Alesp: deputado defende assassinatos pela PM
Sargento Neri
Sargento Neri

Com o avanço do golpe que colocou Jair Bolsonaro (PSL) na presidência, as figuras mais reacionárias, fascistas e facínoras que antes não defendiam abertamente a política da extrema-direita, agora sentem-se a vontade para incentivar publicamente o extermínio da população pobre e oprimida. No dia 25 de junho, o deputado estadual Sargento Neri (Avante), revelou seu apetite sanguinário e conclamou aos colegas da Polícia Militar para que fizessem uma operação que matasse ao menos dez pessoas.

“É uma vergonha nós perdermos três policiais, um garoto alvejado na cabeça, e não fazermos uma operação para matar dez. A resposta por um policial morto são dez ladrões mortos. É o mínimo. Da Polícia Militar que eu venho, nós não entregávamos uma viatura para a outra equipe enquanto não se pegasse o ladrão. Nós não faríamos o velório do policial enquanto não estivesse no necrotério o corpo do ladrão. Isso é fato, isso é guerra”, afirmou o sargento.

O fato ocorreu após a morte de três policiais em operação da PM paulistana. Diante disso, a União de Núcleos de Educação Popular para Negras e Negros (Uneafro) apresentou denúncia contra o deputado fascista. Segundo a própria Uneafro, “o deputado Sargento Neri confessa crimes que ele próprio e sua corporação cometeram no momento da atribuição de suas funções policiais. Confessa, com suas declarações, que orientou seus formandos à prática sistemática da vingança e de execuções sumárias extrajudiciais e mais que isso, deixa a entender que ele próprio, em suas mais de duas décadas de trabalho como agente do estado, também promoveu execuções sumárias extrajudiciais”.

A Uneafro ainda pede, “o imediato posicionamento por parte da Secretaria de Segurança Pública; abertura imediata de investigação acerca dos trabalhos realizados pelo ex-sargento, em seu período de trabalho junto à Polícia Militar do estado de São Paulo; bem como um levantamento de sua ficha de ocorrências; levantamento de sua possível participação em homicídios; bem como levantamento da possível participação de seus alunos em homicídios; e o levantamento do status de investigação de cada um destes possíveis homicídios”; assim como também cobra “o posicionamento da SSP e do gabinete do governador em relação à política de formação dos agentes policiais e o quanto há de verdade na afirmação proferida pelo ex-sargento de que há uma formação dirigida e orientada para a prática da vingança e de execuções sumárias extrajudiciais; orientações e procedimentos adotados pela PM paulista e seu comando, em sua atribuição ordinária e cotidiana”.

Ainda segundo a organização, é necessário que se proceda com a “instalação imediata, por arte da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, de processo disciplinar em sua Comissão de Ética para avaliar possível quebra de decoro parlamentar e crime de incitação à violência, com possível e consequente cassação de mandato do referido parlamentar”. E, sobretudo, exige ”retratação pública imediata, por parte do referido parlamentar, se é que não foi sua intenção orientar deliberadamente as forças policiais a agirem fora da lei, transcendendo as funções constitucionais da Polícia Militar, provocada que foi a julgar, condenar e executar a pena capital, proibida em nosso país”.

É preciso deixar claro que apesar da iniciativa da Uneafro em denunciar o PM fascista estar correta, lembremos que o governo de São Paulo encontra-se nas mãos de outro fascista, João Doria (PSDB), que, obviamente, aparelhou toda a estrutura do governo com a camarilha mais reacionária que existe. É preciso lutar pela dissolução dessa máquina de moer carne pobre e negra, conhecida como PM. Sabe-se, portanto, que os referidos “ladrões” a serem alvejados pela polícia são sempre negros moradores de periferia. Essa política aliada às práticas da PM são e sempre foram uma ameaça a toda a população.