Liberdade para Mumia Abu-Jamal
O caso do ex-militante dos Panteras Negras revela que o regime burguês é incapaz de absorver as lutas democráticas dos negros

Por: Redação do Diário Causa Operária

Juliano Lopes

Juliano Lopes

Juliano Lopes é advogado, integrante do Comitê Central Nacional do Partido da Causa Operária, e coordenador do Coletivo de Negros João Cândido.
Mumia Abu-Jamal, algemado, sendo transferido de prisão.

Dos republicanos aos democratas, não teve esse governo capaz de resolver o impasse racial nos Estados Unidos, e um dos casos que mais representam esse problema é o de Mumia Abu-Jamal, militante negro, preso político do governo norte-americano.

Abu-Jamal é um jornalista, ex-militante do Partido dos Panteras Negras e ainda em 1981 foi preso, ilegalmente, sob a falsa acusação de ter assassinado um policial branco, em um dos maiores processos-farsa já visto na justiça americana.

Seu julgamento se deu apenas em 1982, quando foi manipulado pelo juiz, para que todos os jurados fossem brancos, e que fossem aceitas provas abertamente fraudadas, além de depoimentos que eram mentiras do começo ao fim.

Com toda essa fraude, Abu-Jamal, ainda naquele ano, foi condenado ao corredor da morte. Era uma clara perseguição política, até porque, nos autos do processo, foram anexadas dezenas de folhas do FBI, que reviraram a vida de Jamal antes mesmo de sua prisão, por conta da sua militância anterior.

Em razão das fraudes e nulidades processuais, foram várias as reviravoltas no caso de Abu-Jamal, especialmente as mobilizações para que o militante não fosse executado, não fosse alvo da pena capital como tantos outros negros.

Finalmente, durante o governo Barack Obama, de quem se esperava (por parte da esquerda pequeno-burguesa) a liberdade imediata de Abu-Jamal, sua pena foi convertida em prisão perpétua, algo tão duro quanto a execução sumária. E assim, até os dias de hoje, Abu-Jamal está preso ilegalmente e como resultado de um regime racista, de perseguição política.

Abu-Jamal, já mais velho, no cárcere.

Jamal nunca abaixou a cabeça, e continuou sua militância do jeito que foi possível, escrevendo, em 1995, o famoso Live from Death Row e, ainda nos dias de hoje, é possível ouví-lo na Prison Radio, em suas análises sobre a situação política geral e sua luta pela liberdade.

Chama atenção a disposição do regime em massacrar os representantes da luta do negro, como foi, também, no caso de Malcolm X. É enorme a energia e o dinheiro gastos pela burguesia para esmagar as organizações de luta do povo pobre. 

O caso de Abu-Jamal revela muito sobre a incapacidade da burguesia resolver a questão do negro, e a necessidade da tomada do poder pelos oprimidos. Abu-Jamal deveria ser libertado imediatamente e o estado pagar uma indenização gigantesca diante do que foi feito contra ele.

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