Mistério ou realidade?
Para dar sustentação à panaceia propagandeada, invariavelmente, teríamos de recorrer às bruxarias e coisas do tipo. Afinal, como seria possível uma redução nas contaminações?
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Manaus 06/05/2020 - Cenas dos leitos semi intensivos do hospital Platão Araujo sob responsabilidade do Governo de Manaus. Foto Jonne Roriz/Veja
Hospitais lotados por conta do novo coronavírus | Jonne Roriz

Considerando-se o que diz a direita e seus veículos de comunicação, se tivéssemos o objetivo de narrar a história do novo coronavírus no Brasil, essa história teria um caráter ficcional. Para dar sustentação à panaceia propagandeada, invariavelmente, teríamos de recorrer às bruxarias e coisas do tipo. Afinal, como seria possível uma redução nas contaminações e na taxa de óbitos em meio à abertura da economia?

Estaríamos dispostos a acreditar na mágica da completa falta de interesse político no combate à pandemia? Ao que se sabe, desde o início, o combate ao vírus foi apenas fictício, sem nenhuma ação efetiva. O que, então, fez a pandemia dar uma trégua ao destino insalubre das massas? Obviamente, não se trata de nenhuma magia ou esoterismo; mas de uma completa farsa para encobrir o descaso com a população. Passado o primeiro turno das eleições, os jornais burgueses, cumprida a tarefa de mistificar os casos da doença, saem em busca de um culpado para um aumento vertiginoso dos casos de covid-19. Segundo o Estadão, “as pessoas estão cansadas da epidemia e relaxando nas medidas de prevenção”, o que tem levado ao aumento nos casos de internação.

Para o epidemiologista Paulo Lotufo, da USP, o que há é uma retomada dos casos, o que, segundo ele, não significa uma segunda onda, mas um efeito rebote por conta da falta de cuidados das pessoas. Lotufo ainda critica a suspensão das aulas para as crianças. “Não faz sentido isso. Educação das crianças deveria ser prioridade. Precisamos encontrar um jeito. Mas o que fazemos é manter a escola fechada, o filho tendo aulas pelo Zoom, enquanto o pai sai para a academia, a mãe vai ao cabeleireiro”, – disse o infectologista.

De acordo com a doutora em microbiologia pela USP, Natália Pasternak, “a população está cansada da pandemia, o que leva a um risco maior pela redução dos controles”. Decerto, a população não está apenas cansada com a falta de compromisso dos governos no combate à pandemia, o povo precisa garantir o pão de cada dia. Ainda segundo Pasternak, “(…) temos também outro perfil de afetados neste, digamos, segundo pico da doença. Com menos óbitos, é verdade, mas é porque quem está se contaminando são os mais jovens. São pessoas que resistem mais às medidas de isolamento, gente que está saindo mais de casa e se protegendo menos. E teremos agora ainda um período de festas de fim de ano”.

José Gomes Temporão, médico e ex-ministro da Saúde, por sua vez, afirma que o país não está preparado para uma segunda onda de covid-19. “Definitivamente não! Não temos comando nem coordenação federal, cada estado e município toma decisões por conta própria sem qualquer tipo de apoio técnico-científico do Ministério da Saúde. As cenas de aglomerações vistas recentemente no Rio de Janeiro e outros locais mostram um lado preocupante de total falta de visão solidária e coletiva em defesa da vida”, – disse o médico quando indagado se o país está preparado para uma segunda onda. Ainda segundo Temporão, “continuamos testando pouco e sem um trabalho de fortalecimento do papel da atenção básica em detectar os sintomáticos, rastrear seus contatos e isolá-los”.

Já segundo o fundador e ex-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, ex-secretário municipal de Saúde de São Paulo, o país estava preparado, “mas desativou 65% do que cresceu e isso poderá, dependendo do calor da próxima onda, ser grave”. Quando indagado sobre o que poderíamos ter feito e não fizemos, Vecina Neto responde: “não ter exagerado na flexibilização como fizemos e inverter a prioridade – primeiro escolas e depois bares e restaurantes”.

Diante do aumento do número de casos de covid-19, fica claro que, além de um novo surto, a completa inépcia dos governos demonstrou uma completa falta de interesse em evitar uma catástrofe social, que, longe de vir de maneira espontânea, é o resultado da falta de política desde o início da pandemia. Bolsonaro, à saber, gastou apenas 30% da verba destinada à saúde. E, não obstante, esses passos foram copiosamente seguidos pelos governadores e prefeitos de norte a sul do Brasil. É preciso que os governos tenham uma política de combate ao novo coronavírus. Demais, é mister garantir que as pessoas possam ficar em casa, garantir leitos para os enfermos e equipamentos de proteção para os profissionais de saúde. É preciso lançar mão de uma verdadeira campanha de guerra contra a pandemia – o que só pode ser arrancado dos governos genocidas por meio de uma ampla mobilização popular.

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