Amor livre não é a libertação da mulher e sim mais uma forma de sua submissão

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As chamadas “pautas identitárias” vem sendo a última moda ideológica da esquerda pequeno-burguesa. Esse Diário já criticou mais de um sem número de vezes, o caráter anti-marxista, contrarrevolucionário e pró-imperialista da política que procura colocar questões relacionadas à mulher, ao negros e ao LGBT como sendo centrais no debate na luta política da esquerda. Na maioria das vezes, para não dizer em praticamente todas as vezes, até mesmo as questões levantadas sobre esses temas são erradas.

Existe em um setor importante das feministas burguesas a ideia do “amor livre”. Grosso modo, essa ideologia seria a defesa de que as questões da liberdade sexual passaria pela luta contra a monogamia. O “amor livre”, quase que ao pé da letra, seria a liberdade da mulher – e como consequência lógica também os homens – de manter relações sexuais com quantas pessoas quiser. Essa ideologia tem sido cada vez mais colocada em evidência pelos defensores da política identitária.

Os que defendem essa ideologia acreditam que a libertação da mulher tem como problema central a questão sexual. Para que o problema da opressão da mulher seja resolvido seria preciso convencer as mulheres a abandonar a forma monogâmica e se atirarem ao amor livre.

Em primeiro lugar, é preciso explicar o óbvio: a libertação da mulher deixa de ser uma questão econômica. A opressão das mulheres não seria um resultado da exploração econômica das mulheres que estão submetidas à escravidão do lar, à dupla jornada de trabalho etc.

Em segundo lugar e mais importante. Do ponto de vista sexual, o chamado “amor livre” é uma ideologia reacionária. A ideia de que todos, homens e mulheres, deveriam fazer sexo com todas as pessoas, a hora e quando convier, é uma ideia em última instância que lança o ser humana de volta à idade das cavernas. É a defesa de que os seres humanos deveriam satisfazer seus apetites sexuais da maneira mais animalesca possível.

Ao debater o assunto, Lênin compara a ideia do amor livre ao ato de saciar a sede. A necessidade de tomar água vem de instintos animais de sobrevivência. Nem por isso, o ser humano civilizado se joga na sarjeta para tomar água suja. A necessidade de tomar água é regulada por determinadas convenções culturais desenvolvidas pela humanidade. Tais convenções culturais, de costume e de hábito, não são uma mera censura que se opõem à necessidade de beber água. Pelo contrário, elas também fazem parte da sobrevivência do homem e mais ainda fazem parte da própria essência da humanidade. Sem tais convenções o homem não seria homem, mas outra espécie animal.

Lênin continua explicando que a ideia de amor livre é tão errada quanto a ideia de que basta ter sede para se atirar na sarjeta. O sexo é uma necessidade da espécie humana mas, assim como a necessidade de saciar a sede, ela está regulada por determinadas convenções que permitem ao ser humano determinado nível de civilidade. Caso contrário, as mulheres seriam tratadas como objetos à disposição das necessidades do homem, a qualquer momento. Um retorno à barbárie. Tais convenções sociais e culturais são ainda mais importantes no caso do sexo quando o que está em jogo são os interesses de duas pessoas.

A ideologia do amor livre esconde, com uma cobertura moderninha, um retrocesso social. É a defesa do retorno de quando as mulheres sofriam com o máximo de submissão, não tinham o direito sequer a resguardar o próprio corpo.

O “amor livre” é o oposto da libertação da mulher e da própria liberdade sexual. Essa liberdade só pode ser conseguida a partir do fim da opressão de classes e da repressão imposta pela sociedade de classes. Diferente do que acreditam as feministas burguesas, a liberdade sexual será conseguida a partir do completo desenvolvimento cultural da sociedade, em que a mulher deixe de ser considerada um ser inferior, que só pode ser atingido pela libertação econômica.

A monogamia é a forma mais desenvolvida de relação sexual. Foi uma conquista das mulheres contra as arbitrariedades sexuais dos homens, mas é claro que a monogamia, na sociedade capitalista é usada pela burguesia como uma desculpa para manter a mulher dominada, para transformar a mulher em uma posse do homem. Esse fato confunde muitos elementos da esquerda. Nesse caso trata-se de destruir as relações comerciais capitalistas e lutar pelos direitos da mulher como fez a Revolução Russa ao dar pleno e irrestrito direito ao divórcio para as mulheres.