“Apologia à violência”: Boulos quer combater Bolsonaro com os métodos e instituições da burguesia

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O candidato do PSOL à presidência da República, Guilherme Boulos, publicou em sua página no Facebook, no último dia 02/09, a defesa da condenação do também candidato Jair Bolsonaro, por “apologia à violência”.

Em sua postagem na íntegra, Boulos declarou que “Bolsonaro ameaçou fuzilar opositores ontem no Acre. Em qualquer democracia esse cretino estaria preso por apologia à violência, não concorrendo à presidente da República”.

A postagem faz referência à passagem do aloprado candidato da extrema-direita por Rio Branco. Em cima de um carro de som, Bolsonaro se utilizou de um tripé de camera e imitando um fuzilamento, afirmou em discurso que “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre, hein? Vamos botar esses picaretas pra correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela, hein, galera. Vão ter que comer é capim mesmo”.

Como se vê, para Boulos a extrema direita deve ser “combatida” pelo seu criador. Embora não deixe de ser uma profunda ilusão no Estado burguês, o “comitê central da burguesia”, assim se referiu um político não tão ingênuo como o nosso esquerdista pequeno-burguês, a declaração traz no seu conteúdo uma afirmação que todos os militantes que se reivindicam revolucionários e até mesmo democratas deveriam repudiar.

Ao defender o papel de árbitro do Estado burguês, o candidato “esquerdista” avaliza o direito do Estado repressor a se imiscuir em todos os conflitos de classe. Se o argumento da “apologia à violência” vale para Bolsonaro, por que seria inválido, para uma greve de trabalhadores, por exemplo, que supere os “limites aceitáveis”, de acordo com o estabelecido pela ultra-reacionária justiça brasileira?

Boulos, com sua defesa da moral e dos bons costumes na política incorre em duas capitulações. A primeira diante do próprio Estado burguês, que se utiliza justamente das recriminações morais dos nossos esquerdistas contra a direita, para impor uma política de restrição cada vez maior as já praticamente inexistentes liberdades democráticas contra a própria esquerda, como o direito à livre manifestação das opiniões.

A segunda capitulação é diante da própria extrema-direita, pois ao invés de ter uma política de enfrentamento nas ruas contra a escória fascista, corre para pedir ajuda ao pais da escória, que, quando é do seu interesse, enjaula seus cachorros loucos, para utilizá-los em momento oportuno contra o movimento operário.