispostos a ir além da greve que começou no final do mês de setembro, que ocuparam a fábrica, resolveu apelar à Mafersa para que os trabalhadores continuem gerindo a MWL, como se os capitalistas, que exploram os trabalhadores até a última gota de sangue e que, somente após o pedido de recuperação judicial resolveu cobrar a dívida e rever o imóvel, do nada, vão entregar suas empresas aos trabalhadores. O sindicato do PSTU, para disfarçar sua política de traição, onde, diante de uma situação dada, em que os trabalhadores viram como o único caminho e agiram, ocupando as instalações da MWL, agora se deparam com a criação de uma ficção.

Essa política vem sendo a forma de agir do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Nesse ano, desde a pandemia do covid-19, a entrega dos direitos dos trabalhadores às exigências dos patrões vem se dando de forma constante e sem muito disfarce.

Vejamos algumas dessas situações

A maioria das empresas em que a direção do sindicato negociou a famigerada Medida Provisória 936/2020, foi aceitos acordos de rebaixamento dos salários. No entanto, sempre há uma desculpa para justificar a traição cometida contra os trabalhadores e, a desculpa inventada pela direção do sindicato do PSTU foi de que, tentamos… propusemos o não rebaixamento dos salários, mas os patrões foram intransigentes.

Uma das empresas que ocorreram tais negociações foi a Embraer (a Boeing ainda era dona da Embraer), após o acordo e a decisão do rebaixamento dos salários, os dirigentes, em comunicado postado no sitio do Sindimetalsjc disseram: “a MP 936 é insuficiente. O governo federal tem total condição de exigir que as empresas garantam o salário integral de todos os trabalhadores”. Ou seja, um cinismo tamanho, mostrando que a capitulação pode ir mais além, quando resolveram pedir socorro ao fascista Bolsonaro.

O mesmo Bolsonaro que está retirando todos os direitos dos trabalhadores, o próprio que criou a MP 936 que rebaixa salários, deixa aberto para que os patrões possam cortar a cabeça dos trabalhadores, demitindo-os e que, segundo a Conlutas/PSTU diz que é boa, mas insuficiente.

A mesma situação ocorreu quando, novamente a Embraer, se aproveitando da mesma MP 936 que não garantia nenhum emprego, veio demitir 900 trabalhadores e impor goela abaixo, mais 1600 através da demissão forçada pelas chefias, mentiram descaradamente de que haviam realizado assembleia presencial com os trabalhadores, para posteriormente dizer que iriam fazer assembleia virtual. Afirmaram que tinham aprovado a greve, o que nunca aconteceu. Quando a empresa reafirmou sua posição de não recuar das demissões e esses pelegos da direção do sindicato, ao invés de impulsionar uma mobilização, fazerem de fato uma greve, ocuparem as instalações da Embraer, o que fizerem foi enviar carta para todos os governos golpistas que se possa imaginar, ou seja, desde o fascista Bolsonaro, os golpistas do congresso, Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados, Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal, bem como, Doria do golpista PSDB, o prefeito de São José dos Campos, etc. e, depois de colocar os trabalhadores num barco furado, o que fizeram foi ampliá-lo, quando propôs aos trabalhadores de entrarem com processos individuais para resolverem os problemas de sua demissão. A atuação da CSP-Conlutas/PSTU é pior que os sindicalistas interventores do período da ditadura.

É preciso superar a direção do Sindicato do PSTU para que os trabalhadores possam impor uma derrota aos patrões que se utilizam da situação da crise que eles mesmo criaram e colocam os trabalhadores para pagarem a conta. Do contrário essa direção vai enterrar qualquer luta da categoria com as capitulações, as quais vêm se tornando o modus operandi da direção do sindicato.

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