Apartheid continua: latifundiários brancos são condenados por assassinato de jovem negro na África do Sul

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No país com um passado marcado pelo regime do apartheid, o julgamento do assassinato covarde de um adolescente negro terminou com a condenação dos autores, dois fazendeiros brancos, no Tribunal de Mahikeng, capital da província de North West, na África do Sul, na última quarta-feira (dia 6). Pieter Doorewaard, de 28 anos, e Philip Schutte, 35 anos, foram sentenciados a 18 e 23 anos deprisão, respectivamente, pelo sequestro e assassinato de Matlhomola Mosweu, de 15 anos, suspeito de roubar girassóis.

O pai da vítima, Sakie Dingake, disse que ficou desapontado com o veredicto. “Eu esperava uma sentença de mais de 30 anos de prisão”, disse ele à AFP.

Em 2017, a dupla surpreendeu o adolescente, roubando plantas de girassol perto da cidade de Coligny (noroeste). Sob o pretexto de levá-lo à delegacia, os homens conduziram Mosweu num carro, de onde foi empurrado. Com a queda, o jovem teria quebrado o pescoço, o que o levou à morte. O crime gerou revolta na região, com manifestações e pilhagens de lojas de comerciantes brancos em Coligny.

A situação expõe a verdadeira relação de forças que ainda persiste no país, mesmo com o fim formal do regime de segregação racial, dado sob uma política conciliatória, para evitar uma revolução.

Detentores grande parte das riquezas e com uma influência desproporcional nas decisões políticas, a elite branca latifundiária é responsável por frequentes ataques de conotação racista, principalmente nas áreas rurais, elevando e as tensões raciais na África Sul onde a emancipação dos negros, maioria do País, só pode vir de uma mobilização revolucionária que exproprie a burguesia branca e racista e imponha um verdadeiro governo operário, de maioria negra.