Apoiadores do plano B queimaram a largada, Lula ainda é o candidato e é preciso defendê-lo

manu_haddad

Há algum tempo foi relatado em um artigo escrito para este diário, que a eleição ideal para o Brasil, expressa por um dos porta-vozes do golpe, Merval Pereira, seria a que fosse “polarizada” entre dois candidatos do campo golpista. De um lado um candidato da “centro-direita”, leia-se o candidato preferencial dos “donos do golpe, Geraldo Alckmin” e um da “centro-esquerda”, representado pelo abutre Ciro Gomes. Uma candidatura que cumpriria o papel de legitimar o golpe.

A campanha da Globo rapidamente encontrou eco entre setores da esquerda, alguns, aliás, já vinham se manifestando nesse sentido, com o chamado a “virar a página do golpe”, como defendeu o senador de Pernambuco e ex-governador daquele Estado, Humberto Costa, nas páginas amarelas da Veja, uma das revistas mais asquerosas do país, que vomita diuturnamente calúnias contra PT, Lula e a esquerda.

Com o chamado da Globo pelo Plano B, o assanhamento eleitoral se generalizou. O primeiro a se travestir em cabo eleitoral do monopólio dos Marinho, foi o PCdoB. De mala e cuia o Partido abraçou o “novo esquerdista” Ciro Gomes, inclusive deixando evidente que a candidatura de Manoela D’Avila não passava de uma barganha política no jogo eleitoral.

Mas no meio do caminho do mundo ideal eleitoral da frente esquerdo-golpista tinha uma pedra chamada Lula, que, junto com a maioria do seu partido não arredou pé do Lula candidato, pois eleição sem Lula é uma fraude.

Com a firme decisão de Lula e da direção do PT, tudo voltou à estaca zero. Melhor, começou a expressar todo o seu conteúdo a palavra de ordem “Eleição sem Lula é fraude”, para desespero dos golpistas e da sua venal imprensa, pois, afinal, o que será do presidente eleito caso o PT não participe das eleições e a denuncie como fraudulentas?

Finalmente, às vésperas do dia 15 de agosto, na hora do “vamos ver”, quando existe a espectativa real de deslocamento de dezenas de milhares de apoiadores de Lula para a capital com o intuito de garantir a inscrição de sua candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral, aquela mesma Rede Globo através dos defensores do “Plano B”, do “virar a página do golpe”, agora todos travestidos de lulistas pressionam a direção do PT justamente a adotar uma fórmula que traz para o centro do debate político a substituição da candidatura Lula por um “Plano B”, com o lançamento de dois candidatos a vice-presidência..

O primeiro “Plano B” com Ciro Gomes fracassou. O abutre Ciro está mais para um cachorrinho que caiu de um caminhão de mudanças. E a versão requentada, agora com Haddad e Manoela? Uma coisa deve ser dita, assim como na sua primeira versão, novamente queimaram a largada. Dar a candidatura de Lula como “favas contadas” é um prato cheio para os golpistas e a sua imprensa, mas trás um sério problema para os setores mais conscientes do PT e da própria esquerda e mesmo na população que enxerga o golpe de um ponto de vista das suas consequências práticas e vê em Lula a derrota de tudo de ruim que está acontecendo.

A candidatura Lula não é um mero problema eleitoral. Lula sintetiza a Luta contra o golpe de um ponto de vista da luta de classes. É por isso que sua candidatura é real. O “Plano B” é arremedo. É levar a luta contra o golpe para o campo do adversário. Por isso é preciso defender incondicionalmente a candidatura de Lula. Todos os setores conscientes da luta contra o golpe têm de cerrar fileiras por um ato com dezenas de milhares de pessoas em Brasilia no próximo dia 15.

Eleição sem Lula é fraude! É Lula ou nada!