Após assassinato de liderança, pistoleiros continuam ameaçando famílias de Seringal São Domingos

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No dia 30 de março, moradores do Seringal São Domingos, no município de Lábreas no Amazonas foram atacados por pistoleiros. Esses jagunços contratados pelos latifundiários queimaram duas casas de famílias da região, atiraram contra elas e, nesse conflito, assassinaram a liderança Nemis Machado de Oliveira, de 50 anos, que ainda teve parte do corpo queimada. A imprensa local também noticia o assassinato de mais três pessoas.

Por conta disso, a Defensoria Pública do Estado do Acre realizou uma reunião em Rio Branco na última sexta-feira (5) com os moradores expulsos, os deputados federais Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e Alan Rick (DEM-AC), os membros da Defensoria Pública da União, o Ministério Público Federal e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), da Comissão Pastoral da Terra no Acre e outros representantes de movimentos sociais com a finalidade de apurar o ocorrido. O relatório da reunião indicou que já são 40 famílias que deixaram o local por conta dos pistoleiros e as remanescentes podem sofrer novos ataques.

Ainda na quinta-feira (4), as famílias do Projeto de Assentamento PAD Peixono, no Ramal Granada foram acuadas por seis homens armados que estavam a procura da liderança “Cocó” do Seringal que conseguiu escapar e se esconder.

Só nesses primeiros meses de 2019, já foram 10 assassinatos contabilizados pela Pastoral da Terra. Em 2018, foram registrados 28 mortes; em 2017, 71.

Para piorar, os latifundiários estão se sentindo à vontade para empregar seus jagunços agora que o INCRA está tomado por generais bolsonaristas ligados aos ruralistas. Para se ter uma noção o presidente do Incra, general João Carlos Jesus Corrêa, nomeou o coronel da reserva do Exército Marco Antônio dos Santos para a diretoria de Gestão Estratégica. Segundo a postagem no site “De olho nos ruralistas”, esse coronel publicou no blog “Resistência Militar” que o MST seria uma organização paramilitar comandada pelo “ex-presidente Luis (sic) Inácio Lula da Silva”  e que “as forças da lei e ordem terão que ser empregadas na totalidade de seus efetivos” para conter o caráter “paramilitar” do MST. Um posicionamento totalmente favorável aos latifundiários e contrário aos movimentos que lutam pela terra.

O governo produto de uma fraude eleitoral do presidente Jair Bolsonaro oficializa a repressão contra os movimentos sociais em benefício dos latifundiários e demais setores ligados ao capital internacional. O aval que Bolsonaro deu ao Exército pelo assassinato com 80 tiros do músico; o ataque ideológico à esquerda pelo Ministro da Educação, Weintraub, e pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; o pacote anti-crime do Ministro da Justiça Sérgio Moro que dá carta branca para a Polícia Militar continuar matando a população pobre e negra; os 115 militares que já ocupam os cargos de confiança nos ministérios do Presidente da República são exemplos claros de um governo formado para atacar a esquerda, os movimentos sociais e a população.

Para combater esse ataque generalizado, é urgente a mobilização popular. É necessário denunciar esse governo ditatorial e se organizar nos bairros, nos sindicatos, nos partidos em torno da palavra de ordem “Fora Bolsonaro e todos os golpistas” e intensificar o movimento popular nas ruas.