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Corria o ano de 2001. O Brasil , assim como praticamente toda a América Latina, estava destruído como consequência da política neoliberal. Fernando Henrique Cardoso em seus oito anos (2001 foi o último) de governo havia promovido uma devastão do país em uma magnitude muito superior a que havia sido promovido pelos generais da ditadura militar.

Segundo dados oficiais, a cada 5 minutos uma criança morria por desnutrição, eram 300 por dia e quase dez mil por mês. Existiam ainda mais de 30 milhões de brasileiros vivendo em condições verdadeiramente sub-humanas.

Esse era o Brasil depois da hecatombe imposta pelo neoliberalismo e pelo seu serviçal-mor, Fernando Henrique Cardoso.

Assim como agora, os vendilhões do País arrotavam que a entrega das riquezas do Brasil permitiria o desenvolvimento, criaria milhões de postos de trabalho, recursos para a educação e a saúde, entre outras verborragias mentirosas. Ao fim e ao cabo, entregaram as principais empresas do país: o parque metalúrgico nacional, o sistema Telebrás, abriram caminho para o controle da Petrobrás pelos agentes do capital financeiro, a maior parte da rede de transmissão de energia, os bancos públicos estaduais, entre muitas outras empresas estatais.

Em apenas uma dessas transações, o governo canalha de FHC entregou a empresa Vale do Rio Doce por apenas 1% do seu valor real, a mineradora com as maiores jazidas de minérios do mundo, em uma das operações mais escandalosas do planeta.

Pois eis que em pleno golpe de Estado, a direita do PT procura a todo custo fazer uma aliança com o partido de Fernando Henrique Cardoso. A fim de justificar o injustificável, um dos engenhosos formuladores dessa política teve a desfaçatez de classificar o governo FHC como neoliberal e o governo de Bolsonaro como ultraneoliberal. Ou seja, “não estamos diante da mesma ofensiva reacionária”. “A era FHC não teria sido tão ruim assim”.

Criaram uma distinção entre neoliberais e ultraneoliberais para poder se aliar ao PSDB contra o Bolsonaro. Uma aliança com a direita para derrotar a direita. Isso só fortalece a própria direita, e desloca o regime política em geral mais à direita.

Estamos diante de uma farsa política. Primeiro, diante da entrega já feita do patrimônio nacional por FHC é difícil que o que sobrou seja superior ao que foi liquidado, mas o principal é que Bolsonaro é uma cria do PSDB, o partido de FHC.

O PSDB foi linha de frente no golpe de Estado de 2016, que tem, justamente, como objetivo central dar continuidade a política neoliberal do governo FHC: destruir toda rede de assistência social que existe no país, assassinar mais crianças, condenar a população a miséria absoluta ou quando muito a morrer trabalhando.

A política da direita do PT é uma tentativa de resgatar o PSDB, que faliu assim como o conjunto dos partidos do regime, como consequência do golpe. Uma aliança com os responsáveis pelo golpe significa, na prática, uma tentativa de virar a página do golpe. Significa ainda, dar aval para a política de destruição do país, como se vê no apoio de governos estaduais do PT a reforma da Previdência e, no final das contas, fortalecer o regime golpista de direita contra os trabalhadores e a população explorada.

Finalmente, resgatar FHC e toda a camarilha do PDSB é ir contra a luta popular que se avizinha no país e que tem como um dos eixos centrais a defesa da Liberdade de Lula, a anulação de todos os processos fraudulentos contra ele e a extinção da operação Lava-Jato, sabidamente carro-chefe do golpe de Estado e que, como se vê pelas denúncias do The Intercept Brasil, umbilicalmente ligada ao PSDB.

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