“Malabarismo eleitoreiro”
Depois de apoiar o golpe de Estado fascista contra o PT em 2016, o PSTU segue a política burguesa de apoiar a frente ampla.
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PSTU pedindo "Fora Todos" quando a burguesia colocou em marcha o golpe contra o PT | Reprodução

O PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados) declarou através do seu sítio oficial o apoio à candidatura de Guilherme Boulos (PSOL) no segundo turno das eleições municipais de 2020 à prefeitura de São Paulo. Na matéria intitulada “Contra Covas e Doria, PSTU-SP declara voto crítico em Boulos 50 no 2° turno” o partido declara: “Neste 2º turno, chamamos a votar criticamente em Boulos para derrotar Covas e Doria (PSDB).”

Em primeiro lugar, ao declarar votos em Boulos, o PSTU entra em contradição com o próprio posicionamento do partido na ocasião em que foi anunciada a candidatura do PSOL, que tem como candidata a vice-prefeita, a ex-prefeita do PT, Luíza Erundina. Na ocasião o partido publicou a matéria: “POLÊMICA: Nem revolução nem solidária” e declarou:

“Só é possível enfrentar essas mazelas com uma poderosa luta de classes contra a exploração, travada pelos trabalhadores e pelo povo pobre organizados. Hoje, no Brasil, isso significa uma luta de resistência aos ataques do governo Bolsonaro e da burguesia. A “revolução solidária” de Boulos não toca nesse “pequeno” problema.”

Ou seja, na ocasião em que o partido preparava a campanha da sua candidata à prefeitura de São Paulo, a socióloga Vera Lúcia, ficou claro o questionamento à postura demagógica da candidatura do PSOL, que não fala em mobilizar os trabalhadores para derrotar Bolsonaro e a burguesia, mas numa solidariedade vaga, que perfeitamente se encaixa com os objetivos da burguesia e dos seus partidos. O PSTU declarou ainda:

“Contudo, políticos conscientes como Boulos sabem perfeitamente que no capitalismo as boas ações individuais não podem nem sequer mudar os valores burgueses da sociedade, muito menos configuram uma revolução. Portanto, como dissemos no início, temos todo o direito de dizer que a utilização desse slogan e dessas ações assistencialistas não passa de pura demagogia para ganhar votos.”

Ao longo da campanha, o que já era ruim, ficou ainda pior. Como o próprio PSTU afirma em sua matéria de apoio ao candidato, Boulos desfilou na campanha um repertório de propostas e posicionamentos que não deixa para trás o próprio PSDB e outros partidos burgueses que governam São Paulo há décadas. O partido reconhece que “sob pressão da grande mídia e dos capitalistas, Boulos já abandonou a proposta de aumentar o IPTU para os ricos. Apesar de dizer que vai combater os “esquemas”, Boulos não deixou nítido se vai pôr fim às creches conveniadas.” Na verdade, Boulos afirmou categoricamente que vai manter a “parceria” com as creches conveniadas, o que significa manter a privatização do ensino público promovido pelo PSDB.

“Sobre os transportes públicos, Boulos coincide com Covas em se recusar a defender a estatização do sistema de transportes e a reconstrução da CMTC, única fórmula para pôr fim à máfia dos transportes”, afirma a matéria. O partido também lembra que “Já tivemos a gestão Erundina que esmagou a greve dos condutores da CMTC em 1992 com 475 demissões.”

E por fim, o partido resume o programa de Boulos:

“Seu programa se limita a defender uma melhor gestão do orçamento sem qualquer medida de ruptura com a dívida pública com a União ou com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que só servem para encher os bolsos dos banqueiros. Defende, nesse sentido, um tipo de governo semelhante aos do PT, que geriram durante tantos anos o capitalismo brasileiro, em aliança com a burguesia brasileira e parte de seus partidos.”

Reconhecendo que a candidatura de Boulos e Erundina são uma candidatura que conta com o apoio da burguesia e se opõe à emancipação dos trabalhadores, o PSTU faz um “malabarismo” para declarar o apoio a Boulos no segundo turno:

“Neste 2º turno, chamamos a votar criticamente em Boulos para derrotar Covas e Doria (PSDB). Não temos acordo  com os objetivos estratégicos, nem com o projeto, programa e política atual de Boulos e do PSOL. Por isso, o chamado ao voto na sua candidatura não implica em apoio ao seu futuro governo, caso seja eleito.”

