Imperialismo em ação
Governo Biden procura forçar o Irã a aceitar um acordo nuclear pior do que havia antes e que foi abandonado por Trump. Uma demonstração da intensificação da política imperialista
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O novo Secretário de Estado dos EUA, Tony Blinken | Foto: AP Photo
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O novo Secretário de Estado dos EUA, Tony Blinken | Foto: AP Photo

O presidente dos EUA recém-empossado, Joe Biden, deu indícios de que pretende voltar para o acordo nuclear com o Irã, chamado Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA), estabelecido em 2015 e do qual o ex-presidente Donald Trump se retirou em 2018. O acordo consistia em eliminar 98% das reservas de urânio enriquecido do Irã, além de reduzir em dois terços o número de centrifugadores de gás iranianos, ambos num período máximo de treze anos, a contar a partir do início do acordo. Em troca, os países imperialistas iriam reduzir as sanções ao país.

Agora, por conta do período passado desde a saída de Washington do acordo, o Irã tem revertido gradualmente seus compromissos com o enriquecimento de urânio, enquanto o imperialismo tem endurecido as sanções contra o país persa. Joe Biden fez o gesto no sentido de retomar este acordo, porém, segundo o Secretário de Estado, Tony Blinken, “não ocorrerá da noite para o dia. Ainda serão necessárias consultas com Israel e os Estados do Golfo”.

Com a mudança do presidente e essa possível volta dos EUA para o acordo, Teerã está exigindo que a Casa Branca dê o primeiro passo e retire, incondicionalmente, todas as sanções ao Irã. No entanto, Blinken afirmou que o acordo deve ser mais amplo e que o Irã deve incluir também a interrupção de seu programa de mísseis balísticos e atividades regionais, condições não aceitas pelo governo iraniano. É, também, uma demonstração do aprofundamento da ingerência norte-americano sobre o país do Oriente Médio.

Segundo Foad Izadi, professor de comunicação política da Universidade de Teerã, “Trump costumava dizer que queria renegociar o acordo nuclear e queria que o Irã fizesse coisas com seu programa de mísseis e influência regional. O governo Biden, pelo menos até agora, está basicamente dizendo o que Trump dizia, de uma forma mais bacana, basicamente, com uma terminologia diferente, mas o conteúdo é o mesmo”. No entanto, é preciso ressaltar que a política de Biden é mais intrusiva e, portanto muito pior do que a de seu antecessor. O aumento nas exigências feitas para o governo iraniano é uma demonstração disso.

Algo que é expressado claramente pelo governo iraniano é o fato de que os EUA “não costumam cumprir com os combinados. Para os persas, foi Washington que abandonou o acordo anteriormente e caberia a eles retornar à situação que havia antes de janeiro de 2017. Como não há um gesto nesse sentido de Washington, Izadi afirma que “o que quer que o Irã faça, será um caminho para que o Irã não sofra novamente, porque o Irã confiou nos governantes dos EUA da última vez e vimos o que aconteceu. Confiar nos funcionários do governo dos Estados Unidos, estejam eles no governo Biden ou em outros governos, não é realmente aconselhável porque eles não cumprem os compromissos que assumem”.

Outro fator que deve ser destacado no que diz respeito à relação entre os EUA e o Oriente Médio é a relação de Biden com o serviço secreto israelense, o Mossad. Biden já declarou que irá manter o reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, em uma total violação aos interesses dos palestinos. Além disso, ele esteve envolvido, mesmo que indiretamente, em todos os ataques contra o Irã desde a Revolução de 1979, visto que ele sempre foi um dos homens do Estado Norte-Americano para as relações exteriores.

A política pró-Israel está demonstrada com o fato de que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, enviará o chefe do Mossad, Yossi Cohen, a Washington no mês que vem para se encontrar com Biden, a fim de definir as exigências de Tel Aviv para reformar o acordo nuclear com o Irã, conforme informou o Times of Israel no último domingo (24). Isso mostra a proximidade entre o atual governo norte-americano e a associação de espionagem de Israel, que é, na prática, um Estado fascista. Além disso, o jornal israelense afirma que o maior receio do país é que a retomada do acordo nuclear com o Irã ajude o país a enriquecer urânio e aliviar sua economia.

Essa situação envolvendo o Irã é um demonstrativo de como será conduzida a política de relações exteriores dos EUA a partir do governo Biden. Não se trata de um governo de esquerda, amigo dos oprimidos e defensor da paz, mas sim de um governo cuja ideologia está totalmente alinhada com as necessidades do imperialismo. Um governo verdadeiramente progressista jamais permitiria que um país atrasado como o Irã fosse esmagado por sanções internacionais criminosas que botam em risco a vida de toda a sua população, isso particularmente durante o período de gigantesca crise social e sanitária que o mundo vive atualmente.

A exigência norte-americana de que o Irã renuncie à sua atividade nuclear e outras coisas, como a renúncia de seus mísseis balísticos é uma imposição criminosa de um gigante imperialista contra um país atrasado. É uma tentativa de forçar o governo iraniano a aceitar um acordo totalmente desfavorável para o país. Trata-se de uma demonstração cabal do funcionamento do imperialismo no mundo, que busca submeter os países atrasados e explorá-los o máximo que for possível, sem permitir seu desenvolvimento de forma alguma.

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