Antifascista de temporada
No dia 4 de fevereiro duas figuras importantes do Democratas (DEM) foram à Folha de São Paulo defender o apoio a Bolsonaro em 2022.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Essa semana ACM Neto, presidente do Democratas e ex-prefeito de Salvador, e o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) foram até a Folha de São Paulo explicar o recente rebuliço no partido em razão das eleições na Câmara dos Deputados. Neto foi propriamente para falar das eleições de 2022 e deixou bem claro que o partido se encaminha para apoiar Bolsonaro. Ambos os figurões descartaram o apoio a Doria.

O episódio das eleições na câmara serve como prévia para as eleições de 2022. O “centrão” usou a esquerda para pressionar a ala bolsonarista, a manobra acabou não dando certo, mas quem realmente saiu prejudicado foi a esquerda. Para apoiar Baleia Rossi (MDB-MG) a esquerda teve que fazer uma prestidigitação para enganar sua base e evitar uma briga interna sem muito sucesso. O apoio aos golpistas foi muito mal recebido pela esquerda.

Já a direita, mesmo considerando o drama envolvendo Rodrigo Maia (DEM-RJ), atual presidente da Câmara, conseguiu sair como vencedora da situação. O episódio envolvendo Maia não passou de uma briga interna para saber quem seria a ala dominante.

Semana passada o ex-presidente Fernando Henrique-Cardoso declarou que se o centrão não se decidisse em torno de um candidato, o bloco iria apoiar a reeleição de Bolsonaro, porém ao que tudo indica o caminho já está mais ou menos escolhido.

Neto deu uma entrevista para a Folha no último dia 3 dizendo que o partido está com o presidente, que o partido não é oposição ao governo e chegou a dizer que “Esse assunto de eleição do Congresso será página virada em pouco tempo.”. Essa explicação que a dita divisão entre os blocos progressistas e Bolsonaristas dentro da direita não passa de um mero teatro. Há dois blocos com interesses divergentes obviamente, porém, estão mais entrelaçados do que separados. Essa briga que ocorreu por causa da presidência na câmara não vai afetar profundamente a relação desses partidos.

A esquerda por outro lado se desmoralizou completamente ao apoiar um candidato golpista. Ao defender esse apoio sem nenhum ganho para a luta contra Bolsonaro e a luta contra o golpe, a esquerda colocou todo um setor da base indisposto contra as lideranças. No final de contar a direita pulou do barco e deixou a esquerda afundar com Baleia.

O DEM que era vendido como partido democrata, progressista que se opunha a Bolsonaro declarou apoio ao presidente. Ronaldo Caiado que foi um dos governadores “científicos” que teoricamente se opunha à política de Bolsonaro, tal qual Doria diz se opor no momento, agora diz que embora algumas farpas trocadas, seu apoio sempre foi ao presidente que, segundo o mesmo, condiz mais com seu eleitorado.

No dia seguinte da entrevista de Neto na Folha o órgão de imprensa publicou uma matéria assinalando que o mesmo era cotado para ser vice de Bolsonaro em 2022.

Nesse momento a burguesia não consegue ter um consentimento sobre quem colocar no lugar de Bolsonaro. A ala carioca do DEM, representada por Rodrigo Maia e Eduardo Paes, ligada mais diretamente ao grupo Globo, estava mais disposta a apoiar Luciano Huck, o que gerou um certo atrito entre Paes e Doria, que pretende se lançar de 2022. Tanto Paes como Maia já declararam diversas vezes que vão cooperar com Bolsonaro e não acham que seja o melhor momento para um impeachment.

A briga entre Doria e Bolsonaro tem validade até as eleições de 2022, se a direita de conjunto não achar uma alternativa ao atual presidente é mais do que provável que o governador de São Paulo apoie o presidente e tire do armário a fantasia de Bolsodória.

As posições e declarações do DEM são muito importantes para sentir o clima político. O partido é um dos mais tradicionais e direitistas da política nacional, é esperado dada a largada de apoio ao presidente os demais partidos sigam o mesmo caminho, ainda mais após o resultado favorável ao presidente dentro da Câmara e do Senado.

A tão aclamada Frente Ampla, no final de contas, não passa de uma justificativa para os setores mais ligados à burguesia dentro da esquerda, isso é, os parlamentares, pressionarem o partido de conjunto a apoiar a direita em troca de cargos e pequenos favores. Para a esquerda não há nada a ganhar nesse tipo de aliança. Quando os setores da burguesia que se dizem contra Bolsonaro quiserem pressionar o governo, eles vão usar a esquerda e criar um clima de luta, quando sentirem que a coisa pode sair de mão ou a manobra não for efetiva, abandonam o navio deixando a esquerda à deriva.

A esquerda deve ter um programa independente da direita, não pode confundir a população e se deixar ser associada a nomes como Rodrigo Maia, Doria ou Baleia Rossi. Não pode depender da burguesia para puxar as palavras de ordem e controlar, segundo suas necessidades, o clima de luta contra o Bolsonaro.

Neste momento, manter-se independente significa ter um programa de luta contra os golpistas de conjunto. Passa pela defesa intransigente dos direitos democráticos de Lula e pela luta por sua candidatura em 2022. Essa campanha deve ser feita nas ruas e nos sindicatos, passando por cima de toda direção que procure uma saída centrista com a burguesia.

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