Uma frente amplissíma
Mourão referendou a política da ala direita do PT de que é preciso “renovar” o PT e estirpar Lula; evidenciando que a manobra é coordenada pela burguesia golpista
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SP - GENERAL-MOURÃO-ABIMAQ - GERAL - O general Hamilton Mourão, vice na chapa do candidato Jair Bolsonaro participa de encontro com presidenciáveis, na sede da ABIMAQ, localizada na Avenida Jabaquara, em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (20). 20/09/2018 - Foto: RENATO S. CERQUEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A ala direita do PT abraça o general | Foto: Reprodução

Uma voz importante da extrema-direita veio referendar a política da ala direita do PT, nada menos que o general Mourão, vice-presidente da República, o testa de ferro do governo ilegítimo Bolsonaro. Segundo Mourão:  

“O PT tem que se reinventar. O PT tem que se libertar de acreditar que o Lula resolve tudo. O Lula é passado já, tem que buscar novas lideranças” 

A declaração de Mourão vem a calhar no mesmo momento em que a ala direita do PT, aproveitando da fraude eleitoral que gerou uma derrota do PT nas prefeituras, se colocou numa política de ofensiva contra Lula e a ala lulista do partido, representado por Gleisi Hoffmann na presidência partidária.    

Alberto Cantalice, membro da direção nacional do PT, foi um dos porta-vozes dessa política. O petista defendeu que era necessária uma “renovação” dentro do partido. E como? Com menor “protagonismo” de Lula dentro do PT, isto é, aquele que fundou o partido seja colocado no ostracismo completo e deixar de declarar isto ou aquilo; abrir mão da sua popularidade e deixar de orientar politicamente o partido. E não para por aí. Para isto seria necessário substituir Gleisi Hoffmann da presidência nacional do partido, para justamente romper com o lulismo. É uma declaração previa de que uma ala do partido quer se adequar ao golpe de Estado e para isso tem que rifar aqueles que quais que, graças a eles, puderam crescer em suas sombras.   

“Não se pode converter derrota em vitória. Derrota é derrota. O papel do dirigente político é o de buscar as causas das derrotas. Fora disso, é o autoengano, teimosia, obtusidade. O PT precisa voltar a ser o partido do futuro. Passado é passado”, comenta Cantalice na sua conta do Twitter, complementando com um “esse é o caminho”.

Caminho para que? Para uma vitória completa dos golpistas. Vejamos como é semelhante a declaração do membro da direção petista do general vice-presidente. E ele prossegue, dessa vez falando diretamente com os golpistas:  

“O PT tem várias lideranças: (o ex-prefeito Fernando) Haddad, (governador) Camilo (Santanta), (o senador Jaques) Wagner, (os governadores) Rui Costa, Wellington Dias e Fátima Bezerra. Vários senadores. O Lula já deu muito para o partido. É hora de abrir espaço”, declarou também para Globo.

Alguém teria de ser muito inocente para acreditar que Camilo Santana, que responde diretamente a Ciro Gomes, que não apoiou o PT no 1º turno de sua cidade, poderia substituir Lula. Estes senhores tem cargos, conseguidos com os votos de Lula, não tem apoio entre as massas.

Cantalice declara para os golpistas que ele está de acordo com a manobra da frente ampla, dentro do seu próprio partido. Com uma frente que não poderia ter outro nome do que uma frente golpista. É interessante destacar duas coisas das declarações.  

Cantalice além de referendar a fraude dando total legitimidade as eleições, que nós poderíamos chamar de confusão política, mas nesse caso é muito bem orientado, culpa a fraude, que ele chama de “derrota” dos seus maiores prejudicados: a ala lulista do PT. É uma maneira ardilosa de culpar aquele que é torturado pela tortura, caluniado pela calúnia, enfim, o mais prejudicado pelo prejuízo. Uma forma cínica de livrar aqueles que são os verdadeiros culpados pela derrota absurda do PT: os golpistas. O “passado” que Cantalice quer apagar é justamente a influência da classe operária e dos trabalhadores dentro do PT, para reformular o partido para se adequar a manobra golpista da frente ampla. 

A segunda declaração, já diretamente para aquecer o ouvido da Globo, porque o petista coloca várias lideranças do PT que são destacadamente direitistas, aquela que não tem relação fidedigna a Lula. Haddad é um exponente da frente ampla, já declarou querer transformar o partido em um “centro” político, Camilo Santana é uma figura ligada a oligarquia do Ceará, um homem do Ciro Gomes, Rui Costa, Wellington Dias e Jacques Wagner são caciques políticos da Bahia e figuras super direitistas e conservadores, ligados a oligarquia da Bahia. Fátima, que é da ala lulista, aparece como um enfeite na delação. 

Jacques Wagner, que aparece no elogio rasgado de seu comparsa de manobra, também declarou algo muito semelhante. Em entrevista concedida a rádio Metrópoles, ele diz tacitamente:

“A gente não pode ficar refém. Eu sou amigo irmão do Lula, mas vou ficar refém dele a vida inteira? Não faz sentido.”

Com amigos como ele, quem precisa de inimigos? Está claro que a ala direita do PT está aproveitando a oportunidade da ofensiva da direita golpista contra o próprio partido para dominar a cúpula, com apoio da imprensa golpista e da burguesia, unidos com a direita e até mesmo a extrema-direita nessa aventura política. 

É necessário denunciar essa manobra, que é evidentemente coordenada pela burguesia, já que as mesmas frases aparecerem em diferentes setores, com o mesmo propósito: retirar Gleisi da presidência e retirar a influência de Lula no partido. A retirada dos maiores prejudicados pelo golpe de Estado de 2016 da direção partidária é uma vitória daqueles que deram o próprio golpe; uma vitória de figuras que, com interesses exclusos, boicotam o movimento de luta contra o golpe, Bolsonaro e o imperialismo e se aproveitam da fragilidade do momento para lançar seus dardos na situação. É apenas uma oportunidade para os elementos mais oportunistas e burocratas. 

Essa opinião dentro do PT não passa de uma opinião da direita e tem como política o boicote a única saída dos trabalhadores para a situação política de conjunto: a mobilização em torno da candidatura de Luíz Inácio Lula da Silva em 2022. É preciso combater e denunciar a farsa e qualquer tentativa de golpe interno no PT deve ser repudiada pelo conjunto da esquerda que tem interesse e almeja derrotar o regime golpista de conjunto.  

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