Preservar a vida
Aos patrões de frigoríficos só interessa o lucro, portanto o coronavírus contaminando aos montes os trabalhadores é algo que não os afeta

Por: Redação do Diário Causa Operária

Os patrões genocidas dos frigoríficos, utilizando-se das manobras mais espúrias para esconder a hecatombe da contaminação nesse setor industrial, fazem mais um acordo com o Ministério Público Estadual (MPT).

Agora, pela enésima vez, acatam decisão do MPT. Fazem isso porque é uma forma de protelar qualquer solução diante das péssimas condições dentro das fábricas, e as multas impostas aos patrões desse setor são, invariavelmente, muito baixas diante do lucro obtido por esses capitalistas.

No entanto, a campanha feita pela imprensa venal de que as empresas acataram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) e que, por si só, o problema se resolveria, é parte da farsa montada pelos patrões e propagandeada por essa imprensa. O exemplo cabal da manobra foi o acatamento da Aurora, BRF – Brasil Foods, bem como da Marfrig Group. Os frigoríficos são o setor industrial com o maior número de contágios registrados.

A BRF – Brasil Foods no mesmo mês de maio tinha acatado o TAC, e surpreendentemente quase dois meses depois, em julho, em uma única fábrica, mais de 1.138 foram contaminados, inclusive com mortes.

A situação extrapolou o quintal do Brasil e foi parar na China, onde uma carga exportada foi recusada. O frigorífico da Cooperativa Aurora foi até proibido de exportar seus produtos para aquele país. No caso específico foram toneladas de asas de frango e, diante de tamanho descalabro, com uma imensidão de denúncias, mais uma vez fez juras de acatar ao TAC. Na empresa existem mais de 11 mil trabalhadores. Desta vez, os patrões se comprometeram, novamente, em testar 3,6 mil trabalhadores. Será?

Os patrões, contumazes quanto ao tratamento de escravo com seus funcionários, devido às péssimas condições de trabalho que lhes são impostas, estão levando os operários ao contágio massivo (não confundir com testes massivos, porque esse fato não faz parte do vocabulário dos patrões), bem como um contingente enorme está falecendo. Os senhores de engenhos do século XXI, no entanto, continuam fingindo concordar em resolver o problema dessa gama de trabalhadores, no entanto estão cada vez mais levando os seus funcionários para dentro de covas, sete palmos abaixo da terra. Ou seja, para aumentarem o volume de suas contas bancárias, estão cometendo um verdadeiro genocídio nesse setor industrial.

Não há como deter o coronavírus nos frigoríficos sem que os trabalhadores parem suas atividades e, por isso é necessário que o conjunto das organizações operárias se empenhe na mobilização pela realização da greve, que não pode ser de forma isolada, mas nacionalmente.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne, Derivados e do Frio no Estado de São Paulo, juntamente com a Central Única dos trabalhadores (CUT) e demais organizações como a Contac, etc. está organizando, nas fábricas, a mobilização que culminará na greve desse setor industrial.

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