A arte, o samba e o sistema.
“O Brasil agoniza mas não morre”, diz Nelson Sargento. Artista sem dinheiro na pandemia põe a venda seus ternos e discos de vinil.
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Nelson Sargento. Show no Sesc Esquina, 02/12/2007. | Foto: Rosano Mauro

O maior baluarte vivo do samba, Nelson Sargento, está prestes a completar 96 anos no mês que vem, informou que colocou a venda seu acervo de discos de vinil e seus ternos preciosos, um que inclusive, usou num desfile importante da Estação Primeira de Mangueira, uma das Escolas de Samba do Brasil (onde foi presidente de honra), em 2016 com uma homenagem a cantora Maria Bethânia.

O autor de sambas memoráveis como “Agoniza mais não morre” (1978), passa por maus momentos por conta da pandemia e pela crise que está afetando o setor da cultura brasileira, inclusive no cenário musical e mais especificamente no samba. Setor este, que sempre foi muito desvalorizado e continuará sendo enquanto este sistema falido não acabar de vez.

A assessoria de imprensa do cantor negou que ele esteja passando por dificuldades e que terá que vender seus ternos e discos de vinil do seu acervo pessoal e tentam, junto com os familiares de Nelson Sargento, viabilizar uma live do baluarte no seu aniversário, onde completa 96 anos. Em nota, a assessoria explica que: “Nelson não está passando necessidade de comida e coisas essenciais. Não existe a possibilidade, hoje, de vender o acervo dele. É algo que ele gosta muito. O que estamos viabilizando é, no mês de julho, quando ele completa 96 anos, realizar um evento online (live), com adesão de alguns artistas e patrocinadores”.

Enquanto alguns “artistas” badalados enchem o bolso, com milhões de visualizações e inscritos em seus canais e com grandes patrocínios de grandes marcas. Nelson Sargento, que é um verdadeiro artista, conta hoje com pouco mais de 2 mil inscritos e 18 mil visualizações, onde mostra seu acervo com muito orgulho e que está sendo forçado a se desfazer, de uma forma muito triste e injusta, simplesmente para sobreviver.

A cultura, a arte e o negro, assim como outros setores oprimidos, nunca terão uma posição de destaque e uma valorização no mundo capitalista, racista e principalmente um mundo onde o que é valorizado são os bancos e seus lucros.

A inutilidade social e produtiva das classes dominantes encontrou sua tradução na inutilidade do trabalho dos artistas que morreram de “banzo”, sentimento, historicamente situado, dos negros brasileiros, submetidos ao estatuto de escravidão. Nelson Sargento e muitos outros artistas, também negros e todos aqueles que são explorados e privados de seus direitos, não estão livres do “banzo”, um modo de sentir, um sentimento triste, triste de morrer. O capitalismo não serve para pessoas singelas como Nelson Sargento, para ninguém que seja mais que apenas lucro e dinheiro.

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