Eleições na Venezuela
Eleições na Venezuela marcam a retomada do parlamento pelas forças chavistas e representam uma vitória institucional do atual governo nacionalista e anti-imperialista
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analiseInternacional
Análise Internacional com Rui Costa Pimenta | Toda sexta-feira às 14h na COTV.

Em mais uma Análise Internacional, tradicional programa da COTV, o presidente do PCO Rui Costa Pimenta comentou as eleições ocorridas na Venezuela. Como de costume, Rui Pimenta também respondeu a perguntas da audiência. Abaixo um resumo do programa que pode ser acompanhado clicando aqui.

Começando o balanço das últimas eleições parlamentares na Venezuela, Rui lembrou que a oposição ligada a Juan Guaidó e outros setores decidiu não participar das eleições, o que teve como consequência uma eleição muito tranquila. Alguns setores da esquerda venezuelana concorreram, como o Partido Comunista que obteve algo em torno de 3% dos votos e diversos outros partidos concorreram. O chavismo teve quase 70% dos votos.

Portanto, essa eleição marca a retomada da Assembleia Nacional pelo chavismo. É uma vitória política das forças anti-imperialistas e significa uma retomada da situação delicada em que estava o chavismo – quando perdeu as eleições anteriores do parlamento para a oposição. Portanto é uma superação do ponto de vista institucional dessa crise.

Ao analisar o boicote da direita às eleições para a Assembleia Nacional, o presidente do PCO afirma que, neste momento, nada indica que essa atitude da oposição seja parte de uma ação golpista imediata. O que não significa, é evidente, que essa situação não possa mudar. Depende da política interna dos Estados Unidos e de outros fatores.

Rui também citou que 15 países condenaram as eleições, bem menos que os 50 países apoiadores da farsa imperialista que sustentavam o golpista Guaidó como presidente do país meses atrás.

Outra questão importante apontada na análise de Rui foi que nesta eleição não houve a participação de representantes internacionais. Rui explicou que todo país tem o direito de não permitir que organizações de fora estejam presentes nas eleições. Isto é ainda mais justificado no caso da Venezuela, onde anteriormente já houve interferência direta nas eleições por parte desses organismos. Pimenta lembrou o caso da OEA que participou diretamente da fraude eleitoral e do golpe na Bolívia nas eleições que deram a vitória a Evo Morales recentemente.

Sobre a pressão do imperialismo sobre o país latino-americano, Rui afirmou: “A Venezuela sofre um duro embarco comercial dos países imperialistas. Esse embargo comercial tem como objetivo desorganizar completamente a economia venezuelana e criar as condições para uma mobilização, ainda que restrita, contra o governo da Venezuela, coisa que o imperialismo não tem conseguido por enquanto”.

Sobre os fatores que levaram a oposição a se abster do pleito parlamentar, foi afirmado que, primeiramente, eles tinham certeza da derrota, também que a oposição está muito desorganizada e desmoralizada em função das últimas ações que foram realizadas. “A operação Guaidó foi totalmente desmoralizante, as tentativas de invasão de país e a falta de perspectiva geral levaram a uma situação de confusão no interior da oposição imperialista”, disse Rui.

Sobre a falsa luta entre democracia e ditadura, a esquerda, em diversos momentos onde há necessidade de adotar uma posição, se confunde e revela a total falta de senso político. “Uma boa parte da esquerda brasileira e internacional não consegue, de forma nenhuma, entender que o que está em jogo na Venezuela não é a luta pela democracia ou a ditadura, o que em si só já é algo bastante abstrato. O que está em jogo na Venezuela é uma luta entre a população venezuelana e o imperialismo”, afirmou Rui. Essa confusão levou a que vários setores da esquerda, juntamente com o imperialismo e o Bolsonaro, condenassem as eleições na Venezuela. Isso representa uma falta de perspectiva política muito grande.

