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Em coluna publicada no site Brasil 247, o professor de sociologia Aldo Fornazieri afirma que o Brasil foi o único País onde a reforma da Previdência tem apoio da maioria da população. Afirma ele que “em vários países onde ocorrem reformas da previdência os processos foram marcados por grandes protestos e tumultos de rua. As pressões das ruas foram tão veementes que muitos governos foram obrigados a recuar. Aqui foi chamada uma greve geral que foi muito parcial. No dia da votação da reforma a Câmara dos Deputados não foi cercada por trabalhadores e sindicalistas e sequer ocorreu qualquer protesto significativo.”

E quais seriam os motivos para tamanha derrota? Derrota tão grande que o próprio povo teria ficado a favor da reforma que vai significar a destruição de sua aposentadoria.

O nome do artigo, “Uma oposição sonolenta”, já deixa claro que a tese de Fornazieri é que essas derrotas políticas seriam resultado de uma política errada de quem ele chama de “oposições”. Mas qual seria esta política errada?  Fornazieri explica que “se a avaliação fosse a de que a reforma tinha chance de ser aprovada, a tática correta para fazer a disputa política consistia em apresentar uma proposta alternativa de reforma, centrada em dois eixos: ataque aos privilégios e defesa dos interesses dos trabalhadores menos favorecidos no sistema previdenciário.”

Segundo o autor, as “oposições” erraram em sua tática parlamentar. Elas deveriam ter se adaptado ainda mais ao Congresso bolsonarista a ponto de propor uma reforma “alternativa”. Fornazieri propõe que os deputados da esquerda digam ao povo: “vamos acabar com vocês, mas não da maneira como esses bolsonaristas estão fazendo”. É absurdo, sim, mas é muito mais do que isso. A política proposta por Fornazieri é a mesma que tentaram e tentam colocar em prática alguns governadores do PT. Essa política da ala direita do PT e do PCdoB acabou levando a uma atividade parlamentar de completa adaptação à reforma e abandono total da luta nas ruas para derrotar a reforma e o governo.

O problema é o contrário do que conclui Fornazieri. O que levou à derrota foi justamente a política parlamentar de adaptação e colaboração com a reforma defendida em primeiro lugar por aqueles que gostariam muito de fazer uma “reforma alternativa” se adaptando a Bolsonaro e aos golpistas, como propõe Fornazieri. Agora, de maneira totalmente desonesta, essa mesma ala – da qual Fornazieri se torna ideólogo – coloca a culpa da derrota dizendo que as “oposições” deveriam se adaptar ainda mais à direita.

Para Fornazieri o erro não está justamente na política parlamentar cretina que foi levada pela maioria dos setores da esquerda e na ausência de uma mobilização real. O erro estaria em não terem aprofundado ainda mais essa política de conciliação. Se ainda não ficou claro, o sociólogo explica: “A rigor, a oposição ficou à margem da disputa e permitiu que o centrão e Rodrigo Maia ocupassem o espaço político decorrente do processo da reforma”, e continua, “Enquanto o campo progressista e oposicionista foi incompetente em puxar votos do centro político contra a reforma, o general de Bolsonaro conseguiu puxar votos dos progressistas em favor da mesma.”

Quer dizer, para Fornazieri seria preciso puxar votos do “campo progressista”. Ou seja, convencer os deputados que votaram a favor de roubar o povo a serem mais bondosos. Um verdadeiro conto de fadas da política. Quem precisa de “campo conservador” quando se tem um “campo progressista” elementos que votam a favor de jogar o povo na miséria.

E quem acredita nisso pode acreditar também em outras lendas. Uma delas, Fornazieri admite acreditar, chama-se pesquisa DataFolha. Para justificar o grande erro das “oposições” Fornazieri realmente leva a sério o resultado da pesquisa que diz que 47% da sociedade apoia a reforma. O DataFolha é dado a milagres desse tipo, como inventar que a direita colocou um milhão na Avenida Paulista nos atos pró-impeachment e agora que as pessoas apoiam o próprio roubo contra elas mesma. Há quem acredite nisso, Fornazieri acredita, pelo menos para justificar uma política de adaptação cada vez maior ao golpe e ao governo Bolsonaro e que, ao contrário do que ele mesmo diz, está levando a mais e mais derrotas.

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