Aqui fica evidente a posição do PSTU de apoiar Boulos no segundo turno entra em completa contradição com as próprias afirmações do partido a respeito do Boulos, Erundina e o PSOL. Se o objetivo do PSTU é “derrotar” Covas com uma política burguesa qualquer, bastava ter apoiado a candidatura de Márcio França (PSB) ou o próprio Boulos já no primeiro turno, uma vez que era evidente que a candidata do PSTU não teria qualquer chance de ir para o segundo turno nas eleições mais antidemocráticas desde o fim da ditadura militar.

A posição do PSTU fica ainda mais confusa quando o partido decide não apoiar Marília Arraes do PT no segundo turno em Recife, contra o candidato do partido de situação, o PSB de João Campos, utilizando argumentos que perfeitamente poderiam ser utilizados contra Boulos. Veja a declaração no artigo “PSTU chama voto nulo no segundo turno das eleições em Recife (PE)”:

“Portanto, nós do PSTU, não vamos chamar aqueles que votaram em nós e principalmente não vamos chamar a nossa classe a confiar em quem está junto com PSB há anos aplicando essa política de falta de emprego, moradia, saneamento, sucateamento da saúde e educação e desvalorização dos professores. O Recife é a capital da desigualdade, e PT e PSB são responsáveis porque governaram juntos esta cidade por anos.”

Ou seja, o PSTU denúncia o PT por fazer parte do governo do PSB, um partido burguês, em Pernambuco e por isso não apoiará o PT. Entretanto, o mesmo PSB (que participou do governo Alckmin do PSDB em São Paulo durante duas gestões) decidiu apoiar Boulos em São Paulo, assim como o próprio PSTU.

Ao não apoiar Marília Arraes do PT em Recife, por motivos que igualmente poderiam ser utilizados para não apoiar Boulos em São Paulo, o PSTU demonstra uma enorme incoerência em sua política que só pode ser explicada por sua trajetória de servilismo à pequena-burguesia “bem pensante” que leva a sério jornais golpistas como a “Folha de S. Paulo”. Não à toa o PSTU apoiou o golpe contra a presidenta Dilma Roussef do PT, com argumentos “esquerdistas”, mas num total servilismo à burguesia que levou adiante uma campanha fascista para retirar o PT do governo e acabou levando Michel Temer e depois, Jair Bolsonaro à presidência.

Assim o apoio do PSTU a Boulos é apenas e tão somente uma demonstração de que o PSTU não vê problema algum em apoiar a conciliação de classes, de estar ao lado de políticos burgueses do PSB, do PDT de Ciro Gomes e da Rede de Marina Silva desde que tenha o aval da própria burguesia.

Nesse sentido não haveria diferença em apoiar Boulos a apoiar outros candidatos do PT ou mesmo o governo Lula e Dilma, que o PSTU dizia ser oposição de “esquerda”. A diferença está no fato de que a própria burguesia golpista vê com “bons olhos” Boulos, como a revelação eleitoral do ano (Revista Veja, Folha de S. Paulo etc), ao contrário do que acontece com o PT, que segue sendo atacado e perseguido pela burguesia.

Dessa forma, o apoio a Boulos é tão somente o apoio à frente ampla defendida pela burguesia para tirar o PT e Lula da liderança da esquerda substituindo por uma esquerda “bem comportada”, sem base social nos trabalhadores e suas organizações e portanto, mais sucetível ainda ao programa e as manobras da burguesia para atacar os trabalhadores.

O apoio do PSTU a Boulos demonstra mais uma vez, para aqueles que ainda tem alguma dúvida, de que esse partido não é revolucionário, nem trotskista, mas um partido pequeno-burguês oportunista que segue o “senso comum” desse setor na busca por um “lugar ao sol” no regime eleitoral  golpista. O que no caso do PSTU, significa nesse momento se tornar um apêndice da frente ampla.

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