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Transcrevemos abaixo um trecho da Análise na TV 247 da última terça-feira com o presidente nacional do Partido da Causa Operária, o companheiro Rui Costa Pimenta, no qual analisa as diferenças políticas entre o capitão Bolsonaro e o general Mourão.

“O Mourão, a gente sabe, é um homem ligado a cúpula militar, um homem de proa da cúpula militar, ligado a interesses importantes, não devemos confundir, o Bolsonaro é ex-militar, mas é um capitão, um homem que quase foi expulso do exército. O Mourão é um general, uma espécie de ancora do governo Bolsonaro, do ponto de vista das relações sociais do governo, das relações com a burguesia, com os capitalistas, em especial com o capital estrangeiro.  E logicamente, ele faz um contraponto, ele oferece um contraste dentro do governo, procura se apresentar como uma pessoa razoável. Isso significa o seguinte, primeiro: se o governo faz loucura, tem o vice que  seria mais normal, essa é a impressão que ele quer dar. E se o governo não der certo porque o presidente é anormal, tem o vice que é mais normal. Essa também é a  impressão que ele quer dar.

O Bolsonaro, nós estamos vendo os primeiros dias do governo dele, e vemos que ele não faz parte de um grupo político sólido, coeso, ele é o tipo de pessoa que foi tirada lá do fundo e levada ao governo com uma rapidez muito grande.  Veja os filhos dele. As acusações são todas corrupções pequenas parlamentares, envolvimento com milícias, normalmente a burguesia evita ter uma pessoa com todos esses lados abertos ao ataque.

O Mourão não, primeiro que ele nem é político, tudo bem que ele não tem popularidade nenhuma, o Bolsonaro ainda tem alguma  popularidade. Mas ele é uma pessoa que os setores capitalistas olham e falam esse daí é uma pessoa mais sólida, ele trabalha com coordenadas definidas, o que é importante, ele não é uma metralhadora giratória, ele é mais previsível, dá para você prever qual serão as reações dele.  Por exemplo, o Mourão falou que o Brasil não vai participar de nenhuma intervenção militar na Venezuela, apesar disso não querer dizer nada, o que ele quer dizer é o seguinte, a cúpula militar não quer fazer isso aí, é isso que eles está querendo dizer com isso aí. No que de mais é óbvio, colocar o exército brasileiro em uma guerra contra a Venezuela, que não vai ser um passeio, não vai ser um Haiti, é colocar o exército em uma situação de crise muito grande. Então a gente vê que ele é uma pessoa que tem interesses muito mais definidos que o Bolsonaro.

Agora, os interesses dele são um problema, são com às forças armadas, com o imperialismo, com os grandes capitalistas, e ele é uma pessoa mais perigosa (…) O Bolsonaro, por mais que ele tenha esse jeito de falar qualquer coisa, muita coisa ele não pode fazer. Por exemplo, vou matar todos os petistas, sei lá, se ele criar as condições no futuro, às forças armadas decidirem fazer isso aí, pode ser, mas é uma coisa que você não pode fazer, mostra apenas uma intenção.  Já o Mourão tem mais poder de fogo para fazer esse tipo de coisa, com o Mourão a possibilidade de um golpe militar é muito maior. Ele é um representante direto da cúpula militar, se você vai dar um golpe militar ele seria uma pessoa excelente. Ele conhece toda a cúpula militar é afinado com eles. Ele poderia ser presidente civil, entre aspas, e ter o apoio das forças armadas. Ele é um homem muito perigoso, como são todos esses militares, que são muito direitistas, que são pessoas equilibradas em certo sentido, mas tem amplas relações sociais. Não dá para você ser general do Exército, do alto comando, se você não tiver sólidas relações sociais.

Não vão deixar nenhum maluco, uma pessoa que você não possa controlar, com todo esse poder de fogo na mão. Ele está reagindo como uma pessoa com olho em interesses econômicos, interesses materiais concretos, enquanto o Bolsonaro , ele é uma típica personagem fascista, um demagogo que atira para qualquer lado e a qualquer hora, dependendo do estado de humor dele, o do estado de humor da tropa dele.”

Assista também a análise na Causa Operária TV:

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