Tragédia anunciada
As indenizações dos atingidos na Barragem do Fundão, em Mariana/MG, na Vale do Rio Doce devem estar sob o controle dos próprios atingidos

Por: Redação do Diário Causa Operária

Uma advogada da fundação Renova fez ameaças aos familiares das vítimas dos das tragédias de Brumadinho e Mariana (ambas em MG) cometidas pela Vale, que deixou centenas de mortos.

Conforme artigo publicado no sítio eletrônico da Agência Pública na última quinta (25), a advogada, a Fundação Renova, Viviane Aguiar, em tom tradicional dos patrões – que consideram os funcionários e a população pobre como escravos – disse que devido a manifestação a coisa vai “piorar”.

Em reunião com as vítimas da tragédia, ela afirmou que vai “dar o tom”, colocando-se como porta voz do juiz da 12ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, que julga os processos da tragédia de Mariana:

“Não sou eu que estou falando, é o juiz dono do processo.”

“Eu que chamei a reunião, eu que vou dar o tom”, esbraveja a advogada Viviane Aguiar, interrompendo a fala de Valeriana Gomes de Souza, pecuarista de Naque (MG), vítima do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana.

A Fundação Renova é mantida pela Samarco e suas acionistas, Vale e BHP Billiton, para executar ações de reparação, e, segundo os atingidos, seria um braço das mineradoras responsáveis pela tragédia.

Apesar do rompante da advogada, colocando-se como capataz dos donos da Vale, e como juíza, a reunião da direção da Fundação Renova com as vítimas e seus parentes, só ocorreu devido à paralisação da linha férrea. Ou seja, depois que cerca de 50 pessoas atingidas interditaram os trilhos da linha de trem da Vale em 17 de janeiro, como protesto contra problemas no Sistema Indenizatório Simplificado (Novel).

Apesar da atitude criminosa da empresa, a aprendiz de carrasco, para atender seu patrão não se fez de rogada e continuou:

“Não sou eu que estou falando isso, é o juiz dono do processo que está falando. Se tiver manifestação, a manifestação vai parar.”

Mas não parou por aí, através de uma exemplo ultra reacionária, a advogada ameaçou as vítimas dos crimes das empresas que ela representa:

“Façam de conta que isso aqui é um barco em alto-mar com todo mundo dentro. Dentro do barco está o juiz, a Fundação Renova, todos os advogados e todos os atingidos, lá em alto-mar, e aí, de repente, um resolve fazer um motim para afundar esse barco. Nós só temos duas opções, vocês concordam? Ou nós jogamos essa pessoa para fora do barco ou essa pessoa sai por ela.”

Conforme o artigo, o modelo Novel foi chancelado pelo juiz Mário de Paula, em julho do ano passado. Em acordo entre a comissão de atingidos de Baixo Guandu (ES) e Naque – representados pela advogada Richardeny Luiza Lemke Ott – as mineradoras e a Fundação Renova, com a justificativa de compensar categorias com dificuldade de comprovação de danos pelo rompimento da barragem como, lavadeiras, artesãos, areeiros, carroceiros, extratores minerais, pescadores de subsistência e informais.

 

A pressão para não pagar

Agindo como uma mercadora de escravos, a advogada Viviane, como coordenadora do corpo de advogados da fundação da Vale, como consta do restante do texto da Agência Publica, além de demorar com os processos, está fazendo chantagem contra os atingidos.

No entanto, os atingidos pela tragédia anunciada do rompimento da barragem, que completa, nesse mês, cinco anos e seis meses, reivindicam também os pagamentos das indenizações já homologadas na Justiça. De acordo com Patrícia Alves Barreto, também integrante da comissão de Naque, em alguns casos está demorando até sete meses.

Valeriana afirmou que a entidade está pressionando as vítimas que têm dificuldade de comprovar o dano a aderir ao sistema:

“A sentença é para quem não tem a documentação. Só que a Fundação Renova está trabalhando ao contrário. Ela quer forçar o atingido, inclusive ligando para forçá-los a aderirem ao processo.”

O Ministério Público de Minas pediu ontem à Justiça a extinção da Fundação Renova, alegando desvio de finalidade e ineficiência, depois de rejeitar quatro vezes consecutivas as suas contas.

Resta aos atingidos pela atitude criminosa da Vale, na Barragem do Fundão, em Mariana (MG), tomar o controle das indenizações que está nas mãos desses mafiosos da Renova.

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