Guerra no Iêmen
União Européia anuncia ajuda irrisória para o Iêmen depois dos países do bloco terem enviado armas que sustentaram a guerra no país por cinco anos
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Protesto em Londres em abril de 2019, A faixa diz : "Parem de armar a Arábia Saudita" | Tony Hall

A União Européia (UE), por meio da Comissão Européia, anunciou que irá alocar 70 milhões de euros para supostamente prestar assistência ao Iêmen, onde a crise humanitária está sendo extremamente agravada pela pandemia do coronavírus.

“A Comissão fornecerá um novo financiamento de 70 milhões de euros para o Iêmen, já que o coronavírus ameaça exacerbar uma das piores crises humanitárias do mundo”, afirmou o comunicado.

Esses 70 milhões de euros se somam aos 822 milhões já destinados ao Iêmen desde 2015.

Nos finais de 2014, o grupo Ansar Allah, maioritariamente xiita, conhecido como Houthi, conquistou a capital do país mais pobre da zona árabe, Saná. Em 26 de março de 2015 começaram os bombardeios sauditas e dos Emirados Árabes Unidos, com apoio dos Estados Unidos da América. A Arábia Saudita tentava proteger o presidente Abed Rabbu Mansour al-Hadi, seu aliado.

Cinco anos depois, os ataques e os bloqueios causaram uma tragédia humanitária sem precedentes, impedindo a entrada no país de comida e medicamentos, mas não impediram que os rebeldes continuassem a avançar no norte e controlassem muitas das principais cidades do Iêmen.

O balanço humanitário é trágico. Estima-se que 24 milhões de iemenitas sobrevivam apenas devido à ajuda humanitária. 20 milhões deles vivem diariamente ameaçados pela fome e metade da população não tem acesso à água potável. Doenças como a cólera e dengue espalham-se pelo território. E mais de cem mil pessoas morreram por causa da guerra.

Já o balanço militar está longe de ser favorável à coligação liderada pelos sauditas, que investiu muito dinheiro nesse conflito. Tem havido avanços territoriais dos Houthis e chegaram até mesmo a desafiar a Arábia Saudita no seu próprio território através de vários ataques com drones.

Dada a situação sanitária debilitada no país, os efeitos do surto da Covid-19 são particularmente terríveis. Com cerca de metade dos hospitais e centros de saúde destruídos, falta de material e medicamentos e populações deslocadas e concentradas, a entrada do novo coronavírus na zona de guerra aumentou a tragédia humanitária que já se vive. Além disso, o país ainda não se livrou do surto de cólera e dengue que o atingiu no decorrer da guerra.

A União Européia está mais uma vez praticando a demagogia típica do imperialismo, visando acalmar a tal da “opinião pública”. Trata-se de hipocrisia pura pois a UE tem contribuído desde o início do conflito enviando armas para o lado apoiado pelos Estados Unidos da América.

Apenas para exemplificar isso, uma série de investigações publicadas pelo centro de jornalismo investigativo Danwatch acusou em 17/05 o maior fabricante de armas do país de crimes de guerra no Iêmen.

A reportagem, baseada em informações coletadas de relatórios de inteligência, solicitações de acesso público, imagens de satélite, televisão e entrevistas, constatou que a fabricante dinamarquesa de armas Terma continuou a fornecer sistemas de defesa de radar e mísseis aos Emirados Árabes Unidos, que foram posteriormente utilizados na guerra civil no Iêmen.

As vendas da Terma continuaram depois de 22 de novembro de 2018, apesar da decisão da Dinamarca e de outros estados europeus de bloquear as exportações de armas para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, devido ao seu envolvimento no Iêmen.

É evidente que a “ajuda humanitária” de 70 milhões de euros não passa de uma cortina de fumaça que visa desviar a atenção dos fracassos do imperialismo europeu e norte-americano em conter a pandemia do coronavírus e a crise econômica e manter a guerra e o bloqueio – sempre de olho nas reservas de petróleo iemenitas – no país mais pobre do Oriente Médio sem admitir o próprio envolvimento. Quem se presta ao serviço sujo é a ditadura saudita, armada pelo imperialismo, da mesma forma que na Venezuela, e no interesse dos EUA, é a Colômbia que cumpre esse papel.

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