Remédio bolivariano
Ao lado de uma eficiente política de combate à pandemia do coronavírus, o governo de Nicolás Maduro também se coloca na vanguarda do tratamento da doença
maduro e carvativir
Nicolás Maduro apresentando o medicamento Carvativir | Foto: reprodução YouTube
maduro e carvativir
Nicolás Maduro apresentando o medicamento Carvativir | Foto: reprodução YouTube

Neste último domingo, dia 24, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, fez o anúncio de um novo remédio, o Carvativir, que segundo ele é um poderoso antiviral, capaz de neutralizar 100% dos sintomas do coronavírus.

Ainda segundo o anúncio de Maduro, o Carvativir, mais conhecido como as “gotas milagrosas do doutor José Gregorio Hernández”, foi desenvolvido por cientistas venezuelanos, e foi estudado e testado ao longo de nove meses, aplicado em doentes em estado muito grave, entubados e correndo risco de vida e também em outros pacientes em estado mais moderado e em outros sem sintomas. Estes estudos foram feitos especialmente em dois hospitais, o Hospital de Coche e aquele instalado no Poliedro de Caracas, um complexo esportivo que, em agosto do ano passado, foi transformado em hospital de campanha com capacidade para 1200 pessoas.

Maduro fez o anúncio no dia em que o medicamento teve o recebimento da patente nacional e internacional e a autorização sanitária oficial.

A aplicação do Carvativir é feita com doses de 10 gotas debaixo da língua a cada 4 horas. Os nomes dos criadores do medicamento estão sendo mantidos em segredo, para protegê-los de possíveis ameaças.

“Esta semana tenho uma reunião com todas as autoridades sanitárias do país e vamos estabelecer um sistema de distribuição direta para que todos os Centros de Diagnóstico Integral, todos os hospitais e todos os ambulatórios tenham o Carvativir. É um medicamento totalmente inofensivo. Não tem nenhum tipo de efeito colateral. Poderíamos dizer, nenhum negativo. Ele mostrou uma eficácia tremenda. Será incorporado ao kit de medicamentos que estão sendo usados para o combate ao coronavírus”, disse Maduro.

Ainda nessa ocasião, o presidente venezuelano anunciou que o país receberá 10 milhões de doses da vacina russa Sputnik V e que está negociando a aquisição de outras vacinas, e que pretende fazer a vacinação em massa no mês de abril.

O anúncio foi feito por Nicolás Maduro em seu programa semanal, onde ele faz um balanço da situação da pandemia do covid-19 na Venezuela.

O combate ao coronavírus na Venezuela

A política de combate à pandemia do coronavírus na Venezuela tem sido, desde o início, uma das mais eficientes do continente americano. É possível constatar isso vendo que até agora são apenas 123.709 casos da doença, com um total de 1.148 mortes em todo o país. Foram registradas apenas seis mortes nas últimas 24 horas (dados do dia 25 de janeiro de 2020). O número de pessoas que se recuperaram da doença é de 115.426, ou seja, de 93,3% do total de casos, um índice muito alto.

Tudo isso é devido a todo um conjunto de medidas tomadas pelo governo desde o anúncio dos primeiros casos da doença divulgados pelo governo chinês.

Esta política de combate ao coronavírus passou pelo fortalecimento da ALBA, a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, um tratado de cooperação internacional que reúne Venezuela, Cuba, Nicarágua e mais Antígua e Barbuda, Dominica e São Vicente e Granadinas.

Anteriormente esse bloco incluía também a Bolívia e Equador, mas estes se retiraram após os golpes de estado em Evo Morales e Rafael Correa. Na pandemia Cuba enviou medicamentos e quase 30.000 médicos para atuar na Venezuela em troca do abastecimento de petróleo. Há ainda a colaboração científica entre estes países, que têm possibilitado a eles um alívio em relação ao bloqueio imposto pelo imperialismo, especialmente dos Estados Unidos.

Desde a tomada do poder pela Revolução Bolivariana o governo venezuelano se apoia nas Comunas Socialistas, um dos pilares do poder popular que sustenta o governo de Nicolás Maduro. São mais de 3.230 comunas espalhadas por todo o território venezuelano, organizações populares com gestão dos trabalhadores, em um sistema democrático e direto, que gerencia empresas mantidas por estes trabalhadores e cujos lucros excedentes são revertidos para a comunidade.

