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Antifascismo de fachada

Após apoiar MDB “contra Bolsonaro”, PT vai apoiar Bolsonaro

Um cretinismo parlamentar vendido como "pragmatismo político"

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Rodrigo Pacheco (DEM) – Jefferson Ruddy/ Agência Senado

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Os seis senadores do Partido dos Trabalhadores (PT) declararam apoio a Rodrigo Pacheco, do DEM, para a presidência do Senado. Conforme divulgado nesta segunda (11) em nota oficial o objetivo é “assegurar a independência do Senado” e “superar a gravíssima crise que o País atravessa”.

Assinada pelos senadores Rogério Carvalho e Jaques Wagner, que lideram a bancada do PT na Casa, a nota é uma espécie de reaproveitamento do texto e dos argumentos utilizados pelos deputados do Partido, que há pouco tempo decidiram apoiar o sucessor de Rodrigo Maia (DEM) para a presidência da Câmara, o deputado Baleia Rossi (MDB) e juntaram-se ao bloco golpista (DEM, PSDB, MDB, PSL, REDE, Cidadania, PV, PDT e PSB) na Câmara.

Isto cria um enorme problema para os parlamentares da esquerda. Pois, se na Câmara a justificativa de apoiar o setor fundamental dos golpistas era a de se opor a Bolsonaro, no Senado, os parlamentares do PT terão que inventar outra desculpa, dado que Pacheco, que é sucessor do atual presidente Davi Alcolumbre (DEM), é o candidato de ninguém mais ninguém menos que o próprio Bolsonaro!

Na tarde desta terça (12), a imprensa burguesa divulgara que Pacheco e o DEM já contam com o apoio, além do PT, de PSD, Pros, Republicanos, PSC, PL, totalizando sete legendas, que somam 32 senadores e 39% dos votos no Senado. Vale lembrar que esses partidos da direita, estão infestados de elementos bolsonaristas, da extrema direita. Não é por acaso que o Republicanos é o partido do senador fascista Flávio Bolsonaro, filho do presidente ilegítimo. Bem como que o PSC é o partido do ex-governador fascista Wilson Witzel. O que desmente completamente a farsa da “luta contra o fascismo”.

Contudo, durante o debate sobre quem o PT deveria apoiar na Câmara, o argumento da “luta contra o fascismo” foi utilizado como um imperativo político para impedir a crítica aos parlamentares, que mesmo sendo do partido que foi derrubado pelo golpe de Estado de 2016, apoiaram os partidos e elementos destacados na organização do próprio golpe!

Era preciso apoiar Baleia Rossi (MDB) pela independência da Câmara diante de Bolsonaro. Agora no Senado é preciso apoiar Rodrigo Pacheco, candidato de Bolsonaro, para defender a independência do Senado diante de Bolsonaro?

Contra Bolsonaro, votar em Bolsonaro

Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE) – o “vira folha” das páginas amarelas da Veja, que disse que era “preciso virar a página do golpe” [de Estado de 2016] – em depoimento à Revista Fórum, nesta terça (12):

“Rodrigo Pacheco (DEM-MG) pode até ter o apoio do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), no entanto, ele não tem ‘qualquer compromisso com essas posições estapafúrdias do presidente da República que ameaçam permanentemente a liberdade e a democracia no nosso país’, garantiu.”

Se o povo brasileiro for depender da garantia do senador Humberto Costa, é melhor abandonar a política, dado que essa posição é completamente irracional. De que vale a garantia do senador? O trabalhador vai virar a página do aumento de 37% da carne com a garantia do senador? Ou vai reverter as demissões do Banco do Brasil e sua privatização com essa mesma garantia de uma aliança supostamente segura com mais um candidato da direita golpista, desta vez até apoiado por Bolsonaro?

Mas para justificar o suicídio político que está em curso pelas mãos dos senadores petistas, mais absurdos, dado que o senador continuou que:

“…o PT se definiu no Senado pelo apoio à candidatura de Rodrigo Pacheco por entender que, nesse momento, a principal questão em jogo no nosso país é a preservação da liberdade, da democracia, o respeito à Constituição e a possibilidade de nós barrarmos quaisquer tentativas de Bolsonaro e seus apoiadores de conduzirem o Brasil para uma ditadura.”

Segundo o senador da ala direita do PT, Bolsonaro seria o único defensor de ditadura no Brasil, os partidos que o colocaram lá, como o próprio DEM, que provém diretamente da ditadura militar de 64, seriam democráticos. Será mesmo que o senador quer utilizar aqueles que implantaram a ditadura militar no Brasil para impedir a “ditadura de Bolsonaro”?

