Queimadas Amazônia Legal
Com o início da estação mais seca do ano, a Amazônia tem as três primeiras semanas de junho com maior número de focos de queimadas desde 2007
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Incêndio na floresta amazônica em Altamira, no Pará 27/08/2019 | Foto: Nacho Doce/REUTERS

Com o início da estação mais seca do ano, a Amazônia tem as três primeiras semanas de junho com maior número de focos de queimadas desde 2007. Entre o dia 1 e o dia 21 de junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) através do seu Programa Queimadas, detectou 1.469 focos de incêndio na Amazônia, o número é 30,5% superior ao documentado no mesmo período de 2019 de 1.125 focos.

 

Os incêndios estão concentrados no estados do Mato Grosso e Pará, os dois estados também lideraram os ranking de desmatamento entre 2018 e 2019. No último ano foram devastada mais de 10.000km² de mata no bioma amazônico.

 

Segundo a filial brasileira da ONG World Wide Fund for Nature (WWF-Brasil) durante as primeiras semanas de junho o crescimento no número de focos de incêndio na Amazônia foi 50% superior à média histórica da última década. “Esse mês já começa a refletir como vai ser a estação que está por vir”, afirma o diretor de conservação e restauração da WWF-Brasil, Edegar de Oliveira.

 

Na maioria dos estados que abrigam a Amazônia Legal houve um crescimento no número de focos de incêndios em relação ao ano de 2019. Os maiores aumentos de índices percentuais foram os seguintes: Amazonas (52%), Acre (50%) e Amapá (75%, de 4 para 7 focos). Havendo redução até o momento, sendo a mais a que ocorreu em Roraima, com quase 3.000 focos de fogo a menos (diminuição de 64%).

 

Segundo Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam): “Mato Grosso está maior, Pará está maior, Rondônia maior, Amazonas maior. Esses quatro estados representam grande parte do desmatamento na Amazônia”. 

 

Como desmatamento e queimadas no bioma amazônico estão intimamente ligados, onde os grileiros primeiro desmataram a floresta e depois usam o fogo para limpar o terreno. Os pesquisadores já vinham alertando sobre um possível  crescimento das queimadas neste ano de 2020, graças aos níveis de desmatamento de 2019.

 

Segundo a Nota Técnica N 4 de junho de 2020 do Ipam, face a vegetação derrubada entre janeiro de 2019 e abril de 2020, ainda há 4,509km² de mata derrubada que devem ser criminosamente queimadas. Ou seja 45% que foi desmatado entre 2019 e 2020 ainda poder ser queimado.

 

Os dados demonstram que as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia desde agosto de 2019 para “ações preventivas e repressivas contra delitos ambientais” e “levantamento e combate a focos de incêndio” não apenas foram ineficientes no combate ao desmatamento e queimadas, como após a GLO o desmatamento e queimadas na Amazônia Legal bateram recordes históricos.

 

A situação deixa claro que os militares enviados a longe de realizar uma ação de proteção ambiental tem como missão de intervir nos conflitos pela terra na região, protegendo os grileiros e perseguindo os trabalhadores e posseiros. Não sendo à toa que o nível de conflito no campo aumento vertiginosamente, junto com este a opressão a sem-terra, populações tradicionais e indígenas após a GLO.

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