Pimenta lembrou o posicionamento correto dos partidos revolucionários que é estar sempre ao lado de um país oprimido – independentemente do caráter do seu governo – quando do outro lado da luta está o imperialismo. Outro fato lembrado por Rui diz respeito à necessidade, imposta pela direita imperialista no Brasil, aos pseudo-esquerdistas que precisam dizer que na Venezuela não há democracia para assim poderem ter acesso ao clube dos amigos do imperialismo no país. Dentro do PSOL e do PT várias figuras destacadas já renegaram a Venezuela, Rui lembrou da ida de Gleisi Hoffman à última posse do presidente venezuelano que gerou críticas de várias pessoas da esquerda, inclusive do próprio PT. Também Guilherme Boulos já afirmou que nem Venezuela nem Cuba são “modelos de democracia”. Segundo Rui, o que deveria ser dito por Boulos era que os dois países “defendem os interesses de seus povos muito melhor do que o governo brasileiro e a direita nacional e, certamente, é preciso ficar do lado deles diante da ofensiva imperialista”.

É praticamente inevitável a possibilidade de uma nova tentativa de golpe ou de uma intervenção militar estrangeira, ou por meio de mercenários e outros recursos semelhantes contra a Venezuela. O governo Biden já deu inúmeras declarações no sentido de que vai endurecer o jogo com a Venezuela. Isso é uma característica chave da política norte-americana. Se os norte-americanos até hoje não conseguem tolerar, numa ilha do tamanho de Cuba, um governo que não se submeta diretamente ao seu controle, que dirá num país como a Venezuela que é muito mais rico do que Cuba, um dos países mais ricos de petróleo de todo o mundo”.

A pergunta “O chavismo estaria em um impasse entre a revolução e a capitulação?” foi respondida por Rui da seguinte forma:
“Do ponto de vista geral, sim. O chavismo procura realizar algo irrealizável: manter-se no poder no marco do capitalismo levando adiante uma política que não é a política oficial do imperialismo mundial. Uma coisa bastante complexa e inviável. A solução do problema seria expropriar a burguesia, estabelecer um governo operário, acabar com todos os pontos de apoio do imperialismo mundial dentro da Venezuela, armas a população, chamar a solidariedade dos trabalhadores de toda a América Latina para um país que realizou o programa efetivo da classe operária mundial (…) Não há dúvida nenhuma que a vitória do povo venezuelano depende da expropriação do capital na Venezuela”.

Sobre o motivo de Maduro e Chaves não terem aproveitado o “boom” das commodities para industrializar a Venezuela, Rui Costa Pimenta disse que os governos nacionalistas recentes da América Latina, incluindo a Venezuela, foram diferentes daqueles governos nacionalistas mais antigos, como o varguismo, por exemplo, que era um movimento ligado à burguesia planejado pela burguesia industrial paulista que barganhava com o imperialismo e conseguia atender certos interesses dessa burguesia, especialmente na questão da industrialização do país. Porém, questões mais abrangentes para o povo, como a reforma agrária, por exemplo, nunca fez parte dos planos do varguismo, a eliminação do imperialismo também não era parte desse projeto. Era fato que o varguismo tinha um projeto nacional de desenvolvimento criado pela burguesia que procurava se desenvolver.

Já o nacionalismo mais recente da Argentina, Equador, Bolívia e o próprio chavismo, por exemplo, não possuem um plano de desenvolvimento nacional. “Eles não são forças políticas ligadas a uma burguesia nacional que procura se desenvolver. Em primeiro lugar porque essa burguesia nacional ela já não procura mais esse caminho do desenvolvimento. Ela tem atrito com o imperialismo mas, de um modo geral, ela está acomodada a um acordo com o imperialismo, ela não vê a possibilidade de se desenvolver fora de um acordo com o imperialismo. Então, essas forças nacionalistas são de caráter pequeno-burguês, não burguês (…) Esses setores não tem um plano. Eles foram evoluindo empiricamente. Talvez o governo Lula seja o caso mais marcante dessa política empírica.”. Rui citou a fala de Lula em que disse que, quando eles assumiram o governo no Brasil, ele achava que se ele conseguisse que o povo comesse três vezes ao dia já seria uma grande conquista e, aos poucos, ele foi percebendo que havia outras possibilidades, ou seja, isso demonstra uma política empírica e uma falta de plano.

“Acho que o chavismo nunca pensou que eles poderiam chegar na situação que eles estão agora com embargo e toda essa situação. Se eles tivessem previsto que a situação se desenvolveria neste sentido, com certeza teriam investido muito mais no sentido de desenvolver setores da indústria e tudo mais”, arremata Rui.

 


 

Este é um resumo dos assuntos discutidos no programa que pode ser visto na íntegra no vídeo abaixo.

 

 

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