Disputa entre golpistas
A crise do bloco golpista se manifesta na disputa pela prefeitura do Rio de Janeiro, de um lado a direita tradicional, com Paes, e do outro a extrema direita, com Crivella
Crivella
Prefeito do rio Marcelo Crivella, ligado a Rede Record e a Bolsonaro. | Foto: Reprodução
Crivella
Prefeito do rio Marcelo Crivella, ligado a Rede Record e a Bolsonaro. | Foto: Reprodução

Recentemente a Rede Globo lançou mais um ataque ao seu rival político, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, bispo da Igreja Universal ligado a emissora Record e aliado de Bolsonaro. As matérias lançadas atacavam a milicia fascista do prefeito conhecida como “guardiões do Crivella” que realizou durante toda a pandemia uma vigília em frente aos hospitais para impedir que a imprensa e a população denunciassem a calamidade da saúde na cidade. Contudo a Globo nunca foi contra o fascismo e sempre escondeu a realidade sobre o Covid-19, fica evidente que os ataques à Crivella tem um claro político.

A cidade e o estado do Rio de Janeiro, possivelmente mais importante do país depois de São Paulo, estão sofrendo uma enorme crise econômica desde o golpe de Estado de 2016. A miséria vem crescendo a passos largos e tudo se intensificou com o covid-19 e a crise do capitalismo internacional, o que por sua vez intensificou mais ainda a crise política. Agora disputa de diferentes setores da burguesia pelo Rio se manifesta nas eleições municipais, de um lado a extrema direita ligada a Bolsonaro e de outro a direita tradicional ligada à Globo e ao DEM.

A crise política é intensa, a maior parte dos governadores do Estado pois ditadura sofreram processos jurídicos e até foram presos, o que é claramente uma manifestação da disputa política interna da burguesia. O mais recente foi o ex governador Witzel que foi eleito pela fraude de 2018 em aliança a Bolsonaro e que caiu, sob suas ordens, por passar a ser seu rival e portanto perder sua única base. Apesar de o vice Cláudio Castro que assumiu se alinhar ao presidente, a Rede Globo tentou cooptá-lo o enchendo de elogios e alegando que ele iria para o DEM, ou seja, para a direita tradicional, contudo a manobra aparentemente não funcionou.

As eleições se aproximam e os candidatos da burguesia serão além de Crivella, Eduardo Paes, ex prefeito da cidade agora no DEM, o candidato da frente ampla que portanto tem apoio de certos setores da esquerda. A disputa é intensa e Crivella passa a ser atacado constantemente pela Rede Globo que quer eleger Paes de qualquer forma, porém o outro lado também ataca. Recentemente Bolsonaro censurou a emissora a partir de uma juíza que proibiu que a globo divulgasse documentos do caso “rachadinha” de Flávio Bolsonaro, censurar a maior emissora de TV do país revela que a crise no estado é enorme.

Enquanto o bloco golpista esta dividido e ocupado em se atacar a esquerda perde completamente a oportunidade de se beneficiar. Ao invés de assumir uma postura combativa de mobilização que aparece ao povo como uma real saída para a crise a esquerda se subordina a ala “democrática” da burguesia com base na frente ampla. A renuncia de Marcelo Freixo do PSOL escancara essa política, ele que é o candidato da esquerda carioca com o maior número de votos e que estava caminhando para fazer uma aliança eleitoral com o PT renunciou a candidatura em favor da frente ampla.

Agora a esquerda, ao invés de aproveitar a crise do bloco golpista e mobilizar o povo tanto para as eleições quanto para a luta das ruas, assume uma postura eleitoreira e extremamente direitista com um PM sendo candidato a vice-prefeito pelo PSOL. A classe trabalhadora precisa ter uma política independente da burguesia, as organizações populares ao invés de fazer frentes com a direita devem organizar uma frente única de esquerda de mobilizações contra o golpe, pelo fora Bolsonaro em defesa da candidatura de Lula.

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