Ambientalista compara Bolsonaro a Stalin para atacar o comunismo

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Artigo publicado, ontem, no sitio Poder 360, pelo ambientalista Carlos Rittl, sob o título “Plano de Bolsonaro para o ambiente é stalinismo puro”, não é uma denúncia da destruição do meio-ambiente do País pelo golpe de Estado e pela extrema-direita, para favorecer principalmente o imperialismo, mas um ataque ao comunismo e a luta histórica dos movimentos sociais ligados ao campo. Trata-se ocultar a realidade e ocultar a irracionalidade do capitalismo na condução de uma política de exploração do meio-ambiente.

Carlos Rittl, mestre e doutor em Biologia Tropical e Recursos Naturais, pode até ser expert nos temas em que é afeito, mas quando se trata de política e de história seus conhecimentos estão bem próximos do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que recentemente declarou que o “fascismo e o nazismo são fenômenos de esquerda.”.

A fim de “embasar” a comparação entre Bolsonaro e Stálin, Rittl cita o “expurgo” do grupo de ambientalistas que fez parte do grupo de transição bolsonarista, “demitido sem explicações”, taxado, ainda, como uma prática dos bolcheviques.

Recorre, ainda, à criação de “organismos paralelos”, criados para esvaziar estruturas de controle ambiental tradicionais, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), a perseguição a Organizações Não Governamentais (ONGs), “objeto de ojeriza por parte de Bolsonaro – ‘ingerência internacional’, segundo o capitão presidente -, e ainda, de perseguir ativistas ligados a esses organismo sob o argumento de ‘cabide de emprego’.

Em resumo, para o ambientalista, “centralização de poder, estrutura de governo amorfa, decisões ideológicas que contrariam o bom-senso econômico, expurgos, perseguição a críticos e falta de transparência são o checklist básico do stalinismo que Bolsonaro parece seguir à risca na área ambiental”.

O “doutor” se atém à ideologia reacionária do “autoritarismo”, do “bem contra o mal”, como categorias absolutamente desvinculadas da luta de classes, ou seja, da realidade. O que estaria em jogo não é a luta de morte entre capitalismo e comunismo, mas, simplesmente a “boa fé dos homens”, por isso Stálin é comparado a Bolsonaro, nesse caso, mas em outros, a Hitler e Mussolini.

No texto, quando se refere ao “expurgo”, Rittl esclarece que o grupo que ele defendia foi substituído por um outro que tem entre seus membros o atual ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles, um charlatão, que nada entende de meio-ambiente, oriundo do governo do PSDB de São Paulo, e que está à frente do ministério com o único propósito de favorecer as empresas imperialistas exploradoras de minerais e do agronegócio, principalmente as estrangeiras.

Portanto, a burocracia bolsonarista é na verdade a burocracia do golpe, baseada nos interesses do capitalismo imperialista. Já quando se fala em burocracia stalinista, para ser uma crítica pelo menos séria, tem que se reportar a Revolução Russa e ao Estado Operário resultado dessa revolução.

O caráter autoritário, fascista, do bolsonarismo tem como objetivo criar as condições para promover à expropriação das riquezas nacionais, no caso em questão. Para se efetivar, tem de destruir todo tipo de resistência, que possa colocar em risco os interesses capitalistas.

Já o caráter reacionário do stalinismo foi produto da contra-revolução operada no primeiro Estado Operário do mundo, em meio à situação de isolamento da revolução, diante do que a burocracia para se manter, alijou a classe operária e o próprio partido de Lenin do poder. Por isso, em si, já é uma calúnia equiparar o partido Bolchevique líder da revolução de 17, com o coveiro dela.

Mas, mesmo como coveiro da revolução, trata-se de uma gigantesca falsificação ideológica, comparar os “autoritarismo” de Stalin e do fascismo.

O stalinismo para se manter tinha que se apoiar no movimento operário e em suas organizações, por isso a necessidade de uma burocracia para controlar o movimento e asfixiar qualquer tipo de democracia operária. Nessa tarefa, a burocracia procurava se apresentar como defensora da revolução e dos interesses nacionais da URSS.

A política do bolsonarismo, do fascismo é outra. Trata-se de destruir completamente a classe operária e suas organizações para impor uma política de expropriação das massas e do próprio país em proveito do grande capital internacional, principalmente, norte-americano.