Acordo PT-PSB, na contra-mão da luta contra o golpe e pela liberdade de Lula

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Por meio de Resolução de sua Executiva Nacional, a direção do Partido dos Trabalhadores tornou pública, nessa quarta-feira (dia 1º) um “acordo político” com o Partido Socialista Brasileiro (PSB) pelo qual, em nome da “unidade do campo popular: e da busca de “reverter a agenda do golpe e retomar o projeto de desenvolvimento com inclusão” o Partido “decide incorporar-se às campanhas em que aliados históricos disputam governos estaduais, criando as condições para ampliar nacionalmente o apoio à candidatura Lula”.

De acordo com a Resolução, a Comissão Executiva Nacional do PT decidiu, principalmente: “apoiar, nos estados do Amazonas, Amapá, Paraíba e Pernambuco, os candidatos a governador do PSB, assim como já apoiamos a candidatura do PCdoB no Maranhão” e “formalizar este apoio por meio da integração do PT às respectivas coligações majoritárias”.

Embora o objetivo declarado da direção do PT seja “ampliar nacionalmente o apoio à candidatura Lula”, o PSB, apesar deste apoio fundamental para que haja alguma possibilidade de vitória dos seus candidatos, não se compromete a apoiar a candidatura Lula em nível nacional; já tendo sua direção anunciado que vai liberar o voto, o que em vários estados, como São Paulo, o que significa – de fato – apoiar o candidato preferencial da direita golpista, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB).

O apoio do PSB à direita golpista não é uma novidade. Em 2014, o partido que integrou a base parlamentar de apoio aos governos de Lula e DiIma, tendo ocupado cargos importantes nos seus ministérios, lançou a chapa presidencial Eduardo Campos e Marina Silva que ajudou a garantir a presença do tucano Aécio Neves, no segundo turno das eleições; no qual o PSB apoiou o candidato do imperialismo contra a candidata do PT.

Nos anos seguintes, o PSB se manteve ao lado da direita apoiando o golpe de estado que derrubou a presidenta eleita com mais de 54,5 milhões de votos, em um processo totalmente fraudulento. Como parte dessa política golpista, uma ala do PSB tentou emplacar como candidato o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que em 2012 liderou o julgamento fraudulento do mensalão, que condenou sem provas ex-dirigentes do PT, como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

Cartaz cutista denunciando voto pela reforma trabalhista

É evidente que o PSB, como todas as instituições do regime golpistas (incluindo seus partidos), está dividido e uma ala pressionada por setores da burguesia “nacional” e setores das oligarquias regionais encontra-se dividido, diante do verdadeiro retrocesso imposto à economia nacional pelo regime nascido do golpe de estado que coloca em prática uma política de total ao imperialismo norte-americano. Se houve acordo para derrubar Dilma e atacar o PT e avançar ferozmente contra os trabalhadores (“reforma” trabalhista etc.), agora, há muitos desacordos diante da voracidade do imperialismo que afeta interesses dos capitalistas “nacionais”. Mas isto nem de longe os torna aliados da luta contra o golpe.

A justificativa de caráter aparentemente eleitoral apresentada pelo PT, também esbarra na realidade. São os governos e candidatos desgastados do PSB que precisam do apoio de Lula – amplamente majoritário nos estados em que o PT vai apoiar o PSB, e não o contrário. Essa política que, já seria desastrosa em “tempos de paz” e que se mostrou como um fator para empurrar o PT para alianças com inimigos dos trabalhadores, agora, em tempos de golpe, de ditadura do judiciário e da direita golpista, de cassação dos direitos democráticos de Lula, do PT e de todo o povo brasileiro, se mostra totalmente na contramão da necessidade de levar adiante uma luta ampla, sem tréguas, que impulsione uma verdadeira “rebelião popular” (como defendida pelo companheiro Gilberto Carvalho, da Executiva do PT, como única capar de libertar Lula e derrotar o golpe).

O caso de Pernambuco é exemplar. Nesse Estado, onde o próprio Lula declarou que se fosse militante do PT pernambucano apoiaria a candidatura própria do Partido, a Resolução do PT, contra a qual há recurso de dirigentes do Partido, significa colocar o PT à reboque de uma oligarquia golpista e sufocar a militância do Partido que se mobiliza pela liberdade de Lula, que constrói Comitês, que participa de mobilizações.

Nesse, e em outros casos, essa política é apoiada – dentro e fora do PT – por setores que têm interesses eleitorais mesquinhos, como a reeleição de algum governador, senador ou deputado petista (que também não fica garantida) em função de um suposto apoio do PSB (com o qual não se deve contar, uma vez que esses “socialistas” já mostraram o quanto são capazes de trair a esquerda e o povo brasileiro para defender seus interesses e curvarem aos dos abutres capitalistas internacionais.

O pretexto de que essa política serve para isolar Ciro Gomes e conter sua fracassada tentativa de se apresentar como candidato “da esquerda” que após (e é apoiado) por setores da direta, também não se justifica.  Ciro está sendo abandonado por setores da burguesia porque a direita golpista se unificou, ao menos por hora, em torno da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB), apesar dos esforços do “pedetista” de conquistar apoio entre os golpistas e de atacar Lula (que para ele “não é preso político”) e o PT. O PSB já não tinha como apoiar esse candidato-abutre e sem apoio popular.

Esta política, infelizmente, abre caminho para fortalecer também – dentro e fora do PT – a política do chamado “plano B”, ou seja, o abandono da luta pela liberdade de Lula e por usa candidatura presidencial, contra o golpe, para se desviar em direção ao lançamento de outra candidatura – do PT ou de fora dele – que não seja a expressão da luta contra o golpe, que não conta com o apoio das principais organizações de luta dos explorados, mas que seja aceitável ao regime golpista, que sirva para ser derrotada eme eleições fraudulentas (sem a participação de Lula) e ajude – concretamente – a legitimar os planos dos golpistas para as eleições: conquistar uma aparente legitimidade para um governo golpista “aprovado” por uma minoria do povo brasileiro, em eleições fraudulentas e manipuladas.

Contra essa política de capitulação, chamamos a toda a militância de esquerda a se manter unidos em torno da perspectiva de luta e de independência de classe aprovada na Conferência Nacional de Luta Contra o Golpe, realizada dias atrás. Fortalecer a organização independente dos explorados nos Comitês de Luta; unificar a esquerda que luta contra o golpe contra o “plano B”, em defesa da imediata ;liberdade de Lula, contra o golpe, pela anulação do impeachment e de todas as medidas do regime golpista, e por Lula presidente contra o golpe. É Lula ou nada! Pois eleições em Lula, é fraude!