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Polícia e Funai foram avisadas
AM: Conflito em Coari resulta no assassinato de três indígenas
Conflito provocado pela extração de castanhas no interior do território Cajuhiri Atravessado (AM) termina com execução de 3 familiares
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Polícia e Funai foram avisadas
AM: Conflito em Coari resulta no assassinato de três indígenas
Conflito provocado pela extração de castanhas no interior do território Cajuhiri Atravessado (AM) termina com execução de 3 familiares
Estado em conluio com os exploradores contra os indígenas. Foto: J. Alves (Reuters)
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Estado em conluio com os exploradores contra os indígenas. Foto: J. Alves (Reuters)

Três indígenas Miranha foram assassinados entre a noite de segunda-feira (6) e a manhã de terça (7) na terra indígena Cajuhiri Atravessado, no município amazonense de Coari, localizado a 363 quilômetros da capital Manaus.

Joab Marins da Cruz, Marcos Marins da Cruz e Francisco Martins da Cruz foram as mais recentes vítimas de um conflito amplamente conhecido pela burocracia estatal na região, mas ignorado, como é comum de norte a sul do país quando a luta pela terra é desfavorável a indígenas, quilombolas e demais trabalhadores rurais explorados.

Francisco Alves da Silva, presidente Associação de Comunidades Indígenas de Coari (ACIC) informou ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que a aldeia Cajuhiri Atravessado é habitada por não indígenas (como os que mataram os três Miranhas) e que os choques são antigos mas seguem sendo ignorados pelo Estado. O último, que resultou na morte dos três membros da família Martins da Cruz, também é de longa data e tem origem nas disputas causadas pela extração de castanhas na região.

O presidente da ACIC informa ainda que o conflito com os não indígenas já tinha gerado notificações oficiais junto à delegacia do município de Coari e com a Funai sem que qualquer medida tivesse sido tomada por nenhum dos órgãos do Estado. Na opinião de Silva, os conflitos continuarão ocorrendo enquanto as terras, que deveriam ser dos indígenas, estiverem sob livre ocupação de grupos interessados na expropriação de seu território, uma obviedade tão grande que mesmo o comando da PM, órgão máximo da repressão estatal, reconhece a impossibilidade de evitar mais derramamento de sangue diante da convivência forçada entre indígenas e não indígenas. É bom sempre lembrar, inclusive, que a PM é um dos responsáveis pela repressão no campo a serviço dos latifundiários e contra os sem terra, indígenas e demais populações que vivem da terra.

Diante da absoluta defesa por parte do Estado dos interesses contrários aos indígenas, o povo Miranha não tem alternativa exceto se organizar em grupos de autodefesa e proteger a integridade de seu território à força, unindo-se aos demais explorados do campo e recebendo o apoio dos explorados da cidade. De outro modo, não haverá paz para os indígenas mas tão somente submissão.