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A burguesia não derrubará Bolsonaro enquanto não estiver certa de que conseguirá colocar alguém em seu lugar
Presidente Jair Bolsonaro participa da solenidade de Ações de Graça, acompanhado pela Michelle Bolsonaro, Vice-presidente Hamilton Mourão, ministro Braga Netto e ministros e líder religiosos cristãos, no Palácio do Planalto. Sérgio Lima/Poder360 16.12.2020
Jair Bolsonaro | Foto: poder360
Presidente Jair Bolsonaro participa da solenidade de Ações de Graça, acompanhado pela Michelle Bolsonaro, Vice-presidente Hamilton Mourão, ministro Braga Netto e ministros e líder religiosos cristãos, no Palácio do Planalto. Sérgio Lima/Poder360 16.12.2020
Jair Bolsonaro | Foto: poder360

As discussões sobre um possível impeachment vem sendo cada dia mais recorrente na imprensa. Para os leigos a possibilidade de um impeachment já é praticamente um fato. Porém para aqueles que acompanham a política brasileira deveria ficar claro que a burguesia ainda não se decidiu sobre o tema.

A burguesia não estaria mudando de ideia quanto a Bolsonaro, é fato que ela nunca viu em Bolsonaro sua primeira escolha, porém, diante dos setores decrépitos do centrão e de uma ameaça do tamanho de Lula e do seu substituto, Haddad, teve que abraçar o candidato Bolsonaro, uma escolha do baixo clero da burguesia, da pequena-burguesia histérica e dos mais atrasados politicamente da classe operária.

Depois de apoiar Bolsonaro, abandoná-lo no meio do caminho significa desestabilizar o regime político e pôr em risco o golpe de Estado. Tirar Bolsonaro não é uma operação impossível, porém deve ser feita com cautela e com a certeza de que em seu lugar entrará alguém que seja capaz de estabilizar o regime político, levar adiante as ambições neoliberais da burguesia imperialista e agradar pelo menos boa parte dos setores burgueses.

Há muitas estratégias sendo consideradas pela burguesia, que não pode se dar o luxo de partir para uma decisão apressada diante da instabilidade política nacional. Por outro lado, a esquerda pequeno-burguesa observa a situação como mera protagonista. Os governadores, os parlamentares, os setores incrustados nas instituições em geral pressionam os partidos para formar-se uma Frente Ampla da esquerda com a burguesia, onda a esquerda deixaria de ser um mero observador para ser a escada na qual pisará a burguesia para derrubar Bolsonaro.

As instituições são controladas pela burguesia que deixou bem claro que não derrubará Bolsonaro enquanto não estiver certa de que conseguirá colocar alguém em seu lugar.

“Se ficar entre Bolsonaro e o PT em 2022, a chance de reeleição é grande”, disse FHC para a revista Valor, já colocando as cartas na mesa: Bolsonaro seria o candidato da direita novamente caso dispute contra o PT a eleição de 2022

 

Não dá para esperar até 2022 para tirar Bolsonaro

Mesmo sendo chefe de um governo improvisado, com uma série de contradições internas, Bolsonaro está disposto a continuar os ataques contra a população pelos próximos anos. Bolsonaro foi “presenteado” pelo imperialismo com a Presidência da República justamente para entregar todo o patrimônio nacional aos capitalistas.

Quatro anos a mais de governo Bolsonaro é simplesmente algo insustentável para os trabalhadores e para a população em geral. É necessário, portanto, intervir imediatamente para que Bolsonaro não consiga completar seu mandato.

Além de precarizar ainda mais as condições de vida da população, a permanência de Bolsonaro no poder deverá levar a um aprofundamento do regime político golpista. Se hoje o Brasil vive uma ditadura com aparência democrática, a tendência é que Bolsonaro encaminhe o País cada vez mais para uma ditadura escancarada e controlada pelas Forças Armadas.

Se o regime político golpista se aprofundar, é provável, inclusive, que as eleições de 2022 sejam simplesmente canceladas. Desse modo, qualquer organização política que traça como palavra de ordem central as eleições de 2022 estará cavando a própria cova e a de toda a população.

 

Assista a análise política da semana e se aprofunde no tema

Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, analisa esse tema e os principais acontecimentos políticos da semana de um ponto de vista marxista na análise política da semana, que acontece no canal do Youtube da Causa Operária TV todos os sábados, às 11h30.

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