Capitalismo decadente
Manifestações pedindo o fim dos massacres policiais, melhores salários, justiça racial e moradia se espalham pelos EUA em ritmo frenético
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Sombra de Donald Trump | Foto: Io Sono/Flickr

A polarização política nos Estados Unidos tem se elevado como nunca antes naquele país. O fenômeno fica mais evidente principalmente devido às manifestações da população afro americana após os inúmeros casos de assassinatos de negros pela polícia fascista norte-americana e a péssima gestão do governo Trump diante da crise sanitária que deflagrou uma crise econômica monumental no coração do imperialismo mundial.

Todos esses elementos tem levado a conjura política estadunidense a empurrar principalmente os jovens do país para a esquerda. Desempregados e endividados a juventude norte-americana procura se organizar por ora dentro do partido Democrata, justamente pela falta de um partido operário e revolucionário com uma política correta para a situação.

Os eleitores do partido Republicano, totalmente conservadores, acreditam que o governo Trump está cumprindo todas as suas promessas de campanha e que o país estaria realmente voltando a sua magnitude. Uma análise totalmente superficial e moralista baseada principalmente na nomeação de juízes conservadores, liberação de armas e na política contra o aborto, políticas adotadas pela extrema-direita governista.

“O governo Trump quebrou algo, a ideia de união. No nosso país, isso vai ter consequências durante muito tempo”, afirmou Jay, um sindicalista do setor de mineração à emissora RFI.

Alguns norte-americanos chegam a se definir como “totalmente deprimidos”.

“Tenho a impressão de que estamos à beira de uma guerra civil”, desabafa Clara, uma arquiteta de 30 anos da cidade de Saint-Louis, no estado do Missouri. Ela ainda diz sentir “vergonha” dos Estados Unidos há quatro anos e medo do que vai acontecer depois das eleições.

Os cidadãos mais progressistas admitem que “se livrar de Trump é a prioridade absoluta”, e por isso estes veem na candidatura de Biden uma possibilidade, mesmo este sendo um criminoso de guerra tão belicista e perigoso quanto o atual presidente.

Aqueles que se dizem assustados com a tensão política acabaram se engajando em movimentos sociais locais “para reencontrar sentido e solidariedade dentro do caos”, como disse Amy, estudante na universidade de Kansas Cit também à RFI.

As manifestações pedindo o fim dos massacres policiais, melhores salários, justiça racial e moradia se espalham pelos EUA em ritmo frenético devido a “direitização” da vida política estadunidense gerada por Trump.

Trata-se, portanto de uma reação da oposição que na medida em que o tempo passa acaba se deslocando ainda mais à esquerda.

Randy, um típico eleitor de direita, funcionário de uma fábrica de armas em Kentucky diz que “Eles (Democratas e oposição em geral) não têm mais nada para reclamar! Se eles apelam para isso é porque Trump cumpre suas promessas!”.

“Vocês acham sinceramente que os americanos querem ver Kamala Harris governar?”, fazendo uma alusão à possibilidade de Biden falecer durante o mandato e a vice deste assumir.

A situação de polarização política coloca o partido Democrata e seus eleitores em apuros. Isto porque a organização não possui uma política capaz de compreender o que está ocorrendo no país e de dar uma resposta à sociedade norte-americana que está órfã de lideranças genuínas, leia-se, da classe trabalhadora esmagada pelo capitalismo decadente.

A retirada precipitada da candidatura de Bernie Sanders, um político à esquerda da política dos Democratas, que é muito semelhante à dos Republicanos, principalmente em política externa, comprovou que os capitalistas jamais aceitariam um político com um programa minimamente socialdemocrata no poder.

Prevaleceu no fim a vontade dos banqueiros e dos industriais da guerra que empurraram o ex-vice de Obama para representar uma oposição de fachada à Trump.

A manobra se mostra agora um desastre porque Joe Biden, um político burguês, não possui apoio popular para frear o avanço do fascismo nos Estados Unidos que independentemente de sua vitória em novembro (o que acirraria ainda mais a extrema-direita) deverá por de vez as mangas de fora.

Tudo indica, portanto que os Estados Unidos, país acostumado a levar crises políticas às outras nações do globo como forma de defender seus interesses geopolíticos, terão enfim sua própria desestabilização interna que oporá a classe trabalhadora (por ora desorganizada) e uma burguesia fascista sedenta por manter sua hegemonia sob o aparato do Estado imperialista.

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