Petrobras: Empresa falsifica números, mas índice de acidentes sobe mesmo assim

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Como já era de se esperar, os resultados da nefasta terceirização implementada pelo governo golpista de Michel Temer (MDB) não poderiam ser diferentes. Segundo denuncia do Sindicato dos petroleiros, os acidentes de trabalho aumentaram 10% só neste ano, ­– mas na realidade o número é ainda maior ­–, visto que as ocorrências têm sido subnotificadas para não prejudicar o Plano de Negócios da Petrobras, o qual tem meta a ser atingida.

De acordo com o Plano de Negócios da Petrobras, a meta prevista é de 1 acidente a cada 1 milhão de horas trabalhadas. Contudo, em virtude da política implementada com a Reforma Trabalhista do governo golpista de Michel Temer e seus asseclas, o índice de acidentes na estatal passou de 0,95 para 1,06 –­­ 10% de aumento – isso somente entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano. Após um levantamento feito pelos sindicatos de petroleiros em todo Brasil, constatou-se que a contratação de mão de obra terceirizada é uma das principais causas de acidentes nas unidades da empresa.

Segundo os dirigentes, além de inúmeros problemas fomentados pela gananciosa cruzada golpista, faltam treinamento e condições adequadas de trabalho para garantir o mínimo de segurança para trabalhadores terceirizados. Os dados não mentem; entre 1995 e 2018, 81,48% dos acidentes fatais no sistema Petrobras envolveram trabalhadores terceirizados, contra 18,52% entre os trabalhadores contratados diretamente pela estatal, afirmam os sindicatos.

Como prova de que as tragédias são recorrentes, nesta quarta-feira (19) mais um terceirizado foi vítima de acidente na empresa. Desta vez, um Supervisor de Produção da Alphatec, foi atingido na mão direita, incorrendo em uma sutura do dedo indicador. O operário estava dando instruções a sua equipe de trabalho na Plataforma P-25, na Bacia de Campos.

Segundo Tadeu Porto, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e da Federação Única dos Petroleiros (FUP), este é só mais um dos acidentes, entre eles alguns muito graves, que vêm ocorrendo nas plataformas da Petrobras. Ainda segundo ele, “há sempre o risco de uma lesão permanente e amputação do dedo. Imagine o que isto pode causar na vida de um trabalhador”. Para o dirigente, muitas ocorrências não estão sendo notificadas, desde que a Petrobras colocou em seu plano de negócios a obrigação de diminuir as taxas de acidentes, chamada de Taxa de Acidentados Registráveis (TAR). Ademais, a Petrobras multa as empresas terceirizadas a cada acidente ocorrido. Sendo assim, os trabalhadores acabam não comunicando as ocorrências com medo de demissão.

“Embora as subnotificações não permitam aferir a totalidade dos acidentes, as pesquisas têm comprovado o aumento”, argumenta Tadeu.

Somente no ano passado foram registrados sete acidentes fatais, sendo seis com trabalhadores terceirizados e um da Petrobras. Entre as causas estão: explosão em caldeiras de vapor, queda durante movimentação de cargas, pensamento durante movimentação de tubos, e queda de homem ao mar. Já nesse ano, até o mês de agosto, três trabalhadores de empresas terceirizadas morreram e ­­nenhum era contratado diretamente pela estatal. Segundo o dirigente, outros dois graves acidentes assustaram os trabalhadores da Petrobras: um em março de 2017 e outro no dia 20 de agosto desse ano. No primeiro, uma aeronave com seis pessoas a bordo, tombou na Plataforma P37, na Bacia de Campos; e no segundo, uma explosão na Refinaria de Paulínia (Replan), seguida de incêndio, atingiu três unidades da planta industrial. Contudo, em ambos os casos, não houve vítimas.

Diante de todo o exposto, podemos concluir que a política neoliberal imposta pelos golpistas, não mede esforços para maximizar os lucros das multinacionais; mesmo que os operários tenham que servir de combustível para o funcionamento das caldeiras. A política entreguista e subserviente de Michel Temer, tem levado ao fim e ao cabo a classe operária à condições de extrema degradação. A reforma trabalhista tem dado os resultados que a classe exploradora esperava; o aumento do lucro para os patrões, e a miséria para a classe trabalhadora.