Logo no início da pandemia, após Maduro decretar uma quarentena coletiva, as comunas fabricaram 2 milhões de máscaras de proteção, que foram distribuídas para a população, especialmente para aqueles dos grupos de risco, idosos e com problemas respiratórios.

Na Venezuela os primeiros infectados apareceram no dia 13 de março, duas pessoas residentes no estado de Miranda que regressaram de uma viagem à Europa e aos Estados Unidos. O governo venezuelano tomou medidas imediatas para conter o avanço da doença. No país a saúde é responsabilidade integral do estado. Com a atuação dos médicos venezuelanos, acrescido dos cubanos, o governo pode atender à demanda de atendimentos a todas as regiões do país, especialmente as mais pobres e remotas, através do programa Misiones Sociales.

Deve-se destacar também que apenas até o mês de julho, já haviam sido aplicados mais de 1,4 milhões de testes, um número impressionante para um país de cerca de 32 milhões de habitantes e que está há muito tempo sofrendo com o bloqueio dos países imperialistas.

Um acordo com o governo chinês, em março, possibilitou aos venezuelanos receber ventiladores, tomógrafos, desfibriladores e máscaras, além de 500 mil testes rápidos, num total de 22 toneladas de insumos médico-hospitalares. Ao lado destas medidas Maduro decretou que nenhum trabalhador fosse demitido durante o ano, diante das dificuldades impostas pela doença e mais a suspensão do pagamento de aluguéis, além de instituir uma política de proteção social através dos Comitês Locais de Abastecimento e Proteção (CLAPs), garantindo assim o fornecimento de cestas básicas a mais de sete milhões de famílias.

Em janeiro deste ano Maduro voltou a implantar a quarentena radical e o método 7 + 7, que é manter uma semana de quarentena radical e depois sete dias de relaxamento parcial. Com isso o governo mantém o número de infecções em baixa.

Bloqueio econômico

Por todas estas ações podemos constatar que o governo da Venezuela adotou inúmeras medidas realmente eficazes para o enfrentamento da pandemia, ao contrário do Brasil, onde o governo federal e os estaduais e municipais se abstiveram de qualquer medida prática que envolvesse gastar dinheiro. A única medida vista foi o isolamento social, uma medida que só foi seguida por uma pequena parcela da classe média e que não envolvia uso de dinheiro. Como vimos, dinheiro só para os capitalistas. Logo no início da pandemia, o governo federal deu mais de um trilhão de reais para salvar os banqueiros privados.

A colaboração de Venezuela e Cuba, dentro da ALBA, fez com que mesmo sob o criminoso bloqueio e sanções do imperialismo, eles pudessem fazer o combate ao vírus, desenvolver medicamentos e vacinas e continuar cuidando de sua maior riqueza, o seu povo.

A Venezuela, mesmo com toda sua escassez de recursos, não teve dúvidas e socorreu o seu vizinho golpista, o Brasil, quando aconteceu o problema com a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, que chegaram a um estágio de colapso completo pelo total descontrole da doença. No dia 19, terça-feira, o governo da Venezuela abasteceu Manaus com cinco carretas com mais de 100 mil metros cúbicos da substância vital.

Tudo isso só pode ser creditado a um governo cuja base é verdadeiramente popular. Somente com o apoio de associações de moradores e trabalhadores, o governo venezuelano é capaz de, mesmo nas piores situações, ser capaz de enfrentar uma praga que está devastando todos os países mais avançados do capitalismo.

Os Estados Unidos, mesmo com todo seu poderio capitalista, são incapazes de lidar com o covid-19, incapaz de desenvolver uma vacina eficiente e aplicá-la a todos os seus cidadãos. A situação no país é de caos, com centenas de milhares de mortos e sem perspectivas no horizonte. Assim age o capitalismo, onde inúmeros laboratórios farmacêuticos se empenham em uma luta ferrenha para desenvolver sua própria vacina, sem colaboração com outros laboratórios ou outros cientistas. A corrida é apenas pelo lucro e pelo poder. A pandemia desnudou de modo implacável que o capitalismo tem seus dias contados.

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