Brazilian presidential candidates Jair Bolsonaro (L) (PSL) and Geraldo Alckmin (PSDB), greet each other, during the second presidential debate ahead of the October 7 general election, at Rede TV television network in Sao Paulo, Brazil, on August 17, 2018. 


,  / AFP PHOTO / NELSON ALMEIDA
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A ala direita do PT busca uma aliança com o PSDB. Isso tem sido demonstrado sistematicamente desde o golpe de Estado, mas de maneira mais evidente com a eleição de Bolsonaro.

Já no segundo turno, tentou-se uma frente única entre setores “progressistas” da direita e do PSDB para supostamente “derrotar o fascismo” representado pelo candidato da extrema-direita.

Agora, durante o governo de devastação nacional capitaneado pelo ex-militar, novamente há uma tentativa de salvar o PSDB da ruína política em que foi jogado com a crise do regime. Ex-ministros petistas têm se reunido com ex-ministros tucanos em enganosos encontros que serviriam para apontar a uma “oposição democrática” a Bolsonaro.

No entanto, é preciso lembrar a todo o momento quem é o PSDB. Trata-se do partido por excelência do imperialismo no Brasil, responsável pela política de choque neoliberal igual à de Bolsonaro. Na verdade, o PSDB é o pai de Bolsonaro – esse partido e os outros partidos da burguesia “nacional”.

A política implementada por Fernando Henrique Cardoso e pelos governos de São Paulo (há cerca de 25 anos comandados pelo PSDB) é orientada pelos mesmos “gurus” de Bolsonaro: os grandes banqueiros internacionais. Ambos sempre tentaram entregar o Brasil de bandeja ao imperialismo.

Além disso, foi graças à política golpista e anticomunista do PSDB que o bolsonarismo ganhou força. Os primeiros coxinhatos eram formados pela base social do PSDB, que depois, com o agravamento da crise política, foi se distanciando do partido para posições mais extremas, chegando finalmente ao apoio incondicional a Bolsonaro e ao fascismo.

A diferença entre o PSDB e Bolsonaro é pequena. Tradicionalmente, o PSDB impunha uma política econômica neoliberal mesclada com uma política “cultural” moderadamente conservadora. Entretanto, com a polarização política, seu eleitorado foi jogado nos braços de Bolsonaro, o que obrigou o PSDB a se deslocar ainda mais para a direita, o que pode ser comprovado com a proeminência de João Doria entre as principais lideranças do partido atualmente.

Os políticos do PT que tentam se aliar ao PSDB usam a desculpa de que os tucanos seriam o “menos pior”, porque sua política seria menos devastadora do que a de Bolsonaro. Embora Bolsonaro seja um fascista e uma diferença para com os governos de FHC seja que ele esteja tentando destruir as organizações operárias e suprimir a esquerda (coisa que, na época de FHC, a conjuntura fez com que a burguesia não apostasse tanto nessa política fascista, apesar de poder fazer isso com o próprio FHC), a verdade é que a política econômica é a mesma.

Chega a ser infantil se aliar com um neoliberal para combater um neoliberal que é 1% pior (um “ultraliberal”). A ala direita do PT, assim, trata o PSDB como se fosse um aliado contra Bolsonaro, escondendo o quão o PSDB é de direita e o quanto ele esteve envolvido na eleição de Bolsonaro e mesmo na sustentação de seu governo. Afinal, uma das principais medidas atrozes de Bolsonaro é a reforma da previdência (o roubo da aposentadoria dos trabalhadores), cujo secretário da Previdência é nada mais nada menos do que um político do PSDB, Rogério Marinho.

Além disso, a política de repressão ao povo imposta pelos governos estaduais do PSDB (como em São Paulo) é a mesma de Bolsonaro, basta ver o que a PM paulista faz contra manifestantes nos atos populares.

Portanto, é um mito e uma propaganda extremamente enganosa o discurso de aliança com o PSDB para combater Bolsonaro, apenas porque aquele representaria os “valores iluministas”, como disseram dirigentes conciliadores do PT recentemente. A direita jogou no chão e pisoteou há muito tempos os valores iluministas, o liberalismo e o respeito aos direitos democráticos. Não se pode fazer nenhum tipo de aliança com ela. A aliança da esquerda tem que ser com os movimentos populares e a classe operária, nas ruas.

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