A frente ampla a todo vapor
A política da frente ampla é fazer da esquerda uma escada para a burguesia tradicional reconquistar o poder sem o auxilio da extrema-direita
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Rui Costa, um dos principais emissários da frente ampla | Foto: Alberto Coutinho/Governo da Bahia

A frente ampla, que não existe, segundo a esquerda pequeno-burguesa, segue, contudo, a todo vapor seu itinerário golpista. Podemos dizer mesmo, ainda que não formalizada, está bastante consolidada entre setores da burguesia e da ala direita do PT e da esquerda em geral. Sobre a frente ampla, a entrevista recente do governador da Bahia, Rui Costa (PT) a Revista Fórum é bastante elucidativa.

Rui Costa, um dos principais representantes da direita do PT e da política da frente ampla, projetou vários cenários, que a frente ampla obviamente está discutindo e lançou também uma proposta insidiosa na entrevista. Segundo o governador baiano, PT, PSB e PCdoB poderiam pensar em uma fusão partidária, fusão essa que poderia englobar ainda outros partidos que ele deixa em aberto. Em sua visão: “as propostas desses partidos não são tão diferentes e essa fusão poderia gerar o maior partido do Brasil”.

A proposta inédita feita em um site de esquerda não é por acaso, trata-se de organizar uma campanha no interior da esquerda em torno desta operação complexa. Tal proposta, digamos objetivamente, é liquidar o Partido dos Trabalhadores, transformando-o completamente em um partido burguês. A operação consiste justamente em eliminar paulatinamente a ala lulista do PT, que goza do apoio eleitoral das massas, eliminando com isso o conteúdo de esquerda, mesmo que limitado, do PT. Essa operação deve, contudo reservar o mais possível o eleitorado do partido.

A introdução de partidos burgueses, como o PSB, e outros que poderiam fazer parte da operação e do PCdoB, profundamente incorporado ao regime burguês, é o elemento para minar a pressão das massas e do movimento operário sobre a política do Partido dos Trabalhadores como um todo e enfraquecer a ala lulista e de esquerda. A burguesia golpista tenta se reerguer utilizando a própria esquerda nesse movimento ascendente e encontrar nela elementos dispostos a servi-la nesse intento.

Tornar o PT o partido da burguesia contra a extrema-direita, eliminando, evidentemente, a sua ala esquerda e seus principais e históricos líderes, que constituem a alma do partido é uma das pretensões da frente ampla. Uma operação de grandes proporções, demorada e que encontra inúmeros impeditivos, é mesmo uma demonstração de desespero da burguesia golpistas e dos partidos tradicionais da burguesia que não conseguem nem minimamente legitimidade para retornar ao governo sem recorrer a extrema-direita, no entanto, a sorte está lançada…

Essa política trazida à tona por Rui Costa não é o único movimento da frente ampla, na mesma entrevista o político destaca a necessidade de formalizar a frente logo após o findar das eleições municipais.

Todos que não participam do governo devem sentar para conversar e chegar a um programa “mínimo”, para as eleições de 2022. Mesmo que haja mais de uma candidatura no primeiro turno contra Bolsonaro, no segundo turno os demais se comprometem a apoiar o candidato contra Bolsonaro. Essa é a proposta de Rui Costa.

Ao ser indagado sobre a candidatura Lula, diz que se ele puder deve colocar o nome dele, porém ressaltou a importância, segundo ele, do discurso de Lula em que o ex-presidente teria sinalizado que não necessariamente será o nome do PT o líder da oposição na eleição. “Tem que ter a disposição de apoio mútuo, e ai vamos ver as condições”, assim define sua posição em relação ao nome que possa surgir desta frente ampla.

É evidente, que nem a frente ampla se propõe a lutar pela candidatura do ex-presidente Lula, como que nesse programa mínimo dela, constará nas entrelinhas a não participação de Lula na eleição. Também é uma operação complexa, sem o eleitorado o PT, lulista, a frente ampla não vai a lugar algum, porém a sua política no essencial é política do Bolsonaro, não podem de maneira alguma tolerar a influência de Lula no regime político. A Ideia é fazer a esquerda eleger um Bolsonaro com melhores modos, talvez e que esteja completamente alinhado com o imperialismo, isso para impedir o Bolsonaro original de governar. Caso não seja possível a escolha da burguesia vai repetir-se, Bolsonaro. Eis a essência da política frenteamplista.

Ao final da entrevista Rui Costa faz um elogio a PM, tropa fascista que atua a luz do dia, e explica que a esquerda perdeu a eleição por não encarar o debate da segurança pública, ou seja, por não ser dura o suficiente com o “bandido”.

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