Siga o DCO nas redes sociais

Uma política ilusória e reacio
Apenas voto pode evitar chacinas como a de Paraisópolis?
Jornalista da Folha, quer que população vítima do massacre da direita acredite nas eleições como “solução”
paraisopolis
Uma política ilusória e reacio
Apenas voto pode evitar chacinas como a de Paraisópolis?
Jornalista da Folha, quer que população vítima do massacre da direita acredite nas eleições como “solução”
Jovens assassinados na última chacina da PM paulista
paraisopolis
Jovens assassinados na última chacina da PM paulista

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo intitulado “apenas o voto pode evitar tragédias como a de Paraisópolis“, o jornalista Luiz Fernando Azevedo, o “Dodô Azevedo”, ao tratar da chacina promovida pela Polícia Militar do Estado de Sõ Paulo que levou à morte de jovens jovens entre 14 e 23 anos de idade, depois de uma emboscada contra um baile funk com mais de 5 mil pessoas, na madrugada do último domingo, responde à pergunta por ele mesmo formulada sobre “como, então, impedir estas tragédias?”, com uma simples e curta frase “com o voto”.Indo mais longe, o jornalista, o jornalista ainda se arrisca a ensinar e dar como exemplo a própria comunidade onde ocorreu a chacina e afirma em sua matéria que “só em Paraisópolis vivem 100 mil pessoas. Assumindo que 50 mil são eleitores aptos a votar, e que este número de votos elege um vereador, alguém que de fato os represente na câmara, que possa combater esta necropolítica, pode-se também concluir que três comunidades pobres de SP, se unidas, podem eleger um deputado estadual. Até mesmo e um federal”.

“Dodô” atua como quem tivesse “descoberto a pólvora”, encontrado uma solução mágica para uma situação, como ele mesmo admite atinge locais como o Complexo do Alemão e Costa Barros, (ambos no Rio de Janeiro) e “uma fila sem fim de casos pelo Brasil e pelas décadas de nossa história que envolvem policiais militares”.Sejamos mais explícitos. Só no ano passado a PM matou em todo o País, apenas segundo dados oficiais, mais de 5.100 pessoas. São mais de 50 mil mortos em apenas 10 anos. Um verdadeira guerra contra a população trabalhadora, em sua maioria pobre, negra e jovem executados pela ação criminosa dessa máquina de guerra e terror contra o povo pobre que é a Polícia Militar.O jornalista, desconsiderando essa situação e o fato de que estamos na vigência de um regime golpista em que não só o governo ilegítimo de Bolsonaro, mas também os governos estaduais, como o de Dória (PSDB-SP) e Witzel (PSC-RJ) etc., fazem aberta campanha a favor da matança da população pobre e negra na periferia das grandes cidades; com comemoração, premiação e estímulo aos executores de jovens, negros e pobres, quase sempre apresentados como “criminosos”, “bandidos”, “suspeitos”, “provocadores” etc.

Propõe uma “solução” já testada e reprovada. Há mais de 130 anos, a imensa maioria da população vota, escolhe “representantes”, com vínculos ou não com as comunidades, porque é claro que todos os partidos e políticos burgueses e profissionais da enganação do povo há mais d num século buscam se apresentar como defensores dos interesses do povo, às vezes utilizando-se de cabos eleitorais e candidatos manipulados da própria comunidade, para depois servirem no governo e no parlamento aos interesses dos capitalistas que são os verdadeiros donos de seus mandatos, votando leis que interessam ao patrões, apoiando a repressão policial contra o povo etc. etc.

Essa política é ainda mais enganosa no momento em que todo o processo eleitoral, como se viu nas últimas eleições está totalmente dominado por esquemas golpistas que visam alijar da participação política os trabalhadores, suas organizações e representantes. Ou não foi na última eleição presidencial que o candidato apoiado pela imensa maioria da população pobre, trabalhadora, negra, pelos sindicatos e organizações populares condenado em um processo totalmente fraudulento, preso e impedido de participar do processo eleitoral como candidato ou até mesmo de fazer campanha para o candidato reserva do seu partido.

Dodô ignora até mesmo o fato de que mesmo os eleitos com algum vínculo com essas comunidades, estiveram e estão sob intensa ameaça e perseguição dessa máquina de guerra e sob su Amira, como se viu no caso da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro e tantas outras lideranças populares mortas nos últimos anos.

E, absurdamente, chega a repetir a polícia de boa parte da esquerda burguesa e pequeno burguesa de responsabilizar as próprias vítimas pelos governos reacionários que se impuseram ao povo, por meio de fraudes, manipulações etc. afirmando, por exemplo que “nas últimas eleições, Paraisópolis elegeu, para legislativo e executivo, do prefeito ao presidente, candidatos que defendiam uma política que tem como consequência prática o extermínio da população de comunidades como a própria Paraisópolis”. Segundo ele, o mesmo aconteceu com os eleitores  das demais comunidades pobre de todo o País e foi isso, o “voto errado” do povo, que “deu no que deu. Em um ano de mandato, nas duas cidades, não cessam de serem batidos os recordes de assassinatos de pretos e pobres, com envolvimento da polícia militar, anuência do legislativo e judiciário e o aplauso da opinião pública conservadora”.

A população pobre do País que elegeu um ex-operário nordestino para a presidência da República e que por quatro vezes consecutivas votou na esquerda para governar o País teria, segundo o autor e a direita, retrocedido e resolvido apoiar seus algozes.

Uma falsificação total da realidade, quando se sabe que o candidato da direita teve o apoio (que ja perdeu) de apenas um terço do eleitorado, diante do fato de que o candidato apoiado pelo povo estava atrás das grades e impedido de participar das eleições.

A proposta de Dodô, que repete a saída apresentada por muitos setores da esquerda, representa também o abandono de qualquer perspectiva de mobilização, de luta, de enfrentamento real com os responsáveis pelo genocídio de Paraisópolis de todo o País.

Significa que o povo pobre, negro, trabalhador deveria abrir mão da única força que gerou mudanças efetivas na vida do povo explorados, desde Zumbi dos Palmares até os dias atuais, a força da luta organizada, com os métodos de luta próprios dos explorados (que não são o voto na urna), como a mobilização revolucionária nas ruas, nos locais de trabalho e de moradia, inclusive, para se organizar e se defender do massacre que vem sendo realizado.

Vai ser a mobilização nas ruas e os comitês de autodefesa dos trabalhadores que vão parar o massacre e não as campanhas eleitorais dominadas pela direita.

Defender que o voto pode barrar essa ofensiva é iludir e desarmar os trabalhadores e permitir que a matança prossiga.

Foi assim no “tempo do império”, quando a escravidão foi derrotada pela luta revolucionária dos negros e pela mobilização dos defensores dos direitos democráticos do povo, e não pelo voto.

Foi assim em todos os momentos decisivos da luta do povo brasileiro.

Agora, diante do regime de golpe de Estado, mais do que nunca precisa ser pela mobilização e pela luta, pelo Fora Bolsonaro e todos os governo golpistas , junto com outras reivindicações concretas para barrar a ofensiva como é o caso dia dissolução da Polícia Militar de todo o aparato repressivo.