Nada indica que Bolsonaro tenha esse poder. Pelo contrário! Se dependesse da vontade e da ideologia fascista de Bolsonaro, já haveria uma ditadura fascista no País. Quem impediu que isso ocorresse não foram as instituições da democracia burguesa, como o Congresso. Muito menos os partidos de direita, como o DEM, que o senador petista quer apoiar, que chancelaram tudo que Bolsonaro foi colocado para fazer, como a reforma da previdência, por exemplo. O que impede que ocorra uma nova ditadura militar no País é o risco que a mobilização popular, latente, oferece ao regime, que não consegue sair da crise.

Mas, para Costa, o Congresso é o grande bastião da luta contra o fascismo e o candidato de Bolsonaro será o garantidor de que não haja ditadura no País:

“…nessa articulação [com a direita], nessa composição [com os bolsonaristas], nós teremos condições de desenvolver um trabalho mais aprofundado, mais intenso de oposição ao governo Bolsonaro”.

Na mesma linha do pernambucano, o senador gaúcho Paulo Paim (PT), disse que em nenhum momento Pacheco:

“…falou sobre Bolsonaro. Falou na importância de defender as liberdades, a democracia e a Constituição”… Quando o indagamos, ele disse ter compromisso com a pauta racial e os direitos humanos. Colocou-se como candidato independente que tem o apoio do Davi. Pelo (prestígio) que o Davi conquistou no Senado, Pacheco é muito favorito no pleito.”

Ou seja, Pacheco não é só um democrata. É também um democrata preocupado com as minorias e os direitos humanos, segundo o senador Paim. A grande questão é onde estava todo esse ímpeto democrático quando o então deputado Pacheco votou a favor do impeachment da presidenta Dilma Roussef em 2016?

Em 2016, quando era deputado federal pelo PMDB, Rodrigo Pacheco votou a favor do impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, justificando seu voto “em juristas da OAB”, que apoiaram o golpe.

Enquanto os senadores do PT fazem um malabarismo retórico que desafia a lógica, a imprensa burguesa esclarece a lógica. Segundo ela, o presidente do Senado, Alcolumbre, está se aproximando do governo federal em busca de um ministério. O apoio de Bolsonaro a Pacheco, neste sentido, é um indício de que as negociações vão muito bem e inclusive agora foram legitimadas pelo apoio do PT ao demista, uma desmoralização completa.

Apêndice dos golpistas e revolta interna

Essa postura suicida, no entanto, apesar de unanimidade na bancada do PT no Senado, teve expressiva resistência na Câmara, expressa sobretudo pela deputada Natália Bonavides (PT-RN), que denunciou e alertou que o apoio ao candidato de Maia era um apoio ao que há de mais reacionário e anti-popular no Congresso. O que fez com que a bancada do PT na Câmara, de 52 deputados, fosse dividida entre 27 favoráveis a Baleia e outros 23 que defenderam lançar uma candidatura própria do PT.

Este episódio grotesco, protagonizado pelos senadores do PT, mostra que sua política de conciliação com setores da burguesia não está baseada em nenhum princípio de luta contra o fascismo, nem nada. Trata-se de uma postura de reproduzir, à imagem e semelhança da burguesia e da direita, o “toma lá, dá cá”, através de um cretinismo parlamentar vendido como “pragmatismo político”. Ato inclusive, que foi elogiado pelo próprio golpista mor Michel Temer (MDB), que classificou a aliança como um “fenômeno da democracia atual”, ou seja, do regime golpista.

Inequivocamente, é uma traição aos trabalhadores, que fica escancarada quando se vê que o PT, tanto na Câmara quanto no Senado, está apoiando os candidatos de sucessão tanto de Maia, quanto de Alcolumbre. Elementos que foram lideranças no golpe de Estado e que serviram como base tanto do governo Temer, quanto do governo Bolsonaro. O que fica claro no fato de Baleia Rossi e Rodrigo Pacheco terem sido parlamentares apoiadores ativos do golpe de Estado de 2016, da derrubada de Dilma (PT) e da fraude eleitoral de 2018, que impediu Lula e elegeu Bolsonaro. Com isso, a esquerda parlamentar, sob o argumento farsesco da independência do Congresso, torna-se um apêndice de tudo o que há de pior no Parlamento e caminha para sustentar Bolsonaro até 2022.

Como já anunciou o expoente da ala direita do PT, o ex-governador e ex-ministro Tarso Genro, em sua carta ao governador de São Paulo, onde implorou que o fascista João Doria (PSDB) “lidere a oposição contra Bolsonaro em 2022”. O próximo passo da traição da frente ampla aos trabalhadores é a esquerda fazer campanha para a substituição do governo golpista atual por um elemento da direita golpista, que tenha ainda maior poder para aplicar o programa da burguesia, que o “poderoso” Bolsonaro tem tido dificuldade para implementar.

Um “antifascismo” de fachada, que é um caminho para o fascismo de verdade.

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