BRAZIL-ELECTION-HADDAD

Amanhã, trabalhadores de todo o país irão realizar a primeira greve geral contra o governo Bolsonaro. Os atos realizados a partir da segunda metade do mês de maio já mostraram que há uma fortíssima tendência à mobilização contra a direita: é hora de ir para cima dos golpistas e derrubar o governo. No entanto, setores da esquerda nacional estão vindo à público para defender uma política na direção oposta: na permanência dos golpistas no regime político.

Os setores da esquerda que defendem uma política de conciliação com o governo Bolsonaro são os mesmos que vêm defendendo, desde a época do impeachment de Dilma Rousseff, que o PT deveria fazer uma “autocrítica” e se transformar em um partido mais palatável para a burguesia. São os mesmos setores que defendem subordinar a luta dos trabalhadores aos interesses de vigaristas da política nacional, como Ciro Gomes.

A ala direita do PT, isto é, a ala composta fundamentalmente por governadores, parlamentares e juristas do Partido dos Trabalhadores, se mostra decidida a contrariar toda a tendência de luta de suas bases. Se a esmagadora maioria da população – e, naturalmente, a esmagadora maioria da base do Partido dos Trabalhadores – quer expulsar Bolsonaro do poder aos pontapés, a ala direita do PT defende que Bolsonaro termine seu mandato.

Uma das demonstrações de completa desorientação política e de capitulação diante do regime golpista que a ala direita do PT vem dando é o assédio constante aos “caciques” do PSDB. Tucanos como Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jerissati são frequentemente elogiados pela ala direita do PT, que procura fazer uma aliança com esses setores.

A aliança de qualquer partido de esquerda com o PSDB, bem como qualquer outro partido burguês, é uma verdadeira traição aos interesses da classe trabalhadora. No momento em que o regime político está prestes a se esfacelar, convocar a direita para lutar ao lado dos trabalhadores é dar uma sobrevida aos mesmos sanguessugas que vêm saqueando o país há centenas de anos.

A aproximação com o PSDB é especialmente criminosa porque esse é o partido que, durante muitos anos, melhor representou os interesses do imperialismo. O governo de Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, se colocou como um capacho total do imperialismo norte-americano e tratou a população como lixo. José Serra, nomeado como chanceler no governo Temer, foi quem deu início aos ataques do governo brasileiro ao povo venezuelano.

O PSDB não tem nada de democrático: na verdade, o bolsonarismo é uma cria de partidos como o PSDB. O massacre da população pelas polícias, a sabotagem à todo tipo de assistência social e até mesmo a imposição de pautas conservadoras são tudo práticas comuns dos governos tucanos.

Não é possível levar adiante uma luta que seja vitoriosa contra o governo Bolsonaro e, ao mesmo, contente setores da burguesia como o PSDB. Por isso, é necessário que os trabalhadores tenham uma política independente para a situação política: nenhum acordo com os golpistas, fora Bolsonaro, liberdade para Lula e eleições gerais já!