Despejos
Cerca de nove famílias foram despejadas em Boca do Acre, sul do Estado do Amazonas, na terça-feira (24). Os moradores enfrentam o avanço da fronteira agrícola
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Pertences pessoais de uma família despejada em Boca do Acre | Comissão Pastoral da Terra (CPT)

Na terça-feira (24), cerca de nove famílias, que viviam há 17 anos na região do Seringal Igarapé Grande, próximo à BR-317, foram despejadas no cumprimento de uma decisão judicial. Seringal Igarapé Grande está localizado no município de Boca do Acre, sul do Estado do Amazonas.

O proprietário reivindica a posse da terra e ganhou ação de reintegração na Justiça. Após o despejo, as casas foram destruídas. As famílias se dirigiram para a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na cidade.

O local compreendia uma área onde cinco das nove famílias moravam e que estava fora do perímetro reivindicado pelo proprietário. Isso significa que quatro famílias foram despejadas ilegalmente. O proprietário foi quem indicou ao Oficial de Justiça qual a área onde deveria ocorrer a reintegração, aproveitando-se da situação para contemplar seus interesses.

Os moradores da região, um dos grandes afluentes do Rio Amazonas, 233 quilômetros de Rio Branco, enfrentam o avanço da fronteira agrícola, uma constante ameaça aos territórios indígenas, quilombolas, ribeirinhos e extrativistas. Além dos fazendeiros, há a ação de grileiros e exploração ilegal de madeira.

O latifúndio, apoiado pela Justiça e pelas forças de repressão do Estado, avança sobre os assentamentos. O caso de Boca do Acre demonstra, uma vez mais, que o Estado está totalmente controlado pela extrema-direita e posto a serviço dos seus interesses.

Desde o golpe de Estado de 2016, o que se visualiza é o aumento dos despejos violentos. Centenas de famílias sem-terra estão sendo expulsas dos seus locais de moradia, literalmente lançadas para viver nas ruas. Frequentemente, ocorre a destruição de suas casas e pertences pessoais.

Os assassinatos de lideranças da luta pela terra escalou com a chegada de Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) na presidência da República. As milícias de pistoleiros desfrutam de garantia de impunidade por parte do sistema judiciário e pelas oligarquias. Em geral, policiais militares compõem estas milícias, estreitamente ligadas ao aparelho de repressão oficial. Os partidos burgueses e políticos locais proporcionam apoio e encobrem a ação das milícias.

É preciso que os movimentos de luta pela terra organizem comitês de autodefesa. Não se pode cultivar a crença de que as instituições do Estado, dominadas pela extrema-direita bolsonarista, vão agir para proteger os camponeses e suas famílias. Somente os trabalhadores do campo, assentados e acampados organizados é que podem resistir aos ataques do latifúndio exportador, sempre ávido por se apropriar de mais terras

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