Política burguesa
O PT joga um dos únicos méritos do parlamentarismo fora, que é esclarecer a população; por um cargo, se integra a frente ampla e confunde todos seus militantes, eleitores e a popul
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Uma política de confusão, que coloca golpistas e golpeados lado a lado | Foto: Reprodução

No dia 18/12, uma sexta-feira, a bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados decidiu compor o bloco do golpista formado por Rodrigo Maia (DEM) para concorrer à presidência da câmara nas eleições internas que se sucedem esse ano. A bloco concorrente é representado por Arthur Lira (PP), que é ligado diretamente ao presidente ilegítimo Jair Bolsonaro. O bloco de Maia nesse momento é composto por PT, PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania, PV, PC do B e Rede; uma concreta frente ampla. Já o bloco de Lira compõe PP, PL, PSD, Republicanos, Solidariedade, PTB, Pros, PSC, Avante e Patriota. O bloco de Maia se coloca como uma “oposição” ao bloco de Lira, ligado diretamente ao Bolsonaro, mas pelo menos PSL, MDB, PSB, PSDB, DEM, PDT, Cidadania e Rede, cerca de 80% do bloco, conciliam abertamente e escancaradamente com o Bolsonaro, sem contar que o próprio PSL é o partido que serviu de trampolim e um agrupado de forças de extrema-direita fascistas para que Bolsonaro ganhasse as eleições fraudulentas de 2018. Além de toda inconsistência do bloco e toda contradição, a escolha do PT se deu antes que o próprio bloco golpista definisse seu nome, que posteriormente foi indicado para ser Baleia Rossi, do MDB, uma figura próxima de Michel Temer, o homem que assumiu no regime golpista após derrubar Dilma e que votou “por Deus, pela família” a favor do golpe de Estado. Rossi também votou com Bolsonaro 90% das vezes. 

Um dos principais méritos do parlamentarismo, que possui poucos méritos, é quando ele trabalha no sentido do esclarecimento da população e na organização da sua mobilização em torno dos interesses e das reinvindicações comuns a toda classe trabalhadora. Isto é, o parlamentarismo na medida em ele trata, que formalmente coloca essas questões de interesse dos trabalhadores, ela passa a entender quem são seus inimigos políticos e o que está em jogo e o que não está em jogo no regime da burguesia e como funciona esse regime. A atividade de uma esquerda popular que quer transformar o regime em prol dos trabalhadores seria de utilizar cada momento, cada votação, para mostrar para população, que veem o funcionamento desse parlamento mesmo que de longe, como se estabelece a dominação do regime sobre as massas. Que no caso do Brasil é um estabelecimento ditatorial. Isso, para a esquerda, não tem importância. 

Para o PT – e aquilo vale ressaltar que no restante da esquerda é uma concepção muito mais atrasada – nada disso é importante. O que importa, no caso desses parlamentares, é o jogo miúdo dentro do parlamento, não sendo relevante, considerado, lavado em conta minimamente o desenvolvimento das massas oprimidas fora do parlamento. O que a população está vendo ou deixando de ver não tem importância. É uma concepção burguesa e direitista da política. Passa longe de ser uma política popular. Uma política minimamente popular passaria por educar o povo com cada coisa que acontece dentro do parlamento. Mas o que interessa essa política? 

Essa política que o PT e a esquerda apresentam na câmara tem um interesse muito claro: um cargo. Nesse momento ganho de cargo no Congresso é, no mínimo, ridículo. Mostra que os deputados do PT estão desesperados por uma fresca, um espaço, um pedacinho de sol no regime político. O que, exceto em interesses pessoais em exclusos, não tem a mínima importância. Embora o fundamento seja esse carreirismo raso, o que mais importa nessa capitulação é a mensagem para os apoiadores do PT, seus militantes, seus eleitores, as pessoas que acompanham a luta contra o golpe de Estado, tanto o povo em geral. 

A mensagem desse ato é extremamente negativa.  

Se aliar ao bloco de Maia, do DEM, é apagar o prontuário desse grupo que deu o golpe. Basicamente, o que está dito é que os golpistas e os que tomaram o golpe são todos iguais. Que o golpe de Estado que modificou completamente o regime, que está expulsando a esquerda da política, não tem importância, que o problema agora é o Bolsonaro e que perto do Bolsonaro eles seriam “democráticos”. Toda uma conversa que não faz o menor sentido e confunde toda uma grande parcela da população que busca uma saída fora dos golpistas que exploram os trabalhadores e desferem sistematicamente duros golpes, dia após dia. Essa aliança do PT está ajudando a lançar, preparando um terreno, um candidato da direita tradicional em 2022. 

E esse candidato da direita – deve-se deixar claro – é o candidato do imperialismo. Do golpe de Estado. Que derrubou o próprio PT do governo.  Passa longe de ser uma candidato da “democracia”, será o candidato da destruição do País. É uma política que prepara o “plano Biden brasileiro”, que é lançar um candidato da direita golpista, deixar a esquerda totalmente a reboque desse candidato, e lançá-lo contra uma figura grotesca como Bolsonaro e apresentar o “Biden brasileiro”, que ainda está indefinido, como “o antifascista”, tal qual fizeram com Biden; o que é uma coisa aberrante, já que o próprio Biden financia o fascismo mundo a fora.  

O fascismo e a democracia são duas facetas que a burguesia usa de acordo com a sua conveniência. E a burguesia pode usar tanto o Bolsonaro como o Baleia Rossi para controlar a situação, sendo ambos candidatos a cabeça visível de um regime fascista no País. E o Baleia Rossi, como todo bloco de Maia, é muito mais perigoso que Bolsonaro, pela sua ligação mais profunda com o imperialismo.  

A base dessa campanha de confusão é uma pequena-burguesia que no auge de uma histeria, de um desespero ao ver a face mais visível do golpe, que é Bolsonaro, apoia sem questionamentos os “democráticos” como Rossi e Maia. Mesmo que, isso é o mais característico, esse grupo não tenha dado nenhuma demonstração de que ele seria mais democrático que Bolsonaro e, ainda mais, sendo esse grupo a base de apoio do Bolsonaro em todas as suas atrocidades e, ainda pior, coordenando a política do próprio Bolsonaro para ser uma política mais dura contra as massas oprimidas. Finalmente, foram eles que deram o golpe de 2016 e colocado Michel Temer, e hoje sustentam Bolsonaro.  

Do ponto de vista do Congresso, não significa nada, apenas um cargo. Do ponto de vista político, é extremamente negativo, um retrocesso político da esquerda. Representou a maior integração do PT a frente ampla. E, via-de-regra, esse é o processo político para o PT desistir da sua candidatura, do Lula, e ficar totalmente a reboque da burguesia golpista. Estamos fechando o ano, dia 26 de dezembro, como uma grande inclinação da esquerda a frente ampla. A direita dentro dos partidos de esquerda está tomando cada vez mais espaço, está perdendo sua fisionomia, o PT está integrado em um bloco golpista. A burguesia, com sua política, fez que a esquerda esquecesse o golpe e apoiasse os golpista, em nome de um inimigo que nada mais é do que uma expressão dessa mesma direita. 

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