A extrema-direita agradece
A deputada estadual Luciana Genro (PSOL-RS) publicou, no último dia 5, uma carta em defesa dos Brigadianos do Rio Grande do Sul, que atuam como policiais militares no estado.
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Brigadianos do Rio Grande do Sul. Foto: Divulgação |

No dia 5 de dezembro, na mesma semana em que aconteceu a chacina de Paraisópolis, a deputada estadual Luciana Genro publicou uma carta aberta dirigida aos agentes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul (BMRS), que cumpre, no estado, o mesmo papel que a Polícia Militar. Na carta, Genro faz um breve relato de seu histórico como parlamentar e defende explicitamente as demandas dos brigadianos:

Na greve dos Brigadianos gaúchos de 1997 estive, junto com o hoje vereador Roberto Robaina, apoiando aquele movimento histórico. Em Brasília, estive junto na luta pelo piso nacional para a categoria.

Depois disso, Luciana Genro explica que o governo do Rio Grande do Sul estaria prestes a aprovar um pacote de medidas contrárias aos interesses dos brigadianos:

O governo Eduardo Leite repete a mesma tentativa de Yeda e Sartori: colocar a culpa da crise nas costas dos trabalhadores, preservando os interesses dos grandes empresários, dos sonegadores e poupando o governo federal de nos pagar o que deve. O pacote do governo Leite atinge de forma cruel as patentes da base da Brigada Militar. São os soldados os que mais irão sofrer com as medidas. Eles irão perder salário ao longo da carreira. Todos irão perder com as mudanças na previdência e o aumento da contribuição.

A defesa da repressão

Ao sair em defesa dos brigadianos, o que Luciana Genro está fazendo é nada menos do que defender a repressão do Estado contra os trabalhadores. Lutar para que os brigadianos tenham um salário mais alto é o mesmo que lutar para que os brigadianos tenham melhores condições de trabalho – isto é, que se sintam mais motivados para cumprir as ordens que lhe são dadas.

Exigir melhores condições para os brigadianos é, portanto, fazer com que a máquina de repressão do Estado esteja funcionando perfeitamente. E essa máquina não é feita para reprimir o “crime”, como é dito pela imprensa burguesa, mas sim para reprimir as camadas mais desfavorecidas da sociedade burguesa: os trabalhadores.

O massacre de Paraisópolis e outros tantos

A Polícia Militar é um órgão do Estado para reprimir a população, o massacre de Paraisópolis foi mais uma demonstração para que serve a PM. Na madrugada do dia 1 de dezembro, policiais invadiram a favela paulista e espancaram nove jovens.

Paraisópolis não foi o único caso de massacre provocado pela PM – na verdade, isso acontece todos os dias. No Rio de Janeiro, mais de 1,6 mil pessoas foram assassinadas pela Polícia Militar – segundo as estatísticas oficiais. Em São Paulo, esse número já está quase em 700. Diariamente, a PM invade as periferias para aterrorizar o povo pobre e negro em todo o país, sendo que periodicamente protagoniza algum massacre, como os célebres casos de Carandiru e de Eldorado dos Carajás.

Trabalhadores ou agentes da repressão?

No fim de sua carta, Luciana Genro caracteriza os brigadianos como grandes “injustiçados”:

Não dá para exigir esse sacrifício dos Brigadianos, que estão nas ruas todos os dias combatendo o crime organizado e sujeitos à violência urbana. O que o governo Leite está propondo é uma injustiça para uma categoria que já trabalha muito e em condições precárias, com pouco efetivo. Uma categoria que está morrendo nas ruas, e que ainda terá seu salário rebaixado pelo governo.

Dizer que os brigadianos estão prestes a serem injustiçados, na atual etapa, é um verdadeiro escárnio contra toda a população pobre. Desde o golpe de Estado, a população como um todo está empobrecendo, sendo demitida, sofrendo com a inflação e, como se isso não fosse pouco, sendo estraçalhada pela PM, que aparece como principal expressão da violência do Estado.

Se há policiais sendo mortos nas ruas, há muito mais trabalhadores morrendo pela política do governo Bolsonaro e pelos próprios policiais. Os brigadianos, por fim, não combatem nenhum “crime”, mas sim, quando muito, as manifestações inevitáveis da falência geral causada pela política neoliberal.

Nada de “fazer média” com a extrema-direita!

A defesa criminosa da PM, que é inimiga da esmagadora maioria da população, não é uma política que deve ser levada adiante pela esquerda. Tal postura revela, na verdade, uma política oportunista, que não serve aos trabalhadores, mas tão unicamente aos setores mais carreiristas e pequeno-burgueses do regime político, que procuram angariar alguns votos da extrema-direita.

Ao invés de pedir voto para os inimigos do povo, é preciso exigir a dissolução da PM, o armamento da população e a criação de milícias populares. É preciso, portanto, avançar na luta contra a extrema-direita, transformando a revolta já latente contra o governo Bolsonaro em uma insurreição contra o regime político. Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

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