Abandono dos trabalhadores
Os governos proibiram o carnaval, mas não pensaram em nenhuma política para apoiar quem depende da renda desse período
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O carnaval é proibido e a principal renda do ano dos trabalhadores ambulantes some | Foto: Bruno Concha/Secom
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O carnaval é proibido e a principal renda do ano dos trabalhadores ambulantes some | Foto: Bruno Concha/Secom

O cancelamento das festividades de carnaval significa uma perda grande na renda de muitos trabalhadores informais. Os governos proibiram o carnaval, mas não pensaram em nenhuma política para apoiar quem depende da renda desse período.

Para muitos ela é a mais importante do ano, e representa não só a renda do mês. Para se ter uma ideia, na cidade de São Paulo há ambulantes que vendem em torno de 10 mil latinhas, arrecadando cerca R$7.000,00 durante o período. A renda média durante o carnaval é maior que um salário mínimo e é importante para trabalhadores como o técnico de refrigeração e manutenção Edmilson Silva dos Santos, de 41 anos, que mora no Rio e está desempregado. Ele conta com a renda do carnaval já há 6 anos, esta que chega a R$ 1.500 e é importante para pagar o aluguel e as pendências de estudos da filha no início do ano. Só na cidade do Rio de Janeiro foram registrados na prefeitura cerca de 10 mil ambulantes para trabalharem no carnaval.

Outra categoria que também tem a renda drasticamente afetada pela proibição do carnaval são os catadores que, segundo a Associação Brasileira de Fabricantes de lata de alumínio para bebidas (Abralatas), chegavam a ser cerca de 1 milhão de pessoas em 2018. Com o aumento do trabalho informal e o desemprego no País, esse número é maior em 2020. Os catadores tinham a renda aumentada em 30% neste período e, assim como os ambulantes, serão abandonados para viver da sorte neste carnaval.

Os capitalistas se aproveitam da situação

O abandono da população trabalhadora pelos governos abriu espaço para que os capitalistas finjam estar preocupados com os ambulantes e façam propaganda para lucrar com seus negócios. A Ambev, por exemplo, ofertará um “auxílio” de R$ 255,00 a cerca de 20 mil trabalhadores ambulantes. Mas nada é animador, além do número irrisório de trabalhadores “beneficiados”, o valor será ofertado em produtos, serviços e cupons em parceria com outras empresas. A empresa irá “auxiliar” com R$ 150,00 aquele ambulante que conseguir fazer o cadastro, além de códigos promocionais para o uso em outras empresas, ganhando, desse modo, R$ 5,00 a cada uso, com limite de 20 usos.

Ou seja, em termos práticos, não há auxílio algum. O fato é que as empresas estão utilizando o abandono dos trabalhadores ambulantes pelo governo da direita para fazer propaganda de seus produtos e empresas parceiras. Os capitalistas não perdem tempo para lucrar e desta vez estão jogando migalhas à população pobre e trabalhadora para alavancarem seus negócios.

O exército de trabalhadores informais vem aumentando cada vez mais no Brasil, devido à política trabalhista do governo Bolsonaro que, agindo em favor dos patrões, destroem a cada dia que passa as empresas, a estabilidade, a segurança e os direitos dos trabalhadores. O salário mínimo não recebe o aumento devido e até os trabalhadores de carteira assinada precisam de bicos para completar a renda e colocar comida na mesa. Isto é, a direita é a grande responsável pelo desemprego no País e, portanto, pelo aumento do trabalho informal, e agora está jogando os trabalhadores informais à sorte, pois não têm política para auxiliar a classe.

Os recordes de desemprego no País não contam com a categoria dos trabalhadores informais. A alta no desemprego já era um efeito da política devastadora da direita antes mesmo da pandemia. Foram agravados pelo abandono da população durante os surtos de COVID-19 e levarão mais ainda a população à situação de esmola durante o carnaval.

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