Comando do Exército cancela decisão do STF: país está refém dos militares

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Logo após o anúncio da decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, de cumprir a Constituição Federal e determinar a soltura de todos os presos que cumprem pena, ilegalmente, sem terem ainda uma sentença final, o trânsito em julgado, o Alto Comando do Exército se reuniu em videoconferência, na própria tarde de quarta-feira (dia 19) para “discutir as possíveis consequências da decisão que pode libertar condenados na segunda instância da Justiça e beneficiar, entre outros presos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)”.

Dessa feita os chefes militares, que tiveram papel decisivo no golpe de Estado, no governo Temer e na eleição da chapa do golpe militar de Bolsonaro-Mourão, sequer disfarçaram sua ingerência e anunciaram publicamente que estavam reunidos, bem como sua rejeição à decisão do ministro. Segundo informou à própria imprensa golpista “um oficial ligado ao Alto Comando”, a reunião não teria um suposto “caráter reativo, mas sim proativo“. Membros do alto Comando disseram ainda que o Exército discutia “possíveis cenários” que poderia ser gerados no país pela decisão – “inclusive eventuais manifestações ou distúrbios populares”, assinalaram.

Os generais e a imprensa golpista lembraram as intervenções (ou mais claramente, ameaças) dos militares, feitas em outros momentos em que a possibilidade de Lula esteve colocada em debate, no STF, mesmo como possibilidade remota, diante da maioria golpista e pró-imperialista formada naquela Corte.

De acordo com outro general, “o clima de ‘tensão’ é o mesmo da véspera da prisão de Lula em abril, quando o comandante do Exército, general Villas Bôas, chegou a fazer um tuíte em tom de ameaça para que não fosse concedido um habeas corpus ao petista“.

A diferença é que desta vez, os militares não precisaram fazer as ameaças por meio da imprensa golpista, pois desde a posse do ministro Dias Toffoli, na presidência do STF, estes nomearam um general de exército para “assessorar” (de fato controlar) o Supremo e assim, informar diretamente àquela corte qual é a vontade dos militares e o que eles desejam que seja aprovado.

Assim, os militares se reuniram, tomaram sua decisão e a encaminharam para que o presidente do STF, súdito dos militares, cancelasse a liminar, violando abertamente o que estabelece a Constituição.

O ocorrido evidencia que não só o STF, mas todo o País está, de fato, refém dos militares, que nada vale a Lei ou a vontade popular. Vale apenas a vontade dos militares, colocados a serviço dos interesses dos donos do golpe, os grandes capitalistas estrangeiros e “nacionais”.