Esquerda veste vermelho
A esquerda tenta novamente se camuflar de direita para ver se consegue apoio do PSDB e da Rede Globo. Há setores que até mesmo perseguem quem está de vermelho ou com bandeiras
São Paulo - Manifestação na Avenida Paulista, região central da capital, contra a corrupção e pela saída da presidenta Dilma Rousseff (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Guilherme Boulos, homem do "não vai ter copa", com a camisa da Seleção Brasileira | Foto: reprodução/Twitter

Uma parcela da esquerda está novamente tentando se camuflar em meio à direita escondendo as cores históricas da luta dos operários, dos trabalhadores e dos oprimidos em geral para adotar as cores da direita que nunca se importou e que nunca teve popularidade no meio dos trabalhadores. Essa política, de tentar impedir qualquer ligação com a cor vermelha e de tentar impedir que as pessoas levantem as bandeiras de seus partidos políticos, é a mesma que foi utilizada em 2013 e que permitiu que a direita sequestrasse a grande mobilização que estava se desenvolvendo, abrindo o caminho para o golpe de estado de 2016.

O verde e amarelo, a camisa da seleção brasileira e a bandeira do Brasil são amplamente utilizadas por políticos e militantes da direita. Os atos que pediam a derrubada de Dilma Rousseff, amplamente divulgados pela imprensa burguesa e apoiados por políticos da direita de partidos como DEM, PSDB e MDB, eram recheados de pessoas com essas cores e símbolos.

A parcela da esquerda que está tentando novamente apagar os símbolos esquerdistas do meio das manifestações e capitular diante das pressões reacionárias da direita faz isso com o intuito de uma aliança com o setor da direita que estaria a favor da derrubada de Jair Bolsonaro. Sob essa justificativa, tentam permitir que nos atos só estejam presentes as bandeiras do Brasil e as cores azul e amarelo, as cores do PSDB.

Nesse domingo, na Paulista, foi até mesmo sinalizadores com fumaça nas cores do partido dos tucanos, com o intuito de os agradar, enquanto os setores mais direitistas da esquerda, ligados a Guilherme Boulos e Daniel Pássaro, ameaçavam militantes do PCO por estes levarem suas bandeiras ao ato.

Essa é também uma exigência de setores como a Rede Globo ou Folha de S.Paulo, no intuito de conquistar um espaço dentro do monopólio da informação que, claro, não irá televisionar nenhuma bandeira socialista ou dizer que os atos tema participação massiva da esquerda. É uma tentativa de se mostrar como um direitista para ganhar popularidade com a direita e quem sabe conquistar as próximas eleições.

Em primeiro lugar, esse setor da direita não deseja derrubar Jair Bolsonaro. Foram inúmeras as declarações e movimentações dessa ala da burguesia que demonstraram como não desejam o fim do governo fascista. Além disso, esse setor acaba de privatizar a água da população, o que acaba sendo um completo ato de servidão por parte da esquerda ao utilizar suas cores após esse revés tão sofrido pela população brasileira.

A esquerda não tem de se camuflar atrás das cores da direita, não tem de tentar enganar a população se fingindo de direita e não tem de tentar alegrar a direita para que essa dê seu aval para a esquerda sair às ruas. A esquerda tem de marcar seu território, levar as suas cores e suas bandeiras para a mobilização e lutar ao lado do povo por seus direitos se quiser ver a mobilização vitoriosa e dar um basta ao golpe de estado iniciado em 2016. Sendo assim, a cor a ser utilizada é o vermelho, mesma cor do sangue dos trabalhadores que sofrem na mão daqueles que usam o azul e o amarelo.

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