De novo o VAR: engenhoca é usada em lambança na decisão do titulo gaúcho

anderson_daronco

Temos insistido de maneira frequente neste Diário, através de várias matérias que tratam da temática da introdução do VAR (árbitro de vídeo) no futebol mundial, que o recurso eletrônico colocado em ação pela primeira vez na última competição mundial de seleções, a Copa do Mundo da Rússia, muito distante de funcionar como elemento para dirimir lances polêmicos, vem sendo usado  exatamente para o contrário, causando muito mais controvérsias, tumultuando as partidas e desfigurando o futebol, quebrando os ritmo das partidas e irritando muito todos os atores que lidam com o esporte; a saber, uma parte da imprensa, jogadores, técnicos e, obviamente, os torcedores.

Principalmente, vem se constituindo num fato extra jogo, capaz de interferir nos resultados em favos dos que controlam a burocracia e as poderosas maquinas do futebol.

Somente neste último final de semana o VAR roubou a cena em pelos menos quatro dos mais importantes campeonatos estaduais do país, intervindo nas partidas para criar situações ainda maior de insegurança, confusão e incertezas. O que temos visto é a intervenção desastrada dos que manipulam a engenhoca, que em nada tem contribuído para melhorar a sofrível – devemos reconhecer – arbitragem brasileira.

Nesta reta final dos campeonatos estaduais, várias federações adotaram o recurso eletrônico a pretexto de “auxiliar” a arbitragem de campo nas partidas decisivas. No Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais, as partidas de volta estão marcadas para acontecer neste próximo final de semana. Todavia, no campeonato gaúcho, onde o título quase sempre é disputado por duas equipes que registram uma das maiores rivalidades do país (Grêmio e Internacional), a decisão ocorreu nesta quarta-feira, dia 18, na casa dos tricolor, o Grêmio. A primeira partida, realizada no final de semana passado, terminou empatada, sem abertura de placar.

Em campo, duas equipes absolutamente rivais. Partida tensa, pegada e como todos os “grenais”, com muitas provocações de ambos os lados. Futebol mesmo que é bom, os dois times ficaram devendo. O Grêmio, por jogar em casa e empurrado por sua sempre presente e fanática torcida, tomou as iniciativas e criou jogadas de maior perigo. Num dos lances de ataque, Bruno Cortez caiu na área e reclamou pênalti da arbitragem. O juiz não quis se comprometer e foi consultar o VAR, que confirmou a existência do pênalti (inexistente). A marcação gerou uma intensa polêmica, com um tumulto generalizado, ficando a partida interrompida por 14 minutos. O árbitro de campo expulsou o argentino D’Alessandro e o técnico do colorado, Odair Helmman, que se recusou a deixar o campo e foi conduzido para fora pela Brigada Militar, a sempre truculenta PM gaúcha.

Portanto, mais um vez, numa partida decisiva, valendo título, reunindo duas das mais importantes equipes do país, o famigerado árbitro de vídeo “entrou em campo” não para solucionar nada, não para dirimir nada, não para levar alguma segurança, mas para criar ainda mais polêmica e incertezas. O pênalti assinalado pelo VAR foi cobrado e o goleiro Marcelo Lomba, do Internacional, fez grande defesa, mantendo o placar empatado, que assim  permaneceu até o apito final.

Com a decisão indo para os pênaltis, o Grêmio acabou levando a melhor, pois estava com a pontaria mais calibrada do que os executores do colorado gaúcho. O Grêmio conquistou o seu trigésimo oitavo título estadual, sendo, portanto, o bicampeão gaúcho, pois também levantou o título de 2018, diante do Brasil, de Pelotas.

O registro negativo, obviamente, ficou mais um vez por conta do VAR, que vem se consolidando como o grande inimigo do excepcional futebol brasileiro, no exterior e, agora, no Brasil.