Fraude da EAD no ensino básico
A proposta de suspensão do ano letivo é a expressão legítima da grande maioria dos estudantes da rede pública
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Estudantes denunciam a falta de condições para o estudo e a fraude do EAD. | Reprodução: Agência Brasil.

Na terça-feira (02), foi registrado que um dos assuntos mais falados da internet, na rede social Twitter, foi a falta de condições que os estudantes do ensino básico estão enfrentando para ter aulas à distância durante o isolamento da pandemia. Por isso, o que parece do interesse de grande parte dos estudantes dos ensino primário e secundário é que o ano letivo seja suspenso enquanto estivermos em pandemia pela falta concreta de condições para a realização do ensino à distância (EAD).

As denúncias estão entre as dificuldades de acesso a recursos técnicos como computadores e internet, até condições físicas e psicológicas para o estudo. Esses problemas têm sido registrados esmagadoramente entre os estudantes do ensino público, os principais atingidos pela ausência de condições necessárias ao estudo, no entanto, estudantes do ensino privado também sofrem com a falta de estrutura.

Alguns dos problemas listados são a falta ou precariedade de internet, tendo em grande número de casos somente a internet móvel, que é insuficiente para download e acesso às aulas; inexistência ou debilidade de computadores e recursos eletrônicos e até mesmo de celulares; acesso a livros, materiais, conteúdos e recursos didáticos, que muitas vezes ficam armazenados nas escolas e que nunca tiveram suficiente; falha na comunicação com professores, o que causa o aumento da necessidade de orientação e diálogo no ato de ensino-aprendizagem; incapacidade do espaço físico de estudo, condições psicológicas e mentais completamente afetadas pelas situações concretas vividas no dia a dia, agravadas pelo cotidiano vivido embaixo do teto de famílias da classe trabalhadora pobre, que demonstram completa incapacidade de cumprir as exigências da pandemia e sofrem sem a certeza do auxílio; e etc.

Pois bem, segundo dados divulgados pela pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI) em 2018, 58% das residências no Brasil não têm sequer computador, ferramenta imprescindível para o estudo em alto nível, até para o ensino básico. Junto a isso, 33% não tinham nenhum tipo de internet. Esta situação já demonstrou situações alarmantes. Segundo dados divulgados só no estado de São Paulo, um dos estados mais desenvolvidos em educação do País, o número de estudantes de escolas públicas que conseguiram se inscrever no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) desceu em 12%.

A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), na tentativa de denunciar a exclusão social dos estudantes das escolas públicas durante a pandemia, implantou a política de democratização “Internet para geral”. A campanha busca que o governo forneça internet para as casas dos estudantes do setor público, visto que a ferramenta tornou-se básica para o estudo e, portanto, para a igualdade de oportunidades entre os estudantes. A campanha mostra que, como este diário vem denunciando, a pandemia escancarou as necessidades da população brasileira. Sendo assim, o fornecimento de internet para os estudantes da escola pública é necessário e urgente, mesmo antes da pandemia.

A situação é extremante preocupante e precisa ser denunciada. Já em 2018, dados da Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que estudantes do ensino privado têm o dobro de chances de entrar na universidade em relação aos estudantes de escolas públicas. Os dados revelam que 79,2% dos estudantes do ensino básico privado que terminam o ensino médio ingressam no ensino superior, enquanto somente 35,9% dos estudantes do ensino médio em escolas públicas conseguem este feito. Ou seja, há uma política de educação da extrema-direita para impedir que os filhos da classe trabalhadora pobre acesse os estudos.

A pandemia e a política de educação do governo Bolsonaro está aprofundando este cenário que, desde 2018, já era assustador. É preciso denunciar que, mesmo sabendo de tudo isso, o governo colocou no cargo de ministro da educação Abraham Weintraub, um ministro que tem a missão de atacar e destruir cada vez mais as condições do ensino público, ou seja, é uma grande farsa. Além disso, a política de Bolsonaro vem sendo governar pelas redes justificando que assim está democratizando o acesso à informação. Isso se verifica uma grande mentira, pois grande parte da população trabalhadora e pobre não tem acesso à internet. E mais, precisamos perceber que o governo, sabendo de tudo isso, deixa claro então que essa é a política aplicada para o povo trabalhador pobre e para a escola de seus filhos. O governo Bolsonaro se mostra uma fraude, capacho para os ricos.

Diante de toda a situação, a reivindicação de suspensão do calendário do ano letivo é a expressão mais concreta das necessidades do conjunto dos estudantes da rede pública de ensino básico.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Ubes se pronunciaram sobre o caso, e dizem que estão observando e debatendo sobre o problema, mas indicam já que os grandes responsáveis por medidas que resolvam essas questões é o Ministério da Educação (MEC). Ora, nos cabe pensar que se o MEC do governo Bolsonaro é um dos grandes responsáveis pela situação que passam os estudantes, então é necessário saber que ele, mesmo tendo o dever de ampará-los, não fará.

É preciso perceber que a proposta de suspensão do ano letivo é a expressão legítima dos estudantes pobres. Portanto, há necessidade que a UNE e a Ubes percebam isto e mobilizem para o rompimento total com a política de educação da direita, que já provou ser inimiga dos estudantes em conjunto. A democratização do acesso à educação pelos filhos da classe trabalhadora pobre não é de interesse do governo Bolsonaro.

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