Apesar de Bolsonaro, Brasil vai ao festival de Berlim com “Marighella” e onze outros filmes
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Apesar de Bolsonaro, Brasil vai ao festival de Berlim com “Marighella” e onze outros filmes
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Anunciada na última semana, relação de filmes brasileiros que estarão presentes no Festival de Berlim, chama atenção pelos temas políticos.

O Festival de Berlim, criado em 1951,  orbita entre um dos mais importantes eventos do cinema internacional. Esse ano, o Brasil será representado por 12 filmes no Festival.

O que chama a atenção são os temas políticos por eles abordados, enquanto vivemos um regime com contornos muito claros de ditadura fascista.

Dentre os títulos, podemos destacar alguns: “Greta” (romance LGBT), “Chão” (documentário sobre a luta dos trabalhadores do MST por direito à terra), “Espero tua (Re)Volta” (retrata as lutas estudantis de 2015, quando várias escolas foram ocupadas), “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar” (fala da exploração do capitalismo sobre trabalhadores de uma fábrica no interior de Pernambuco) e a cinebiografia “Marighella” dirigida pelo ator Wagner Moura.

Todos esses títulos, que remetem às lutas que se travam no cenário político brasileiro, prometem trazer à tona temas que o atual regime golpista tenta sufocar com suas censuras e repressões.

O mais esperado, com certeza, será a apresentação do último aqui citado: “Marighella”.

Trata-se de uma cinebiografia de Carlos Marighella, político e guerrilheiro brasileiro, adaptada a partir do livro “Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo“, de Mário Magalhães.

Espera-se que o filme conte a história real de Marighella em sua luta contra a ditadura brasileira de 64 até sua morte, assassinado numa emboscada da direita, usando as forças de repressão do estado, em 1969.

Dirigido pelo ator e agora cineasta, Wagner Moura, em seu primeiro trabalho como diretor, o filme está sendo muito aguardado por todos aqueles que esperam ver retratado nas telas dos cinemas o heroísmo e a coragem do negro comunista, nascido em Salvador, que fundou a ALN (Aliança Libertadora Nacional) para lutar contra a ditadura militar brasileira.

O filme é encarado como uma dura crítica ao regime de cerceamento das liberdades individuais e coletivas impostas durante o período da ditadura militar e pode, por extensão ser apreendido como uma crítica ao atual governo, que de maneira anti democrática, chegou ao poder por um acúmulo de manobras golpistas.

A derrubada de Dilma Rousseff sem crime, a perseguição política e prisão do ex presidente Lula, o assassinato de lideranças políticas e de movimentos populares, como aconteceu com Marielle Franco (PSOL-RJ) e com dezenas de membros do MST, os ataques constantes à população por meio do judiciário, do legislativo e do executivo, colocam o Brasil atual num cenário muito parecido com o de 64.

Embora o longa tenha enorme relevância para o ambiente político atual, “Marighella” não irá concorrer à premiação “Urso de Ouro”, conferida pelo festival. Será apenas apresentado. Mas com grandes chances de protesto por parte do diretor e equipe.

No Brasil, a estreia do filme está agendada para 18 de abril.